Thursday, June 09, 2011

Brasil autoriza construção da terceira maior barragem do mundo na Amazónia

Um holocaustro hídrico, talvez seja a melhor forma de descrever o que este dantesco atentado ecológico em mega escala representa para o ecossistema Amazónico e para o modo de vida milenar dos povos índios daquela região. Para quê? Para gerar mais uma contratos milionários às grandes construtoras, para gerar mais lucros para as gananciosas empresas hidroeléctricas, para manter o estilo de vida consumista e desperdiçador das grandes cidades? (lá como cá a “praga” das grandes barragens tem contornos muito semelhantes, com a agravante da escala que lá elas têm)

Uma terrível estupidez é o que é! É importante fazer-se tudo o que for possível e impossível para travar esta catástrofe em vias de execução pelo ser humano.


Projecto gerou protestos de ambientalistas e comunidades indígenas

Brasil autoriza construção da terceira maior barragem do mundo na Amazónia

01.06.2011 - 18:02 Por Ricardo Garcia, Isabel Gorjão Santos, com agências

http://www.publico.pt/Mundo/brasil-autoriza-construcao-da-terceira-maior-barragem-do-mundo-na-amazonia_1497047


O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu nesta quarta-feira a licença para a construção da polémica barragem de Belo Monte, na Amazónia, que será a terceira maior do mundo.

A licença para a construção da barragem hidroeléctrica foi concedida à empresa brasileira Norte Energia, anunciou o Ibama em comunicado. O projecto irá inundar uma área de cerca de 500 quilómetros quadrados nas margens do rio Xingu, na parte oriental do estado do Pará, na Amazónia. Representa um investimento de cerca de 12 mil milhões de euros e terá uma capacidade de 11200 megawatts de energia - duas vezes e meia a capacidade somada de todas as barragens de Portugal ou nove vezes a potência da central térmica de Sines.

As autoridades brasileiras têm defendido que a construção da barragem é fundamental para assegurar o fornecimento de energia, mas o projecto tem sido duramente criticado por grupos de ambientalistas e pelas comunidades indígenas da região, uma vez que obrigará ao deslocamento de cerca de 16 mil pessoas, segundo as estimativas oficiais. Várias figuras públicas juntaram-se nos últimos meses aos protestos contra a barragem, incluindo o cineasta James Cameron, realizador de “Avatar”, que já esteve várias vezes no Brasil para apoiar as comunidades indígenas. A Comissão Interamericana para os Direitos do Homem e a Organização dos Estados Americanos chegaram a pedir ao Brasil para suspender a construção.

O Ibama garante, no entanto, que o projecto prevê compensações sociais e ecológicas para a região afectada e sublinha que haverá vazão suficiente numa das zonas afectadas, a Volta Grande do Xingu, de modo a preservar o ecossistema e o modo de vida das populações ribeirinhas. O acordo para a criação da barragem já tinha sido assinado em Agosto pelo ex-Presidente Lula da Silva.

A obra é uma peça importante do Programa de Aceleração e Crescimento do Brasil, lançado pelo Governo Lula da Silva em 2007 e na altura coordenado pela então ministra-chefe da Casa Civil, a actual Presidente Dilma Rousseff. O projecto encontrou resistências, porém, dentro do próprio Governo. O Ibama resistiu à sua aprovação e dois dos seus presidentes demitiram-se, alegadamente perante a pressão para dar luz verde ao projecto. A insistência do Governo no projecto é também apontada como uma das causas que levaram, em 2008, a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a apresentar a sua demissão do Executivo.

A actual ministra brasileira do Ambiente, Izabella Teixeira, defende a barragem como necessária para suprir o grande aumento previso no consumo eléctrico do país. "Eu prefiro discutir energia hidráulica do que energia nuclear no Brasil", disse Izabella Teixeira, numa entrevista ao PÚBLICO, que será publicada na íntegra no próximo fim-de-semana. Segundo Izabella Teixeira, só o nuclear seria uma alternativa à barragem, por representar uma disponibilidade constante de energia eléctrica em grande quantidade. A ministra rejeitou alguns dos argumentos contra o projecto, como a possibilidade de virem a ser inundadas áreas indígenas, algo que, segundo afirma, não irá acontecer.

Belo Monte será a terceira maior barragem do mundo, depois da barragem das Três Gargantas, na China, e a de Itaipu, na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. A primeira turbina deverá começar a funcionar em 2015 e a última em 2019. Actualmente, três quatros de toda a electricidade consumida no Brasil vêm de barragens.

Sunday, June 05, 2011

reflexão ... assim vai este país

Não deixa de ser irónico que cerca de 100 anos após a implantação de República e cerca de 37 anos após o 25 de Abril a força política herdeira dos valores e dialéctica do Estado Novo (Deus, pátria e família) se tenha tornado na 3ª maior força política em Portugal. O populismo funciona e o desinvestimento na educação está, mais do que nunca, a dar os seus frutos. A tendência não parece ser, para já, das coisas melhorarem.

Não deixa de ser irónico que após 6 anos de governo de centro-pseudo-esquerda-mas-bem-de-direita o povo tenha escolhido mudar de um caminho no sentido de uma maior precaridade e instabilidade social e laboral, perda de direitos e serviços públicos (educação, saúde, ambiente), favorecimento dos grandes interesses financeiros em detrimento de todo o bem estar social (enfim, o neoliberalismo no seu melhor) para um caminho ... ainda mais à direita e ainda mais de pleno neoliberalismo à moda de Tatcher e Reagen (os grandes impulsionadores do neoliberlaismo nos seus países e por inerência à escala global)

Voto supostamente um bocadinho mais à esquerda ou à direita a realidade é que o grande programa ideológico do "centro" é o neoliberalismo (privatização de tudo e de todos, despedimentos, precaridade, etc. o "pacote" completo), e essa tem sido a nossa maior realidade pós-25 de Abril e sobretudo após a entrada na União Europeia (também ela orientada por uma agenda predominantemente e fortemente neoliberal - obrigado Durão).

Qual é o futuro?
O futuro, para quem defende uma democracia real, participativa, do povo e para o povo terá que ser ainda de maior criatividade, resistência e tenacidade.

O futuro e a mudança mais do que nunca tem de partir da sociedade civil, dos movimentos sociais, da iniciativa e activismo individual e colectivo.

Passados 100 anos ainda tanto, mas tanto, há a fazer para cumprir os ideais da República. Passados 37 anos "Abril" nunca esteve tão longe de trazer as mudanças e bem estar social que o povo português ousava sonhar então.
Mais do que nunca há que resistir ... e se o voto é a arma do povo, então ela nunca se revelou tão infrutífera em Portugal ...

Para reflexão:

Algo que começa a ser muito comum nos últimos tempos, com tendência para aumentar com este novo governo de direita populista: a repressão policial sobre os movimento cívicos e sociais. A polícia protege os pobres ou protege dos pobres os podres de ricos?

http://www.youtube.com/watch?v=KegqkSXPwas&feature=related

Socrates pode "partir" (para algum tacho milionário em alguma das empresas milionárias que ajudou durante estes anos) que tem em Passos Coelho um sucessor à sua altura ... estude-se um pouco o CV do Ronald Reagen português ...

http://verdadeirolapisazul.blogspot.com/


Desejo a maior força e determinação a tod@s nestes tempos difíceis que se avizinham de direita conservadora e pró-lobbies financeiros (um pouco à imagem do anterior governo mas talvez com um agravamento previsível em vários domínios) em Portugal ...

Força amig@s, mais do que nunca: a luta continua e tem mesmo que continuar ...

Abraços,

Pedro Jorge

Tuesday, May 31, 2011

Procuro Designers para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção

Procuro Designers para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção


Se tens conhecimentos e prazer no desenho gráfico e és sensível às questões sociais e ambientais talvez te interesse colaborar com diversos projectos que dinamizo nessas áreas.

Basicamente o objectivo será a concepção de alguns flyers, cartazes, eventualmente um outro logotipo.

Como são projectos não financiados infelizmente para já não há a possibilidade de pagar monetariamente pela colaboração. Mas há a possibilidade de “trocar” os trabalhos gráficos pela participação gratuíta nas diferentes oficinas e actividades dinamizadas no decorrer dos projectos.

Os blogs de alguns dos projectos, e respectivos links, podem ser vistos em:


Segredos da Horta - Alimentação Vegetariana Natural
http://segredosdahorta.blogspot.com/

Be the Change you want to see in the world"
http://thechange2004.blogspot.com/

Porto de Encontros
http://portodeencontros.blogspot.com/


Caso estejas interessad@ em colaborar ou em mais informações por favor contacta:


Pedro Jorge Pereira

ecotopia2012@gmail.com

93 4476236


Obrigado e até breve!

Friday, May 27, 2011

Quinta Musas da Fontinha



Um exemplo inspirador e, sem qualquer dúvida, a seguir. Que mais e mais hortas tragam a Natureza, o verde e os alimentos biológicos e locais às nossas cidades permitindo-nos libertar da ditadura do "asfalto e do betão"

Monday, May 23, 2011

Ciclo Terra Ecco p+d, The Corporation, 26 de Maio, 5ªf

Ciclo Terra Ecco, p+d

26 de Maio

5ªfeira, 22h00

Contagiarte

Projecção "The Corporation"

Wednesday, May 18, 2011

sessões ECCO lógicas sF+Jd, a GLOBALIZAÇÃO 25 de Maio, 4ªfeira, 19h00, Casa da Horta, Porto

sessões ECCO lógicas sF+Jd

sessão Formativa + Jantar discussão


a GLOBALIZAÇÃO

25 de Maio, 4ªfeira, 19h00,

Casa da Horta, Porto






Sessões ECCO lógicas F+d

Desenvolvimento Sustentável, Alterações Climáticas, Poluição, Reciclagem, Extinção das espécies são tudo conceitos ou questões que já se tornaram, de alguma forma, familiares e que passaram a fazer parte, melhor ou pior, do núcleo de questões centrais que marcam a nossa actualidade.

No entanto aquilo que é o pensamento verdadeiramente ecológico, sobretudo numa perspectiva de profunda e umbilical ligação com os próprios fenómenos e questões sociais, ainda se encontra em larga medida mantido à margem do pensamento dominante e certamente há ainda (e mais do que nunca) imenso que podemos e devemos pensar, reflectir, fazer para que o ecologismo seja, para a maioria das pessoas, mais do que um movimento radical desligado “da realidade” ou, pelo contrário, uma moda reduzida a um conjunto superficial de comportamentos mais folclóricos do que propriamente susceptíveis de mudar a nossa forma de ser e de estar.

Por outro lado parece que nos estarmos a tornar cada vez mais sujeitos passivos receptores de mensagens publicitárias e propagandísticas e cada vez menos em sujeitos activos criadores de novos paradigmas e mudança. Parece que já perdemos a capacidade de reflectir em profundidade, de nos encontrar-mos para aprofundar e questionar valores, de nos encontrar-mos para (re)criar.

A proposta das sessões Ecco lógicas F+d consiste num conjunto de sessões formativas nas quais são introduzidos alguns temas cruciais naquilo que caracteriza a nossa sociedade moderna seguidas de uma troca de opiniões / discussão facilitadas à volta da mesa, com opção de jantar vegetariano para quem o pretender.



Tema 1 a GLOBALIZAÇÃO

É um "lugar comum" dizer-se que a nossa sociedade se globalizou. Talvez seja mais difícil, no entanto, compreendermos ou reflectirmos sobre as mais diversas formas e repercussões dessa mesma globalização na nossa realidade do dia-a-dia. Sobre as implicações concretas que esse fenómeno tão crucial adquire para cada um de nós e reais impactos no tecido social da nossa comunidade assim como no meio ambiente ao qual pertencemos.

A proposta da primeira sessão Ecco lógica sF+Jd é a de uma profunda reflexão sobre o fenómeno da globalização assim como dos seus impactos aos mais variados níveis na forma como tem vindo a transformar radicalmente a nossa cultura, a nossa economia, o nosso ambiente, em suma, toda a nossa sociedade.



sessões ECCO lógicas sF+Jd

sessão formativa + jantar discussão


a GLOBALIZAÇÃO

25 de Maio, 5ªfeira

19h00 – 20h30 sessão de Formação

a partir das 20h30 – Jantar discussão

Casa da Horta, Porto



INFORMAÇÕES e INSCRIÇÕES:


INSCRIÇÕES: DATA LIMITE:

24 de Maio, 3ªfeira


Pedro Jorge Pereira - Projecto EDUCACES

93 4476236

ecotopia2012@gmail.com

http://thechange2004.blogspot.com/


Contribuição: Por donativo livre

Jantar opcional: Preços habituais das refeições na Casa da Horta

Wednesday, May 11, 2011

O verde contaminado das cidades-parte1



Há muitos espaços ditos "verdes" nas cidades (e não só) que de verde só têm o nome ... para além de recorrerem a espécies exóticas que consomem quantidades brutais de água ... recorre-se a amiúde a pesticidas muitas vezes para eliminar espécies nativas que mesmo (supostamente, e é discutível) não parecendo tão bonitas como a típica "relvinha" estão muito mais adaptadas ao ambiente e clima locais ... exigindo muito menos "manutenção" e, sobretudo, intervenção, que em tantos casos (para não dizer quase todos) é mais nefasta que benéfica ... uma reportagem bem elucidativa do Biosfera:

Monday, May 02, 2011

WORKSHOP ESCRITA CRIATIVA e “CULTURAL JAMMING” 7 de Maio, Sábado, 15h00 - 18h00, IMPULSO INTEGRAL

““Somos o que fazemos para mudar o que somos”

nas ruas do Porto


Diariamente somos bombardeados com milhares de mensagens de vária ordem, mas sobretudo publicitárias. Todo o nosso espaço público, geográfico e cultural foi invadido por mensagens e símbolos de marcas omnipresentes que se imiscuíram de tar forma no nosso dia-a-dia que já mal conseguimos imaginar a vida sem elas.

Despidas de verdadeira essência ou sentido somos impelidos para comportamentos que mais não fazem que reforçar a nossa subserviência ao sistema mercantilista global e, sobretudo, incentivar-nos a esse ritual tantas vezes tão vazio como mecânico de consumir.

Os próprios meios de comunicação social, regra geral, mais não fazem do que produzir e reproduzir a “era do vazio” e as banalidades e futilidades da moda da agenda neoliberal.

Por outro lado o “cinzentismo” monolítico do “sistema” tomou conta das mais variadas dimensões do nosso quotidiano.

Espartilhado em fatos e gravatas de convenção o indivíduo, por vezes fechado no espaço amorfo de um escritório horas e horas a fio, mais não faz do que sócio-vegetar por aqui e por acolá preenchendo o vazio com algum dos muitos nadas que vão sendo, aqui e ali, oferecidos ou vendidos a preço de conveniência ou estatuto particular.

Chegados a este ponto de “lugar nenhum” coloca-se a questão?

Ainda existe espaço na nossa sociedade para o pensamento livre, irreverente e verdadeiramente transformador? Ainda existe espaço para a criatividade e liberdade de expressão não conformista ou conformada? Ainda existe espaço para que o ser possa ser e se expressar com toda a sua originalidade?


Na oficina de Escrita Criativa e Cultural Jamming vamos buscar, mas, sobretudo, criar caminhos alternativos de acção e transformação social começando, desde logo, nessa componente tão preponderante do todo social que é o indivíduo. Sobretudo do indivíduo empenhado numa mudança livre e criativa de um panorama social estagnado e cinzento.

Vamos praticar e testar diferentes técnicas de escrita criativa, abordar conceitos de intervenção cultural, nomeadamente em contexto urbano, e sobretudo vamos criar e recriar-nos a nós próprios também.


Materiais:

Revistas

Cola e tesoura

Caderno para escrever


Facilitador: Pedro Jorge Pereira

Foi um dos fundadores do núcleo do Porto do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, entre outras experiências de activismo e voluntariado noutras associações, sobretudo de cariz ambiental, com particular destaque também para a Associação Cultural Casa da Horta.
Editou e publicou através do Programa Capital Futuro do Programa Juventude, o livro “Be the change you want to see”, com um forte carácter pedagógico, destinado à educação ambiental e sensibilização para a importância da cidadania activa e eco-consciente na sociedade actual.

Dinamiza ainda, entre outros projectos e actividades, oficinas ligadas aos temas eco-sociologia, ambiente, ética e escreve artigos de reflexão/pensamento para diversas publicações digitais e em formato papel.

É licenciado em publicidade, com particular prelidecção pela área de escrita criativa e redacção publicitária.

WORKSHOP

ESCRITA CRIATIVA e “CULTURAL JAMMING”


7 de Maio, Sábado, 15h00 - 18h00

duração aproximada: 2 a 3 horas

local

IMPULSO INTEGRAL

Wednesday, April 20, 2011

Ciclo Terra Ecco, p+d, 21 de Abril, 5ªfeira

Ciclo Terra Ecco, p+d

21 de Abril

5ªfeira, 22h30

Contagiarte

Projecção HOME

Monday, April 11, 2011

II Semana de Saúde e Bem-Estar do Politécnico do Porto


16 de Abril

Sábado

10h00

Oficina Consumo Crítico e Consciente

Actividade itinerante> visita pedonal guiada

Mediante inscrição: ges@sc.ipp.pt

Local: Av. dos Aliados | junto à estátua

Almeida Garrett

Organização: Gabinete do Estudante |

Formador: Pedro Jorge Pereira [Segredos da

Horta]

Friday, April 01, 2011

PALESTRA “Ao (re)Encontro da NATUREZA MÃE” A ÁGUA – FONTE de VIDA, 8 de Abril, 6ªfeira, 19h00 , ESCOLHA HARMONIOSA

Ao (re)Encontro da NATUREZA MÃE

A ÁGUA – FONTE de VIDA

Palestra de regresso às Raízes e Mudança


A Água não é um mero conjunto de gotas, somente um rio, um lago ou um mar. A Água representa para a nossa Terra Mãe o que o sangue representa para o nosso corpo, percorrendo as suas veias e irrigando-a com toda a sua força, vitalidade e essência.”


O Ser Humano tem vindo a perder muitas das suas ligações ancestrais com a Terra Mãe, juntamente com tradições, conhecimentos e até identidade. Tem vindo a perder ligação ao ciclos ancestrais, à sabedoria dos rios e das montanhas, à energia da Terra e dos elementos.

Nesta “viagem” do ciclo de Palestras de “Ao (re)Encontro da Natureza Mãe” vamos ao (re)encontro da água.

A água, consensualmente considerada um “bem preciso” está longe, contudo, de possuir o valor filosófico e ser merecedora do respeito e veneração que possui em outras culturas e civilizações diferentes da nossa sociedade “de consumo”.

Vivemos numa cultura de enormes paradoxos na forma como nos relacionamos com a Mãe Natureza. Em relação à água, por exemplo, lançamos na água os nossos esgotos, assim como substâncias tóxicas e contaminadas diversas, para depois gastarmos milhões e milhões de euros em tratamentos - na maior parte dos casos muito ineficientes - na tentativa de lhe retribuir um pouco da qualidade e pureza anterior.

Beber água pura e límpida tornou-se quase numa utopia. A água, um bem “público” essencial, tem-se vindo a tornar num produto comercial privado, como qualquer outra mercadoria.

Simultaneamente, ao mesmo tempo que nos países ditos desenvolvidos se usa e abusa da água para manter modelos agrícolas, ornamentais (jardins) e de consumo doméstico e industrial completamente insustentáveis e esbanjadores, em muitos locais do planeta (e por vezes até mesmo em certas regiões desses mesmos países consideradores desenvolvidos) ter água suficiente sequer para saciar a sede é em muitos casos uma miragem.

Então aquilo que propomos é, antes de tudo o mais, uma reflexão filosófica sobre a forma como “olhamos” e nos relacionamos com a “água” na nossa vida.

Depois, há uma mudança que urge fazer acontecer, há uma mudança que urge fazer surgir em nós mesmos na própria forma como "olhamos" e nos relacionamos com "a água" em todos os nossos gestos “habituais” do dia-a-dia. Como, de que forma, e porquê são algumas das respostas que tentaremos dar a muitas mais questões que urge lançar e sobre as quais reflectir. A Palestra de Ao (re)Encontro da NATUREZA MÃE “A ÁGUA – FONTE de VIDA” é uma viagem e desafio de mudança pessoal e social.



Facilitador: Pedro Jorge Pereira

Foi um dos fundadores do núcleo do Porto do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, entre outras experiências de activismo e voluntariado noutras associações, sobretudo de cariz ambiental, com particular destaque também para a Associação Cultural Casa da Horta.
Editou e publicou através do Programa Capital Futuro do Programa Juventude, o livro “Be the change you want to see”, com um forte carácter pedagógico, destinado à educação ambiental e sensibilização para a importância do voluntariado no mundo actual.

Dinamiza ainda, entre outros projectos e actividades, oficinas ligadas aos temas eco-sociologia, ambiente, ética e escreve artigos de reflexão/pensamento para diversas publicações digitais e em formato papel.

Blog “Be the Change you Want to See...”:

http://thechange2004.blogspot.com/

Dinamiza ainda um projecto na área da alimentação vegetariana natural, designado "Segredos da Horta", dada a importância que alimentação adquire naquilo que é a sua visão do mundo e da consciência que urge desenvolver em cada indivíduo a esse nível. O blog:
http://segredosdahorta.blogspot.com/

Acima de tudo, e antes de tudo, é um ser que procura reencontrar em si mesmo e no seu ambiente exterior esse força sublime, pura e incondicional da própria Mãe Natureza.


PALESTRA “Ao (re)Encontro da NATUREZA MÃE”

A ÁGUA – FONTE de VIDA


8 de Abril, 6ªfeira, 19h00

duração aproximada: 2 a 3 horas

Porto

ESPAÇO: ESCOLHA HARMONIOSA


Contribuição sugerida: 5 fontes *

* 10% de desconto em duas ou mais inscrições conjuntas, 20% de desconto (não acumulável) para participantes na primeira Palestra do ciclo “Ao (re)Encontro da Natureza Mãe



Mais informações e inscrições:



Tel.: 225191764 | Fax: 225191701

email: info@escolha-harmoniosa.pt

web: http://www.escolha-harmoniosa.pt/



Wednesday, March 30, 2011

Da sonolência do consumo à obsolência do “trabalho”


Da sonolência do consumo à obsolência do “trabalho”

por Pedro Jorge Pereira


“As grandes firmas de relações públicas, de publicidade, de artes gráficas, de cinema, de televisão... têm, antes de mais, a função de controlar os espíritos. É necessário criar "necessidades artificiais" e fazer com que as pessoas se dediquem à sua busca, cada um por si, isolados uns dos outros. Os dirigentes dessas empresas têm uma abordagem muito pragmática: "É preciso orientar as pessoas para as coisas superficiais da vida, como o consumo." É preciso criar muros artificias, aprisionar as pessoas, isolá-las umas das outras.” [1]

Vivemos numa sociedade designada “de Consumo”. Como se o consumo tivesse assumido, por si só, uma aura e importância primordial em tudo aquilo que define a nossa sociedade enquanto tal. E a realidade é que - num processo que será tudo menos aleatório ou meramente circunstancial - ao nível cultural, político e ideológico é precisamente isso que tem vindo a suceder e a conseguir-se que suceda: as múltiplas dimensões sociológicas do indivíduo e, por inerência, de todo o colectivo social têm vindo de forma sistemática e quase até “natural” a ser reduzidas e um mínimo denominador comum: O Consumo. Enquanto dogma, valor e até instituição.

O consumo possui hoje, portanto, um significado prático e sociológico profundo em todo um contexto de neoliberalismo hegemónico à escala mundial: muito para além da sua função "pré-histórica" de satisfação de necessidades essenciais, actualmente as supostas necessidades dos indivíduos – necessidades, desde logo, de forma frequente artificialmente criadas e ampliadas até à exaustão pela poderosa indústria publicitária e departamentos de marketing das principais corporações multinacionais – são o pretexto ideal para reproduzir a disseminar o consumo enquanto instituição teológica, dogma cultural e mecanismo prático de alienação colectiva, mas por via de um crescente processo de feroz competição e estratificação individual materialista.
Ou ainda, segundo Baudrillard: “O consumo surge como conduta activa e colectiva, como coacção e moral, como instituição. Compõe todo um sistema de valores, com tudo o que este termo implica enquanto função de integração do grupo e de controlo social.” [2]

Num contexto em que os mecanismos susceptíveis de modificar e configurar toda a conjuntura mundial se encontram, de uma forma ou de outra, apropriados por um conjunto restrito de poderosas corporações – detidas, por sua vez, por um grupo muito restrito de indivíduos: “A ONU calcula que o conjunto das necessidades básicas de alimentação, água potável, educação e cuidados médicos da população mundial poderia ser coberta com uma taxa de menos de 4% sobre a riqueza acumulada das 225 maiores fortunas”. [3] - e quando os mecanismos democráticos convencionais são cada vez menos representativos e algo estéreis, numa sociedade que tende para a homogeneização - através desse propósito comum a todos que é o de consumir -, um dos poucos fenómenos que parece ainda atribuir alguma importância ao indivíduo comum é, precisamente, o consumo. Enquanto consumidores somos teoricamente bajulados por todo o género de promoções e mimos publicitários, técnicas e tácticas de propaganda que, supostamente, existem para nosso benefício e suprema felicidade. Isto porque “nós merecemos”. A apologia é quase sempre a mesma: A exaltação da liberdade individual de (suposta) escolha.

Ao mesmo tempo que esta “era” é celebrada como a era das mil e uma oportunidades e possibilidades de escolha, a realidade é que toda a cadeia produtiva desde a extracção das matérias primas até ao próprio processo de transformação, desde o transporte até ao cada vez maior “afunilamento” dos canais de distribuição, se encontra, cada vez mais, controlado pelas mesmas empresas que de certa forma nos excluem (enquanto cidadãos conscientes, informados e reivindicativos) desse mesmo processo. Dito por outras palavras: Sim, podemos ir ao “shopping” e escolher um produto entre as centenas de marcas disponíveis. Mas, por um lado, essas marcas são cada vez mais propriedade de um conjunto cada vez mais restrito de corporações multinacionais e, por outro lado, ao mesmo tempo que essas mesmas marcas despendem milhões e milhões de euros em seduzir, influenciar e até manipular “consumidores”, continuam a querer revelar muito pouco das condições de produção de muitos dos seus produtos, do impacto sócio-ecológico dos mesmos, das condições de comercialização destes (qual, por exemplo, a percentagem do lucro final que vai realmente para os produtores) e em geral da sua própria política e filosofia que se poderá reduzir em muitos casos a uma máxima muito simples: o maior lucro possível ao menor custo possível. E o “trabalho” é visto meramente como um custo que urge “a todo o custo” reduzir e até, se possível, eliminar ou o mais próximo disso possível.

Aturdidos que estamos nesse "propósito colectivo" e, ao mesmo tempo, ferozmente individualista que é o de consumir, a nossa consciência social, humana e ecológica é, sobremaneira, alienada e as próprias consequências inerentes ao consumo, sobretudo considerando a escala a que este se processa, e os efeitos sociais, laborais e ecológicos das mesmas, estão muito longe de ser percepcionadas por todos nós, elos cruciais que somos nas relações existentes entre as deploráveis condições produtivas nos sítios mais remotos do mundo (destruição de habitantes naturais, situações de exploração laboral, mecanismos económicos de neocolonialismo). Como se o nosso “consumismo ocidental” e o nosso estilo de vida individualista e essencialmente materialista (axiomas cruciais do aparelho ideológico capitalista), devessem funcionar como “farol” e inspiração para o resto da humanidade que a mais não deve aspirar do que a consumir como nós.

Em toda esta reflexão há um aspecto crucial e fundamental a ser analisado: a “obsolência” do factor trabalho.
No fundo a mensagem propalada pelo sistema é muito simples: Já não temos que nos preocupar com trabalhar, com produzir. Podemos simplesmente usufruir de toda a prosperidade desta nova ordem económica e cumprir o nosso papel enquanto consumidores vorazes. O consumo é bom para o crescimento económico. O crescimento económico, propagam quase religiosamente, há-de repercutir-se de uma forma ou de outra num certo bem-estar social generalizado. Por isso o dogma mais enraizado em todo o discurso neoliberal dominante, desde logo nos próprios meios de comunicação social - também eles obedientes, em larga medida, a uma poderosa lógica meramente comercial - é o de que tudo o que importa é crescer economicamente. Tudo o que importa é produzir em larga escala, consumir em larga escala, sem que se saiba muito bem como (com que impactos), porquê (em que é que isso realmente nos beneficia ou nos torna mais felizes) e para quem (quem realmente continua a acumular e acumular fortunas no grande “casino” capitalista global).

Em prol do crescimento económico, do maior lucro possível (que supostamente nos beneficia a todos), em prol de fórmulas e “receitas” desenhadas por tecnocratas da economia e que nem os próprios conseguem muitas vezes perceber ou explicar, num espaço de tempo relativamente curto, basicamente tem-se vindo a desenhar uma nova ordem de contornos inimagináveis há alguns anos atrás.
Em nome do neoliberalismo os governos dos diversos países têm vindo a permitir e até apoiar o abandono da própria estrutura produtiva dos países mais desenvolvidos e a sua transferência para países ditos em desenvolvimento. Apesar do impacto económico que a perda de postos de trabalho implica, sobretudo ao nível das economias locais, apesar do impacto ecológico de estarmos a “trazer” do outro lado do mundo bens básicos que poderiam e deveriam ser produzidos localmente, apesar da forma selvagem como bens e serviços públicos essenciais têm vindo a ser privatizados e levados para o domínio corporativo, tudo se justifica e legitima desde que … estejamos a crescer economicamente.

Com o pretexto de podermos competir em termos de condições laborais (entenda-se desregulamentação quase completa) com as designadas economias emergentes (e a única forma de a esse nível sermos realmente “competitivos” seria estarmos em “pé de igualdade” com aquilo que já se faz sistematicamente na própria China e “economias afins” que é criar condições tantas e tantas vezes de semi-escravatura) o “trabalho” tem vindo a tornar-se cada vez mais precário, cada vez mais “descartável”, cada vez mais tido como um custo produtivo demasiadamente elevado que urge reduzir de todas as formas possíveis e imagináveis. Se possível eliminar até. De certa forma é o que chamam da “externalização dos custos”.
“(…) as empresas não devem gastar os seus recursos finitos em fábricas que exigirão uma manutenção física, em máquinas que se degradarão ou em empregados que certamente vão envelhecer e morrer. Em vez disso, devem concentrar os seus recursos nos tijolos e cimento virtuais usados para construir as suas marcas; ou seja, nos patrocínios, na embalagem, na expansão e na publicidade. Devem também gastá-los nas sinergias: na compra de canais de distribuição e de venda que levem as suas marcas até pessoas. Esta mudança, lenta mas decidida, das prioridades empresariais deixou os produtores não virtuais do passado – os trabalhadores das fábricas e os operários especializados – numa posição precária. Os pródigos gastos dos anos 90 em marketing, fusões e extensões de marca foram acompanhados por uma resistência nunca vista ao investimento em instalações de produção e em força laboral. As companhias que tradicionalmente se satisfaziam com uma margem de lucro de 100 por cento entre os custos da produção na fábrica e o preço de venda a retalho têm percorrido o globo em busca de fábricas que possam fazer os seus produtos de forma tão barata que a sua margem de lucro se aproxima mais dos 400 por cento. “ [4]

A lógica é simples: as grandes corporações multinacionais “descartam-se” cada vez mais (desde logo com a subcontratação de empreiteiros locais nas zonas de produção e exportação geralmente em países subdesenvolvidos dos seus trabalhadores) para concentrarem todos os seus investimentos na “construção de imagem”, nas relações públicas. O que importa é antes de tudo o mais, ou exclusivamente, a “imagem”, a aura mítica que se cria, muito mais do que aquilo que realmente se faz ou se é enquanto empresa e marca. Quantas e quantas vezes mais até que a própria qualidade do produto.

Os direitos laborais e a diluição de assimetrias entre diferentes classes sociais (desde logo laborais) foram algumas das conquistas mais notáveis do século XX, que maior progresso social, cultural e civilizacional trouxeram à humanidade.
É preciso relembrar que vínhamos, até aí, de um contexto anteriormente marcadamente feudal, em que ávidos senhores feudais exploravam tantas e tantas vezes até à penúria completa os seus súbditos.
Posteriormente surgiu um contexto de vertiginosa industrialização em que essa mesma exploração feudal deixou de ser praticada somente nos campos agrícolas mas transferiu-se, em parte, para as cidades onde industriais ávidos de fortunas rápidas exploravam, muitas vezes, a numerosa mão-de-obra “barata” que fugia do campo atrás da perspectiva de um salário e melhores condições de vida nas cidades.
De certa forma essa “concentração” de numerosa mão-de-obra explorada acabou por se revelar algo “explosiva” para a classe dominante dado que veio a dar origem às inúmeras tentativas revolucionárias que marcaram o final do século XIX, início do século XX.
Sem nos estarmos a debruçar muito em detalhe sobre todas as inúmeras reflexões sócio-políticas que se poderiam efectuar, o que podemos de alguma forma concluir, sem incorrer em grandes polémicas, é que foi no século XX que se deram alguns dos mais notáveis avanços ao nível da melhoria das condições de trabalho e de protecção social, de uma forma generalizada, da maior parte da população dos países mais desenvolvidos. Direitos até aí quase impensáveis como o direito a férias, a criação do “fim-de-semana”, segurança social, igualdade de direitos e oportunidades, associação sindical, regalias e protecção social e laboral, foram quase todas “inovações” e direitos muito arduamente conquistados pelos trabalhadores no século XX. Não é que eles nunca tenham existido antes, mas de uma forma tão generalizada à maior parte da população, pelo menos no dito “Ocidente, isso sim, foi algo de muito novo que o século XX nos veio trazer.

O que o neoliberalismo nos está a trazer é uma pilhagem e destruição sistemática desses direitos tão arduamente conquistados.
O “trabalho” tem estado a viver um violento processo de precarização e tem-se vindo a tornar num “facto produtivo” descartável nas mãos dos poderosos agentes económicos capitalistas.
Aquilo que Klein [5] designa dos “McEmpregos” tem vindo a tornar-se a principal realidade laboral dos jovens em todo o mundo.
O impacto económico e social a nível local dessa tendência global é enorme. Sendo os rendimentos da maior parte da população, da designada “força de trabalho”, cada vez mais parcos é toda a vitalidade económica das suas comunidades que se encontra ameaçada.
É, aliás, importante salientar que também nos próprios países ditos desenvolvidos, existem, e cada vez mais, enormes disparidades sociais e o próprio consumo não decorre de forma homogénea mas sim, e cada vez mais, é ele próprio sintomático da existência de estruturas socais piramidais, com enormes disparidades entre o topo e as bases.

É importante pensar que, a meu ver, a dita crise económica resulta não de uma mera fatalidade ou contexto económico inopinado mas muito mais do “desastre” de determinadas políticas económicas “de choque” e paradigmas de pensamento e acção neoliberal que têm vindo a ser ferozmente implementados à escala global.
Como é que alguma sociedade que não produz sequer o que necessita poderá alguma vez aspirar a um desenvolvimento sustentável? Ou uma sociedade que manda produzir em larga escala o que não necessita?
Como é que alguma sociedade, economia, nação se poderá desenvolver realmente sem a existência das melhores condições laborais para os seus trabalhadores? Sem uma plena realização profissional dos seus cidadãos e sem a existência de oportunidades para estes poderem desenvolver o seu melhor potencial?

Será que o indivíduo essencialmente “Consumidor” (e em geral passivo), e cada vez menos “Produtor” se tornou numa realidade irreversível e intrínseca das ditas sociedades “Ocidentais”?
Será que chegamos a um ponto “de não retorno” onde tudo o que nos resta é ficarmos sentados à espera, assistindo obedientemente a tudo o que está a passar sem esboçarmos qualquer acção ou reacção à “ordem estabelecida?
Pessoalmente continuo a acreditar no génio criativo do ser humano, nomeadamente para projectar e criar uma nova ordem mundial inspirada em valores de cariz bem mais humanista, ético e fraterno.
Pessoalmente continuo a acreditar na capacidade do indivíduo, e dos cidadãos reunidos em associações, ONG´s, cooperativas e grupos informais, ser membro activo do processo produtivo, assim como poder possuir o conhecimento e controlo desse mesmo processo. Zelando para que ele possa, ao invés do que tem vindo a acontecer em larga escala, ser de facto benéfico para a sociedade no seu todo. O que implica não danificar os ecossistemas naturais e humanos. O que implica permitir que o trabalho seja respeitado, valorizado, protegido e capaz de gerar bem-estar social e económico para todos os trabalhadores.
Pessoalmente duvido que uma tal ordem possa partir dos mesmos centros de poder e decisão que têm vindo sistematicamente a criar precisamente o contrário daquilo a que se deve aspirar. Por isso parece-me óbvio que a criação de uma tal ordem tem necessariamente que partir de todos os indivíduos livres e simples que ainda têm capacidade de acreditar nos seus sonhos e em que “outro mundo é possível”, desde logo sonhando-o de forma diferente.

Pedro Jorge Pereira
Formador e Activista Eco-Social
Coordenador do Projecto EDUCACES
ecotopia2012@gmail.com
93 4476236

* Artigo realizado para Barómetro Social
http://barometro.com.pt/

Da sonolência do consumo à obsolência do “trabalho” – Parte I
http://barometro.com.pt/archives/264
Da sonolência do consumo à obsolência do “trabalho” – Parte I
http://barometro.com.pt/archives/266

Publicado Integralmente em:
http://thechange2004.blogspot.com/2011/03/da-sonolencia-do-consumo-obsolencia-do.html


[1] Chomsky, Noam; (2002), Duas horas de lucidez, Mem Martins: Editorial Inquérito.

(2) Baudrillard, J. (1996). A sociedade de consumo. Lisboa, Edições 70.

[3] Ramonet, I. (1998). The politics of hunger. [Em linha]. Disponível em . [Consultado em 10/01/2003].

[4] Ortega, In Sam We Trust citado em Klein, Naomi. (2000). No Logo – O poder das marcas. Lisboa, Relógio D`Água

[5] Klein, Naomi. (2000). No Logo – O poder das marcas. Lisboa, Relógio D`Água


Monday, March 21, 2011

Abraço ao Tua – Dia 27 de Março pelas 15h – na Foz do Tua

Abraço ao Tua – Dia 27 de Março pelas 15h – na Foz do Tua

Na Foz do Tua, os cidadãos pela defesa da Linha e Vale do Tua querem mostrar que Há Vida no Tua e apelámos a todos a participar no Abraço de Solidariedade com as pessoas que vivem na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro e que dependem deste Bem Comum.

Programa:
(saídas do Porto e de Lisboa)

Programa
7h25 Saída de Estação Campanhã/Porto
10H00 Encontro na estação do Tua
10h30 Início da caminhada pela Linha do Tua: Castanheiro até Foz Tua*
14h00 Almoço/Piquenique (trazer farnel)
15h00 ABRAÇO ao TUA
16h00 Convívio e outras actividades

* Transporte de autocarro até Castanheiro (5€) + Seguro (1€); percurso de média dificuldade (sobre travessas dos carris) – trazer botas, água, reforço alimentar e roupa adequada às condições metereológicas.

Inscrição 6€
Inscrição em http://www.campoaberto.pt/contacte-nos/inscricoes-1/

Com o avanço das políticas que levam à ruína uma Linha Ferroviária que é parte do Património Vivo desta região a única forma de preservar o coração do Vale do Tua é dar os braços e impedir a sua destruição e garantir a prosperidade de todas as pessoas que subsistem desta enorme grandeza natural e cultural. Com este ABRAÇO ao TUA queremos expressar a profunda admiração que nutrimos pela beleza natural do rio e a harmonia que a Linha do Tua serpenteou ao longo de uma paisagem cheia de cor e vida.

A Linha do Tua tem uma importância fundamental para o desenvolvimento sustentável e para a qualidade de vida das pessoas desta região e é um meio de grande interesse para a exploração do Turismo na Região de Trás-os-Montes e Alto Douro. O corte da linha amputa um importante eixo de mobilidade inutilizando os 133km de linha férrea que liga Bragança e Mirandela à Linha do Douro e impede a ligação à Régua e Porto. Esta barragem acaba também com a possibilidade de modernização da Linha do Tua desde Bragança até Puebla de Sanábria, um troço de 40km que ligaria toda esta região às redes ferroviárias convencionais de Espanha e também à Rede Internacional de Alta Velocidade. .

Todo o Vale do Tua é um potencial de desenvolvimento que se deve defender e uma boa gestão dos recursos passa por modernizar a Linha do Tua para assegurar um transporte seguro, económico e ecológico que não dependa de combustíveis fósseis.

É tempo de aproveitar aquilo que Portugal tem de bom! Todos perdemos com a construção da barragem!

Juntem-se neste Abraço ao Tua. Pelo Vale, pela Linha, pelo Tua!

** A organizar por associações culturais locais

Ergue a tua Voz
À Luz da Lua!
Junta-te a Nós,
A Linha é Tua!

O comboio vai passar
Traz nele uma criança
Está feliz vem a cantar
Muito perto de Bragança!

Mais informações:
Nuno Pereira – 962621945
Email: abracoTUA@gmail.com

A Linha e Vale do Tua conta com todos.

O Movimento de Cidadãos em Defesa da Linha do Tua
Contacto: Armando Azevedo ou Graciela Nunes – gracielanunes@sapo.pt
TM: 965 622 858

A Associação dos Amigos do Vale do Rio Tua

Campo Aberto
Contacto: Daniel Carvalho – danielpc@fastmail.fm
TM: 965402834
www.campoaberto.pt

GAIA
Contacto: André Studer – andre.studer@gmail.com
TM: 965698370
www.gaia.org.pt

COAGRET
Contacto: António Lourenço – ajm_lourenco@hotmail.com
www.coagret.com

Quercus
Contacto: Melissa Shin – melissa.shinn@gmail.com
www.quercus.pt



Thursday, March 17, 2011

Oficina sobre Consumo Crítico e Consciente O3C´s, Dia 26 de Março de 2011, Sábado, às 10h00

Oficina sobre Consumo Crítico e Consciente

O3C´s

Dia 26 de Março de 2011, Sábado, às 10h00

(duração aproximada: 3h00)

Inscrições Limitadas


As grandes firmas de relações públicas, de publicidade, de artes gráficas, de cinema, de televisão... têm, antes de mais, a função de controlar os espíritos. É necessário criar "necessidades artificiais" e fazer com que as pessoas se dediquem à sua busca, cada um por si, isolados uns dos outros. Os dirigentes dessas empresas têm uma abordagem muito pragmática: "É preciso orientar as pessoas para as coisas superficiais da vida, como o consumo." É preciso criar muros artificias, aprisionar as pessoas, isolá-las umas das outras.”

Noam Chomsky


É um "lugar comum" dizer-se que a nossa sociedade se globalizou. Talvez seja mais difícil, no entanto, compreendermos ou reflectirmos sobre as mais diversas formas e repercussões dessa mesma globalização na nossa realidade do dia-a-dia. Nunca como hoje os bens que consumimos vieram tanto e de locais tão distantes do nosso planeta. Mas que implicações concretas esse facto terá para cada um de nós?

Numa sociedade dita de consumo cerca de 20% da população dos países ditos “mais desenvolvidos” consome cerca de 80% dos recursos. Esse consumo, ou para se ser mais exacto, consumismo, tido como “normal” e até intrínseco no nosso modo de vida tem no entanto pesadas implicações ambientais e sociais. A nível ecológico é desastrosa a forma como a nossa espécie tem vindo a levar à exaustão os mais diversos recursos naturais do planeta, provocando uma destruição sem ímpar dos habitats selvagens da Terra. Para além disso, e paradoxalmente, uma grande parte dos bens produzidos (quase 90%) são produzidos para uma utilização efémera (uma única vez) e muitas vezes por breves segundos, sendo depois responsáveis pela produção de toneladas e toneladas de resíduos cujo tratamento implica também, ele próprio, uma elevada factura ecológica e económica. De entre esses resíduos destacam-se os plásticos, muitos vezes particularmente complexos em termos de reciclagem e recuperação, e outros materiais que quando libertados no meio ambiente natural provocam danos bastante sérios nos ecossistemas e nas espécies animais (muitas aves e mamíferos marinhos, por exemplo, morrem por asfixia devido à ingestão dos mesmos).

A nível económico e social (instâncias que desde logo se encontram intimamente associadas, se é que existe qualquer separação sequer, aos aspectos ecológicos dos fenómenos) os impactos da dita mundialização da economia (outra forma talvez de designar um fenómeno com uma agenda ideológica bem marcada como é o do neoliberalismo) estão longe de se traduzir em efeitos muito positivos para as comunidades locais.

Tendo-se os nossos hábitos de consumo (ou maus hábitos) tornado tão banais e inconscientes, a questão que urge lançar é: o que podemos nós fazer para fazer a diferença? Para mudar positivamente o nosso estilo de vida adoptando comportamentos e hábitos mais conscientes e positivos do ponto de vista ecológico e social?

A proposta da Oficina sobre Consumo Crítico e Consciente é uma viagem de reflexão sobre o nosso estilo de vida através de cores, aromas e lugares nevrálgicos para a actividade económica, cultural e social da cidade do Porto, cidade de resto bem conhecida pelo seu “Comércio”. É uma viagem “viva” sobre alguns dos efeitos da globalização económica na nossa comunidade local, assim como um exercício prático de reflexão sobre as nossas escolhas e opções enquanto cidadãos consumidores, nomeadamente em termos de pegada ecológica e atitude cívica.

As questões mais fundamentais a colocar são contudo:

Podemos viver sendo parte da solução em vez de parte nesse tremendo problema actual que consiste na quantidade de resíduos que produzimos diariamente? Podemos consumir de forma bem mais consciente? Conhecemos bem a realidade sócio-económica do comércio na nossa cidade e comunidade local? Podemos viver consumindo menos mas melhor? Podem as nossas escolhas e opções enquanto cidadãos fazer a diferença?

É a resposta a essas e muitas outras questões que certamente surgirão que iremos tentar desvendar nas ruas da cidade do Porto.


Facilitador: Pedro Jorge Pereira - Activista Eco-Social e Formador

Apoio: Casa da Horta – Associação Cultural

Participação limitada ao número de vagas existentes. Prioridade por ordem de inscrição.


Dia 26 de Março de 2011, Sábado, às 10h00

(duração aproximada: 3h00)

Inscrições Limitadas


Ponto de Encontro: Av. dos Aliados, em frente à C.M. do Porto, junto à estátua de Almeida Garret

(Percurso essencialmente de rua e, portanto, sujeito às condições climatéricas existentes. A confirmação será enviada por e mail até 24h anteriores à actividade. Trazer roupa e calçado confortável. )


Contribuição: 5,00*

* Para auto-financiamento do projecto de sensibilização e trabalho formativo


Data Limite das Inscrições:

24 de Março, 5ªfeira


Contactos, informações e Inscrições:


Pedro Jorge Pereira

93 4476236

ecotopia2012@gmail.com


http://casadahorta.pegada.net/entrada/2011/03/17/oficina-sobre-consumo-critico-e-consciente-o3c%C2%B4s-dia-26-de-marco-de-2011-sabado-as-10h00/

http://thechange2004.blogspot.com/2011/03/oficina-sobre-consumo-critico-e.html


35 anos depois de Ferrel, Península Ibérica exige o fim da energia nuclear

Lisboa, Porto, Madrid

15 de Março de 2011

35 anos depois de Ferrel,
Península Ibérica exige o fim da energia nuclear

Há 35 anos atrás, a população de Ferrel marchou contra a construção da primeira central nuclear em Portugal e estabeleceu um marco na rejeição do nuclear em Portugal. Também em Espanha, nos anos 70, fortes mobilizações anti-nucleares conseguiram impedir 10 dos 25 projectos planeados. Contudo, o acidente de Fukushima veio relembrar que os perigos da energia nuclear não conhecem fronteiras. Organizações portuguesas e espanholas reclamam agora o encerramento de todas as centrais nucleares em Espanha.

A situação nuclear no Japão

No passado dia 11 de Março, o Japão foi devastado por um sismo de magnitude 9,0 graus na escala de Richter e consequente tsunami. Para além da significativa perda de vidas humanas e de bens, as consequências podem ser ainda mais graves devido a problemas registados nas centrais nucleares.Esta situação expõe as fragilidades e os riscos associados ao uso da energia nuclear de fissão, não obstante o enorme investimento feito em segurança e o discurso tecnocrata de que tudo é controlável.

Vários especialistas consideram já este como o segundo maior incidente nuclear da história e não excluem a hipótese de ultrapassar a gravidade de Chernobil. Há neste momento vários reactores em risco de fusão do núcleo e já ocorreram várias fugas de compostos altamente radioactivas. Uma catástrofe ecológica e social é, neste momento, uma forte possibilidade. A gravidade da catástrofe, não só para o Japão, como também para os países vizinhos, será ditada pelo que se venha a passar com os reactores (que continuam a constituir uma incógnita para os especialistas), bem como pela direcção dos ventos que transportam as nuvens radioactivas.

Portugal disse não ao nuclear em Ferrel, há 35 anos

Em 1976 ainda não tinham ocorrido os acidentes nucleares mais graves da história: Three Mile Island (1979), Chernobyl (1986) e Fukushima (2011). Tal não impediu a população de Ferrel (localidade situada numa zona de sismicidade elevada, no concelho de Peniche) de marchar contra a construção de uma central nuclear na sua terra, a 15 de Março de 1976.

Também em Espanha se geraram fortes mobilizações anti-nucleares em Espanha, que conseguiram impedir a construção de 15 centrais nucleares no território espanhol. Como resultado, apenas entraram em funcionamento 10 reactores nucleares dos 25 planeados. Destes dez, um deles foi encerrado após o acidente de Vandellós em 1979 e a de Zorita encerrou em Junho de 2004.

35 anos depois, é tempo de reavaliar as unidades que se construiram por toda a Europa e, em particular na Península Ibérica, onde Espanha conta com 6 centrais nucleares (8 reactores) em operação, duas delas (Sta. María Garoña, perto de Burgos e Cofrentes, perto de Valência), utilizando a mesma tecnologia (BWR) que a central de Fukushima. A Central Nuclear de Almaraz, junto ao Tejo e a 100km da fronteira portuguesa, já ultrapassou o período previsto de funcionamento e há alguns meses foi decidido prolongar em 10 anos o seu período de actividade. Este é mais um factor de preocupação para Espanha e para Portugal. Em caso de um grave acidente nuclear, os impactos dificilmente ficarão contidos nas fronteiras espanholas.

Pedimos o encerramento faseado das centrais nucleares espanholas

A energia nuclear é prescindível em Espanha, dado que este país exporta energia eléctrica a todos os seus países vizinhos, incluindo França. A electricidade produzida pelas nucleares pode substituir-se por medidas de poupança e eficiência e por um forte apoio às energias renováveis. Desta forma poderia libertar-se a Península Ibérica do risco que constitui o funcionamento do 8 reactores nucleares, eliminando a possibilidade de desastres com o de Fukushima, no Japão.

Além do mais, evita-se a necessidade de gestão de resíduos radioactivos que venham a ser produzidos. Actualmente há cerca de 3500 toneladas de resíduos de alta actividade, que chegariam a 7000 Tm. Com o encerramento faseado das nucleares, o volume de resíduos nucleares seria convenientemente reduzido.

Se queremos uma sociedade sustentável, não podemos apostar em formas de produzir energia que possam pôr em causa as gerações presentes e as futuras, seja através da exploração do urânio, da ocorrência de acidentes ou através do legado futuro em termos de desmantelamento e deposição final dos resíduos nucleares.

Esperamos que a situação se resolva sem danos significativos para as pessoas e para o ambiente, mas o aviso é claro e não pode deixar de ser ouvido por todos aqueles que desejam uma sociedade sustentável e com futuro. As organizações subscritoras deste comunicado, apelam, por isso, ao encerramento de todas as centrais nucleares em Espanha.

Para mais informações:

AZU - António Eloy: +351 919289390

Ecologistas en Acción - Javier González (Área de Energía): +34 679 27 99 31

Francisco Castejón (Campaña Antinuclear): +34 639 10 42 33

GAIA - Gualter Barbas Baptista: +351 919090807

Quercus - Susana Fonseca: +351 937788471