Thursday, October 27, 2011

Novas barragens vão custar três défices

Numa altura em que está tão "em voga" o discurso do défice, da austeridade, etc. urge lançar o debate e a reflexão de se o que está em causa é de facto a escassez ou ausência de recursos económicos ou mais a forma como eles são utilizados (desperdiçados). Se o que importa é o real desenvolvimento sustentável (sustentado e potenciando os recursos naturais, culturais e económicos de cada região) ou continua a imperar um paradigma de crescimento económico baseado no asfalto e no betão que só interessa realmente aos grandes grupos económicos desses sectores. Não deixa de ser interessante pensar que somos dos países da Europa com mais auto-estradas por km e, no entanto, cada vez mais atrasados ... e mais atrasados provavelmente iremos ficar com a continua destruição do nosso outrora riquíssimo património natural ... até quando vamos assistir passivamente à pilhagem?


Novas barragens vão custar três défices

http://www.dinheirovivo.pt/Estado/Artigo/CIECO018286.html

Grupo de activistas e cidadãos apelou à 'troika' para que seja impedido o desastre económico, social e ambiental na bacia do rio Douro

Quase três vezes o défice de Portugal é quanto o Estado vai pagar à EDP e à Iberdrola, as concessionárias das futuras barragens na bacia do Douro, durante os próximos 70 anos. Um “desastre económico, social e ambiental”, que é como define uma dezena de grupos ecologistas e locais que enviaram à ‘troika’ um estudo que demonstra por que é que o “Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) deveria ser imediatamente suspenso e revogado”.

As concessionárias das futuras barragens vão produzir “metade da energia prevista” no plano, com o dobro do investimento pedido, mediante o pagamento anual de um subsídio do Estado de 49 milhões de euros e ainda de 20 mil euros por megawatt produzido, assegurado pela lei da “Garantia de Potência”, que o ex-ministro Mira Amaral apelidou de “escandalosa” e recomendou “acabar, sob pena de ficar inviabilizada qualquer recuperação económica do país”.

Além do que sairá do Orçamento do Estado, as famílias também contribuirão para as barragens, pagando “mais 10% de electricidade para subsidiar as construções”.

“Isto é uma fraude sobre o Estado e sobre os cidadãos portugueses”, resume João Joanaz de Melo, presidente do GEOTA, um dos signatários da missiva à ‘troika’ e autores do estudo, que aguarda a sensatez vinda de fora para salvar o país.

“Positivo é o facto de ainda ninguém ter desmentido a nossa exposição, a ‘troika’ já ter começado a questionar o Governo sobre as barragens e o actual Ministério da Economia e o do Ambiente terem-nos dito que estão preocupados com este assunto e que estão a estudar o problema”, revelou a mesma fonte, apontando que “é preciso que a opinião pública reaja e faça parar as barragens, como aconteceu com Foz Coa”.

O défice nacional era de 6.687 milhões de euros, em Agosto passado. Durante as concessões das barragens, um total de 16 mil milhões de euros serão pagos às empresas de electricidade, que produzirão apenas 0,5% da energia consumida em Portugal, representam só 2% do potencial de energia que poderia ser obtida através de um programa de eficiência energética e respondem por 3% do aumento das necessidades energéticas do país.

“Se fossem feitos investimentos para obter uma eficiência energética equivalente ao que as novas barragens vão produzir, as contas de electricidade baixariam 10%.

Mas, se fossem feitos investimentos com vista a obter o potencial máximo de eficiência energética, as contas dos consumidores baixariam 30%”, explica o estudo enviado à ‘troika’. Os investimentos em causa, na versão mais intensiva e dispendiosa, rondariam os 410 milhões de euros e teriam retorno em menos de três anos.

Além dos efeitos económicos, as barragens têm demonstrados prejuízos para o património natural e cultural e para a economia da região. “Ao contrário do que diz a propaganda oficial, as barragens geralmente não geram desenvolvimento local. Criam empregos na construção, mas muito menos do que noutros tipo de investimento, e apenas temporariamente. Por exemplo, projectos de eficiência energética ou de renovação urbana beneficiam toda a economia (famílias, Estado e instituições privadas, pequenas e grandes empresas) e geram cerca do dobro de empregos por milhão de euros investidos, em comparação com barragens ou outras grandes obras públicas”, argumentam.

A quem é que aproveita o crime?”, questiona Joanaz de Melo. “Estas decisões não foram tomadas no interesse público, mas é do interesse público parar o programa nacional de barragens. Temos de parar este desastre”, concluiu.

Ignorados:

A Comissão Europeia alertou o Governo português para os “sérios impactos ambientais”, no caso dos estudos efectuados no âmbito das barragens do Baixo Vouga e de Foz Tua, que “violam a legislação europeia, incluindo a Directiva dos Habitats e a Directiva da Qualidade da Água”. O Governo invocou o interesse nacional para anular a lei comunitária.

O parecer do Instituto Marítimo-Portuário, invocando ameaças reais à navegabilidade do Douro, andou “desaparecido” no estudo de impacto ambiental, pelo que, segundo Manuela Cunha, do Partido Os Verdes, “não ficaram acauteladas responsabilidades e ficou a EDP isenta de pagar as obras que venham a ser necessárias para garantir a navegabilidade”.


Friday, October 21, 2011

Oficina de (re)encontro com a Mãe Natureza no DIA M - 30 de Outubro

Um excelente evento absolutamente imperdível! É já no Domingo, dia 30 de Outubro, e as inscrições terminam dia 25. A não perder e, já agora, a divulgar! Obrigado ;O)

Wednesday, October 19, 2011

DISCA nº1 - fugir a sete pés do “dica da semana e afins”

projecto DISCA - Dica da Semana para Cidadãos Activos (hiperactivos, reactivos e activos desempregados)


DISCA nº1 - fugir a sete pés do “dica da semana e afins”


Rejeita (mas a valer) o “Dica da Semana” e todos os panfletos propangadísticos afins que literalmente inundam as nossas caixas do correio.

Afinal, naquilo que é uma evidente provocação ao “Dica da Semana” o nome do DISCA é tudo menos coincidência. Fica pois aqui a nossa homenagem ao pindérico “Dica da Semana” por nos ter, em parte, motivado para lançar essa revolução chamado Projecto DISCA. Nada de confusões. O Dica da Semana é o alvo a abater (sem qualquer piedade) e o DISCA é o seu maior e mais implacável inimigo.

Todos os dias, em todos os países do mundo, mesmo naqueles onde a maioria da população é em grande parte analfabeta, milhões de toneladas de papel são gastos, mais as tintas tóxicas usadas nos mesmos, para imprimir folhetos publicitários. Para além de ser uma informação em larga medida inútil, a verdade é que geram “necessidades” de consumo que sem eles provavelmente nem existiriam. Só iríamos a essas grandes superfícies de consumo buscar algo que realmente necessitamos (e não é exactamente assim que deveria ser?). Se calhar nem iríamos a essas grandes superfícies e encontrávamos meios mais locais e formas de comércio de menor escala para satisfazer essas necessidades. O que significa que somos atraídos pelo chouriço em promoção (isto para quem come animais) do folheto do continente ou pelas sapatilhas foleiras do minipreço e desperdiçamos tempo e recursos (por exemplo gasolina) a passar mais umas horas na grande superfície a estourar dinheiro, quando podíamos usar esse tempo e dinheiro para coisas bem mais úteis. Como jogar à sueca com os velinhos do parque.

Coloca autocolantes a dizer “Publicidade Não” na tua caixa de correio. Podes pedir os teus para o Instituto do Consumidor (que porra, quem quer aquela trampa é que devia ter que pedir e colar um autocolante a dizer “trampa publicitária aqui, sim por favor”) ou, melhor ainda, personaliza o teu. Possíveis sugestões:


- Coloque aqui folhetos ou catálogos publicitários e fique impotente para o resto da vida.


ou


- Se colocar aqui folhetos ou catálogos publicitários irá casar com a concorrente mais gorda daquele programa dos gordos que tentam emagrecer (quer dizer, é preciso ter sorte com o distribuidor, ainda lhe calha algum que tem um fetiche por gordas modelo cachalote)


ou


- Coloque aqui folhetos ou catálogos publicitários e habilite-se a ganhar um compilação de 127 horas com todas as palestras do Jorge Jesus.


ou


- Cuidado, cão perigoso dentro da caixa do correio (pode acrescentar uma instalação sonora com o som de um pit-bull ou rotweiler)


ou


- Por favor colocar todos os panfletos e catálogos publicitários na caixa de correio de baixo (isso vai obrigar o teu vizinho a colar um autocolante igual)


Enfim. Resumindo: Sê criativ@, tudo o que importa é mesmo afugentar aquel@s pobres trabalhadores ou trabalhadoras de ar triste que são pagos (mal e porcamente em geral) para andar a despejar aquele lixo em formato papel nas nossas caixas de correio.

Um dos maiores problemas ecológicos em Portugal é o chamado “deserto verde”, as plantações intensivas de eucaliptos (com todo o impacto ecológico que têm, mas isso é um tema para explorar melhor numa próxima DISCA). A produção e consumo excessivo de papel são a sua principal causa.

Não faltam exemplos de formas estúpidas, inúteis e com elevado impacto ecológico de desperdício de papel (Metro, Destak e afins, não se preocupem que vocês são os alvos seguintes!!!).

Então é fácil, toca a combater a publicidade não endereçada (são toneladas e toneladas de papel, leia-se, despedício, que estamos a evitar produzir).

Resumindo.

DISCA da Semana: fugir a sete pés do “dica da semana e afins”

A Natureza e neste caso em particular os ecossistemas florestais nativos agradecem.


Xico Lógico

Colectivo de Cidadãos Auto-DISCAdos


não Manifesto do projecto DISCA

http://thechange2004.blogspot.com/2011/10/projecto-disca-dica-da-semana-para.html


projecto DISCA - Dica da Semana para Cidadãos Activos (hiperactivos, reactivos e activos desempregados)

não Manifesto do projecto DISCA


projecto DISCA - Dica da Semana para Cidadãos Activos (hiperactivos, reactivos e activos desempregados)


O projecto DISCA, nome tão sofisticado e pomposo para afinal tão pouca coisa (o fogo de artíficio do costume), é um projecto que não o chega bem a ser. É uma ideia que felizmente é também um pouco mais do que isso. E dessa forma acaba por não ser muito relevante o que é ou não é. O que importa mais é mesmo aquilo que faz e aquilo que faz é do caraças!


O objectivo principal, sendo mais objectivos nas coisas que realmente interessam, é o de dar um sôco no estômago ao horrendo monstro capitalista e consumista global. Não com manifestos, discussões ideológicas, etc. mas socando o sacana (à laia de malandro) onde mais lhe possa doer. E a verdade é que o “bicho” sem comida farta no estômago não pode viver. E a verdade é que o dito se alimenta (entre muitas outras formas de suplemento e vitaminas) dos nossos péssimos hábitos de consumo e inconsciência enquanto indivíduos. Uma criatura verdadeiramente parasita, com um apetite voraz e insaciável.


O Planeta Terra é quem mais paga. Já não lhe chegava ter a nós como parasitas, e pumba, ainda tinhamos que inventar a treta do capitalismo (quanto mais selvagem melhor) para justificar este vício doentio de consumirmos e vivermos sem qualquer preocupação com o equilíbrio ecológico da Terra. Um verdadeiro festim como se não houvesse amanhã (e a continuar assim para nós não vai mesmo haver ;O).


Nesta fase é importante dizer que há muitas formas de capitalismo, até aquilo que muitas vezes se chama de comunismo (tido como o único monstro de dimensão igual ao nosso amigo e portanto o único que era capaz de lhe fazer frente, o que de resto é um pouco especulativo - e então o king kong, já se esqueceram dele?). Já arrumamos com o capitalismo de estado, comunismo, socialismo científico ou como quer que se lhe queira chamar. Agora falta arrumar a outra bipolaridade de um mundo bipolar agora unipolar e, inevitavelmente, com todos os distúrbios e psicoses mentais que lhe são conhecidas e reconhecidas.


Não é, certamente, um empreendimento fácil ou imediato. Não o vamos esconder. Aquilo que temos por diante é uma luta “quixotesca”, aparentemente perdida mas, por isso mesmo, ainda mais determinada. É uma verdadeira guerra sem tréguas onde não aceitamos os mesmos indecisos, neutrais ou conós do costume. Ou estão do nosso lado ou estão com ele e se estão com ele não esperem qualquer clemência quando a hora da nossa vitória chegar. E em relação a isso, sim, haverá por certo amanhã, provavelmente já de madrugada!


Este manifesto é pois uma espécie de declaração de guerra e, ao mesmo tempo, uma última advertência a todos os civis para que se afastem do caminho. Agora é que vão ser elas. A operação para a remoção total do capitalismo da face da terra está oficialmente a começar. Neste preciso momento.


Ah, eventualmente devem estar a pensar nas coisas chatas do costume. De que forma é que vai decorrer a batalha e essas cenas práticas todas …


Bom, sendo o factor supresa uma das armas mais estratégicas do nosso lado podemos advertir que todos os planos têm a principal finalidade de serem subvertidos. Dito de outra forma: completamente ignorados. De qualquer das formas a cirugia terá, grosso modo, os seguintes contornos:


Todas as semanas (como quem diz, isto numa periodicidade semanal que pode chegar a ser mensal por exemplo em períodos de maior intensidade do calendário futebolístico) iremos seleccionar algum aspecto importante do nosso estilo de vida e hábitos de consumo. Muito provavelmente iremos chegar à conclusão que somos uns verdadeiros idiotas mais preocupados em termos suficiente molho de tomate nas nossas batatas fritas do macdolars do que com o derretimento das calotas polares. Mas ainda assim, e sobretudo porque isto já é mesmo uma questão pessoal com o palhaço do Ronald, e todas as mascotes pindéricas kitchs afins, vamos persistir em tentar levar a luz às mentes mais encadeadas pela luminosidade opaca dos centros comerciais. Ou dos shopingues se preferirem. É mais moderno dizer assim.


Então o que o projecto DISCA pretende é provar que existe vida inteligente na terra (quem diria que ainda há quem persista nessa teoria com todas as evidências claras do contrário). E pronto, já chega de tanta conversa. Vamos ao DISCA. Ou não, simplesmente espera que o DISCA vá até ti. Porque, não duvides, ele vai mesmo.


Dá-lhe DISCA!


Xico Lógico

Colectivo de Cidadãos Auto-DISCAdos


Thursday, October 13, 2011

Comunicado: Movimento Cívico pela Linha do Corgo

Aquilo que num país desenvolvido da Europa seria um facto óbvio e do mais básico bom senso (o direitos das populações e um bom serviço ´público de transportes) é em Portugal aquilo que é, ou seja, uma desilusão atrás da outra. Os sucessivos governos numa tremenda falta de visão estratégia e mínima inteligência têm vindo a aniquilar a ferrovia em prol de uma cega política de construção desenfreada de estradas (somo o país da Europa com maior quantidade de auto-estradas por habitante). É um modelo de transportes e energético completamente condenado ao insucesso (para além de altamente poluente é também cada vez mais dispendioso). Por isso tudo, e muito mais, é obrigatório assinar e divulgar esta petição que não pede mais do que um direito básico das populações de Trás-os-Montes.


Comunicado

Movimento Cívico pela Linha do Corgo

Pedro Passos Coelho, cabeça de lista por Vila Real nas últimas eleições legislativas, ex Presidente da Assembleia Municipal de Vila Real, e actual Primeiro-Ministro de Portugal, defendeu em Maio do corrente ano, volvidos 2 anos e 2 meses sobre o abrupto encerramento do troço Régua – Vila Real da Linha do Corgo, o seguinte:



Quando a linha (do Corgo) foi encerrada à circulação, o Governo assumiu que era temporariamente. A verdade é que o tempo vai passando e o Governo faz o facto consumado de vir dizer agora, como estamos em grandes dificuldades financeiras, que já não se poder fazer a remodelação que estava prevista.



Ora isso não pode ser. Nós precisamos de ter investimento de mais proximidade que crie mais emprego e seja mais produtivo e investir menos em coisas onde se fizeram mal as contas e que vão provocar prejuízos de milhões e milhões de euros que nos vão custar muito a pagar nos próximos anos.



Em Outubro do mesmo ano, apenas 5 meses após estas palavras, um Ministro do seu executivo anuncia o encerramento definitivo da Linha do Corgo, sem apelo nem agravo, em nome de um equilíbrio de contas ferroviárias tentado sempre à custa do encerramento de vias-férreas como a do Corgo, e sempre com resultados desastrosos.



Sublinhamos que em 1992, último ano da hecatombe ferroviária promovida por Cavaco Silva, na qual foram encerrados 900 km de vias-férreas em apenas 5 anos, também à época apelidadas de “altamente deficitárias”, o défice da CP era de 178 milhões de euros, buraco o qual em 2008 já tinha aumentado 143% para 433 milhões de euros. No mesmo período de tempo, 11 mil ferroviários cessaram as suas funções, e os custos com administração cresceram 110%, enquanto a política de horários desajustados prosseguiu, juntamente com o encerramento de dezenas de estações e um investimento na manutenção da via cada vez menor.



Em 2010 a REFER deu-se ainda ao luxo de gastar 67 milhões de euros na Variante da Trofa, percurso inteiramente novo da Linha do Minho, com apenas 3 km de extensão (22 milhões de euros por quilómetro!!!), por inteiro capricho de um ex autarca da Trofa, dado este não desejar a Linha do Minho dentro desta localidade. O que sobeja para capricho de uns, daria para reabrir a Linha do Corgo entre a Régua e Vila Real, pelas contas da própria REFER, TRÊS VEZES!



A farsa de 30 anos de que só encerrando as ditas “vias secundárias” será possível equilibrar as contas das empresas públicas ferroviárias valeram a Portugal a incrível posição de único país da Europa Ocidental a perder passageiros nos últimos 20 anos, quando os horários, serviços e a própria manutenção destas mesmas vias se reduzem a mínimos e esquemas abusivos e insultuosos, raiando mesmo o criminosos.



Não podemos continuar a compactuar com esta abjecta aldrabice, que atirou Trás-os-Montes e Alto Douro quase em exclusivo para os braços mortais da rodovia, estrangulando o desenvolvimento regional e hipotecando o seu futuro, sem outro tipo de alternativas de escoamento de produtos e movimentação dos seus habitantes e visitantes, entre os quais se contam inúmeros cidadãos desfavorecidos, naquela que foi considerada no ano transacto a região mais pobre de toda a União Europeia. Com uma A24 portajada, uma viagem da Régua a Chaves (73 km em auto-estrada) só em portagens ficará por € 6,40 (uma viagem na A1 entre Alverca e Torres Novas, de 82 km de comprimento, custa em portagens € 5,65, tornando as portagens da A24 um autêntico saque aos trasmontanos), o que de comboio custaria à volta de € 8,20. No entanto, € 8,50 é o que um automóvel a gasolina gastará em combustível para ir da estação da Régua à de Chaves (consumo de 6,5 litros aos 100 km, gasolina a € 1,50 o litro), num percurso de 87 km (menos 9 km apenas do que o mesmo percurso pela Linha do Corgo), fazendo com que este trajecto custe no total e para este exemplo uns proibitivos € 14,15, contra € 8,20 de um bilhete inteiro em tarifa Regional para o comboio – em termos de passe mensal a diferença por viagem é ainda mais significativa.



Já os custos para o transporte de mercadorias, principalmente aquelas que enfrentarão pela Europa a fora tarifas ecológicas nas auto-estradas, e com o contínuo aumento do preço dos combustíveis, o sentido único promovido em Portugal para a rodovia será uma autêntica sentença de morte para várias empresas e uma bomba relógio para a Economia.



Desta forma, o MCLC convida todos os trasmontanos mas também todos os portugueses a unirem a sua voz de descontentamento contra o falacioso encerramento da Linha do Corgo! Aceda à PETIÇÃO PELA LINHA DO CORGO em http://peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N15067, ou através do site do MCLC em http://linhaferroviariadocorgo.wordpress.com/.

Todos juntos não seremos demais!

Vila Real, 12 de Outubro de 2011.


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Movimento Cívico pela Linha do Corgo

http://linhaferroviariadocorgo.wordpress.com/


--

Daniel Conde
www.alinhadotua.com
www.linhadotua.net

http://linhaferroviariadocorgo.wordpress.com/


Sunday, September 25, 2011

Dormir nu é ecológico

Dormir nu é ecológico


O livro que terminei de ler mais recentemente chama-se “Dormir nu é ecológico”. De certa forma é pena que este tipos de livros (e este em particular) acabem por “chegar” a uma parte tão pequena da população. É um exemplo (em geral bastante inspirador) de como, por vezes, com pequenas acções se pode fazer tanto para diminuir o nosso impacto ambiental (e social) e viver de uma forma bem mais simples e ecológica. Numa época de apelos tão desenfreados ao consum(ism)o, de tantas e tão vazias distracções, é essencial reflectirmos de forma consciente e repensarmos todo o nosso estilo de vida e paradigmas (in)culturais. Este livro é em vários aspectos um bom ponto de partida para pensarmos em tudo aquilo (e é imenso) o que podemos (e em muitos casos diria devemos até) mudar. Por vezes as mudanças levam tempo e são graduais (e o que é importante é que aconteçam). Outras vezes podem ser bem mais rápidas do que isso.

Sem mais comentários, deixo aqui os dados da obra e uma “crítica” ao livro “emprestada” do blog da Manuel Araújo, “Sustentabilidade em acção”.


“Dormir nu é ecológico”

Vanessa Farquharson

Editorial Presença



Dormir nu é ecológico

http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/2009/07/dormir-nu-e-ecologico.html

O livro "Dormir Nu É Ecológico" da canadiana Vanessa Farquharson e editado pela Presença este mês de Julho em Portugal, mostra a saga da jornalista que um dia se lembrou de levar a sério a missão de se tornar ecológica num ano.
Resolveu então criar um blogue (Green as a Thistle) e alimentá-lo dia a dia com as suas aventuras e desventuras ambientalistas, num total de 366 medidas a implementar ao longo de um ano que acabou bissexto (desde 1 de Março de 2007 a 29 de Fevereiro de 2008).
Vanessa aplica desde as acções aparentemente mais insignificantes, como deixar de usar cotonetes ou usar apenas uma chávena e um copo por dia, até chegar a vender o seu automóvel, passando por uma panóplia de privações, como desligar o frigorífico e deixar de usar o secador de cabelo, e alterando radicalmente o tipo de alimentação para alimentos exclusivamente naturais, biológicos e frescos, de preferência locais, comendo carne apenas uma vez por semana, bem como passando a usar todo o tipo de produtos de higiene e de limpeza o mais natural e nas menores quantidades possíveis.

Ao fim e ao cabo, a escritora jornalista demonstra que é de facto possível melhorar o nosso comportamento ambiental, com a consciência de que, se há medidas que não são exequíveis ou nem sequer valem a pena, muitas outra há que facilmente se integram no nosso quotidiano, bastando para tal uma pequena dose de imaginação e de boa vontade.

Um livro muito divertido e bem-humorado, fácil de ler, e onde não faltam ideias (embora algumas muito radicais, outras um pouco loucas) para pormos em prática um modo de vida mais sustentável.

Era bom que em Portugal existissem, assim como em Toronto, bastantes lojas dedicadas a quem pretende uma forma de vida mais saudável, natural e ecológica, tal como "mercearias" em que os produtos são vendidos nas quantidades desejadas para as embalagens que os cliente traz de casa. À moda antiga, da qual ainda me lembro.

Quem sabe este livro venha dar algumas ideias a quem esteja aí virado para esse negócio. Eu, se tivesse esse tipo de lojas na minha cidade, alinhava.


Tuesday, September 20, 2011

Buy it, Use it, Break it, Junk it, it's Toxic



Excelente vídeo sobre o desperdício e gravíssimo problema do "lixo electrónico" (mas não só). Uma das formas mais eficientes de impedir este consumismo e desperdício quase tão crónico na nossa sociedade é, simplesmente, consumirmos muito menos. Por outras palavras: Comprarmos menos, mas vivermos mais! ;O)

Tuesday, September 13, 2011

O voluntariado ou uma revolução interior para revolucionar o exterior

Partilho aqui um texto de reflexão publicado na Espaço Aberto - revista alternativa de Set/Out 2011







“O mundo é um lugar perigoso para viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Albert Einsten

Perante o exemplo de pessoas que devotam (e devotam é mesmo a melhor forma de o designar) toda a sua vida à causa de “servir o outro” sinto-me numa posição de quase ilegitimidade para escrever e reflectir sobre “o voluntariado”.

Mas afinal o que é o voluntariado? Em que pensamos quando designamos “voluntariado”? A resposta muitas vezes não será porventura fácil ou muito objectiva.

De uma forma sempre “relativa” podemos defini-lo como:

“O voluntariado é o conjunto de açcões de interesse social e comunitário em que toda a actividade desempenhada reverte a favor do serviço e do trabalho. É feito sem recebimento de qualquer remuneração ou lucro. É uma profissão de prestígio pois o voluntário ajuda quem precisa contribuindo para um mundo mais justo e mais solidário.”(1)

Numa sociedade fortemente condicionada por padrões de cariz predominantemente individualista, meritocrático e materialista o “voluntariado” encontra um terreno algo agreste para poder crescer e ganhar raízes. Na verdade os valores principais que nos inculcam vão exactamente no sentido de, de uma forma extremamente competitiva, sermos melhores do que os outros. Estudarmos afincadamente e trabalharmos afincadamente para podermos ter acesso a bons postos de trabalho, para podermos auferir bons rendimentos, para podermos viver com um elevado nível de conforto e acesso a muitos e dispendiosos bens de consumo. Ou por vezes a questão nem se coloca em trabalharmos afincadamente mas sim em sermos “espertos”, ou “espertalhões” para ser mais preciso. O que significa vezes e vezes sem conta não olharmos a qualquer limite ético para conseguirmos atingir os nossos propósitos. A felicidade, ao que nos dizem, é vestirmos roupas de marca caras (quantas e quantas vezes fabricadas por trabalhadores explorados de forma desumana), conduzirmos uma viatura “topo de gama” (independentemente do impacto ecológico desse automóvel), termos um elevado “estatuto social” (quantas e quantas vezes baseado em relações ocas e vazias) termos @ parceir@ bonit@ “importad@” das revistas de jet7 (independentemente de ser um relacionamento baseado no apego, no estatuto ou no sexo sem qualquer vestígio de um puro e verdadeiro Amor).

Mas será que essa é a verdadeira felicidade? No dito “mundo ocidental”, apesar de termos ainda acesso a toda uma panóplia de bens e serviços que são uma longínqua miragem para a maior parte da população mundial (uma miragem tão forte ao ponto de por vezes se lançarem a atravessar os mar em autênticas “cascas de noz” para poderem chegar, mesmo que tudo o que lhes espere, quando chegam, ser uma vida de miséria e exploração, “ao nosso mundo”), o consumo de substâncias anti-depressivas (muitas das quais que mais não são do que autênticas e violentas drogas tornadas “legais” pela classe médica dominante) nunca foi tão elevado e “vulgar”. Creio que o cerne dessa infelicidade radica precisamente no materialismo individualista moderno, que nos torna em indivíduos constantemente insatisfeitos, vazios e cronicamente insaciáveis. Quando se refere materialismo é importante salientar que ele remete não somente para todo um conjunto de produtos “materiais” mas muitas vezes, senão mesmo na maior parte das vezes, todo um conjunto de valores e necessidades que pretendem, eles próprios, preencher o nosso vazio existencial.

Por outras palavras, tornamo-nos tão infelizes porque andamos profundamente alheados do verdadeiro sentido da vida. Tentamos encontrar a felicidade em todas as gratificações e aliciamentos que este sistema hiper consumista moderno tem para nos oferecer quando a felicidade radica, muito mais, naquilo que temos nós próprios para oferecer ao nosso próprio ser (num sentido de realização pessoal e espiritual mais profundo), aos outros indivíduos e seres que partilham connosco este mesmo habitat e ao nosso planeta em geral.

A realidade é que os paradigmas dominantes se têm centrado muito mais naquilo que podemos “tirar” dos outros, do nosso habitat e do nosso planeta (e temos retirado a um ritmo e com um impacto destruidor absolutamente arrepiante) e não naquilo que temos e podemos dar enquanto seres únicos e especiais, como cada ser é na sua singularidade e essência.

De uma forma geral pode-se dizer que se valoriza muito mais o “parecer” em vez do “ser”. Ou seja, todo o sistema faz-se em larga medida de imagens, aparências e muitas, mas muitas vezes, ilusões. Portugal é um país pródigo nesse estado de “encantamento” pós-consumista. Somos um dos países da Europa, quem sabe do mundo, com maior quantidade de auto-estradas (ao mesmo tempo que se deixa “apodrecer” sem qualquer investimento significativo a nossa outrora imensa rede ferroviária). Somos um dos países da Europa, e quem sabe do mundo, com uma das maiores taxas de centros comerciais por metro quadrado (ao mesmo tempo que se deixa caminhar para extinção estabelecimentos de comércio tradicionais, familiares, por vezes há gerações enraizados nas nossas comunidades). Somos um dos países do mundo com maior quantidade de telemóveis por pessoa (ao mesmo tempo que são cada vez mais os casos de idosos que morrem na mais abjecta solidão, sendo a sua morte notada somente quando os vizinhos começam a notar o fedor do corpo em decomposição). Já chega de paradoxos?

Diz-se também, e apesar de tudo, que os portugueses são um povo solidário, humano e com “bom coração”. Generalizações são sempre generalizações e entre os milhões de indivíduos que constituem a nossa população seremos certamente capazes de encontrar bons e maus exemplos disso mesmo.

É sempre difícil aferir em números muitos exactos a situação do voluntariado em Portugal. Na sua essência ele faz-se, e muito, de toda um conjunto de acções, projectos e campanhas também de carácter informal. Ou seja, um@ voluntári@ não tem necessariamente que estar registado ou desenvolver a sua actividade de voluntariado com um enquadramento “oficial”. Na realidade por vezes quanto mais “institucionais” ou “profissionalizadas” se tornam as instituições ou organizações pode haver uma tendência para a perda da essência do que é ou deveria ser o voluntariado. Noutros casos uma certa profissionalização ou organização mais estruturada, por assim dizer, pode permitir produzir uma maior eficiência em termos de projectos e acções. Mais uma vez não existem “fórmulas acabadas” ou perfeitas. Tudo está na capacidade de se encontrar um equilíbrio. Ou o “caminho do meio” como nos ensina o Budismo.

No que diz respeito ao conceito de “voluntariado” tenho de confessar que tenho, desde logo, algumas reservas no que diz respeito à utilização dessa designação. Pessoalmente tendo a ter maior simpatia pela designação “cidadania activa”. Ou seja, na minha visão pessoal o acto de “voluntariado” não se cinge, ou deveria cingir, à disponibilização de algumas horas da nossa agenda para dedicarmos a alguma acção, actividade ou organização sem fins lucrativos ou alguma causa de bem estar social e ambiental. De certa forma creio que o “voluntariado” ainda se encontra restrito a uma componente profundamente caritativa … Como explicar? Creio que é a velha máxima de que mais vale ensinar ou ajudar a plantar (isto para quem é vegetariano a analogia do “peixe” não é muito confortável do ponto de vista ético ;O) do que dar o alimento.

Ou seja, recorrendo a um exemplo: O período natalício é pródigo em acções de beneficência e solidariedade social. No período natalício parece que há um surto de uma febre que nos impele quase obsessivamente para sermos solidários. Em parte isso é bom. Por outro lado é um ímpeto em certa medida “limitado” na medida em que é inconsequente ou, muitas vezes, incoerente. Ou seja, temos por vezes indivíduos ou instituições que praticam e advogam práticas de profunda meritocracia social. Temos políticos, empresas, instituições que no seu dia a dia contribuem para uma maior precariedade e pobreza social (com o pagamento de salário baixos ou mesmo situações de eminente exploração laboral), ou com um conduta ecológica duvidosa, mas na altura de natal (e às vezes não só) surgem como os supra-sumos da beneficência e da “ajuda”. As campanhas “causa maior” e da “Leopoldina” são um exemplo incontornável. Ou seja, são empresas multinacionais, ou grandes superfícies, que se aliam a causas ou instituições de acção social ou ambiental mas no seu dia a dia praticam relações comerciais que lesam ou até eliminam comercialmente os pequenos e médios produtores (conduzindo-os muitas vezes à mesma pobreza que se gabam de ajudar a combater) ou têm uma atitude socialmente e ambientalmente bastante irresponsável, pois muitas vezes tudo aquilo que buscam é: o maior lucro possível ao menor custo possível.

Isto tudo para dizer que sim, acredito bastante no potencial do ser humano para fazer o bem. A nível individual temos exemplos extraordinários de indivíduos que isoladamente foram capazes de fazer coisas maravilhosas em prol do bem comum. E muitas vezes, para não dizer a maior parte das vezes, eles vivem no mais perfeito anonimato. Eles podem ser o seu vizinho do lado, o amigo da rede social, o jovem anónimo da escola do seu filho. Eles são milhares, milhões, e é graças a eles que todos os dias, em cada pequeno pedaço deste nosso maravilhoso planeta azul, mesmo numa época tão difícil e de esgotamento de um sistema, há magia e milagres a acontecer. Há “humanismo” naquilo que “humano” tem de melhor e mais positivo.

Acredito imenso no trabalho de muitas organizações governamentais e associações que às vezes com nada conseguem fazer quase tudo. Ao mesmo tempo que tantas e tantas vezes governos e entidades públicas, ou empresas e accionistas multi-milionários, com tudo mais não conseguem fazer do que nada. Ou então simplesmente desperdiçar e parasitar recursos que deveriam ser usados para o benefício comum de todos (um exemplo disso é o dinheiro que o nosso governo desperdiça a pagar mil e uma mordomias a gestores ou funcionários do aparelho de estado, ao mesmo tempo que usurpa, por exemplo, metade do subsídio de natal a milhares de trabalhadores que vivem num constante “tentar remediar”.)

Hoje em dia temos que ter muito cuidado nas nossas análises, percepções e visões da “realidade” (que hoje em dia é tão estruturada, por exemplo, pelos próprios meios de comunicação social, eles próprios tornados empresas de “entretenimento” e de venda de conteúdos) pois nem tudo o que parece é. E por vezes nem tudo o que é parece. E outra vezes aquilo que parece é exactamente o que é, se tivermos uma boa capacidade de estar atentos para compreendermos os fenómenos em toda a sua amplitude e profundidade.

Em suma: o voluntariado, muito mais do que acções esporádicas que muitas vezes mais não servem do que mitigar a nossa inércia quotidiana e indiferença face aos problemas e desafios de fundo da nossa sociedade, deverá passar por uma atitude cívica comprometida que se reflecte em todos os nossos actos e gestos do dia-a-dia. Como, onde e a quem comprar? O que realmente comprar ou não? Como e onde “investir” o nosso tempo … Que conteúdos consumir? etc. .

Ser voluntariado, ou activista social, é um estado de não resignação construtiva de querer “ir mais além” e de buscar reais alternativas a um sistema e a modelos de organização social que são evidentemente e cronicamente injustos e cruéis. (Que importa os senhores do Jet7 organizarem uma festa de beneficência – para exibirem os seus vestidos e penteados milionários – ao mesmo tempo que nas suas empresas ou aparelhos da burocracia estatal semeiam a pobreza, a exclusão e a destruição no nosso património natural e cultural? Que importa andarmos quase todos a sonhar ser iguais ou ter uma vida como eles?).

Ser voluntário é olhar para o que “está mal”, perceber porque realmente está mal (e muitas vezes somos nós próprios que alimentamos essas situações ou sistemas) e sobretudo ser capaz de perceber “quem” é que está realmente mal … e dar tudo por tudo, às vezes mais do que isso, para que à escala da nossa dimensão humana … as coisas, e sobretudo os seres, possam simplesmente estar bem, ou pelo menos um pouco melhor …

Nessa medida considero que “ser voluntário” ou activista (a palavra “acção” é simplesmente determinante) nunca é um processo acabado. É algo que se vai tentando ser e aprender durante toda a vida. Felizmente temos exemplos muito inspiradores a seguir para nos darem coragem. Felizmente temos também muito maus exemplos de fachada para nos ajudarem a decidir por onde não “devemos” ir. Quer uns, quer outros, têm esse tremendo potencial de nos serem úteis nessa caminhada rumo a uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária. Rumo a um planeta mais sustentável onde saibamos viver de facto em harmonia com a ecologia dos diversos ecossistemas do planeta (algo que será simplesmente impossível de alcançar num sistema capitalista em que ao invés de aprendermos a viver com o que temos, e a utilizar com respeito e moderação o que temos, somos incentivados a buscar sempre mais e a desenvolvermos quase patologicamente novas necessidades e desejos cronicamente insaciáveis).

Por vezes algumas pessoas dizem-me que não sabem como ajudar ou como poderiam viver de forma diferente. Ou seja, quais são as alternativas?

As alternativas não sou eu, nem o Economista A, ou Doutor B, ou Mestre C que as tem. Todos as temos e ninguém as tem. As alternativas são as que desvendarmos nessa caminhada, desde logo interior, rumo, antes de tudo o mais, ao sermos o melhor de nós próprios. Não a sermos melhor que os outros ou a termos mais do que os outros. Sermos o melhor de nós próprios sendo o melhor que pudermos ser para os outros. E isso de ser melhor, vezes e vezes sem conta, não é só “fazer festinhas”. Também é, e há momentos em que tudo o que podemos dar de melhor é um abraço (grátis ;O), mas também há momentos em que o melhor que podemos fazer por alguém é dar-lhe um grito na hora certa. E, sobretudo, estarmos “vigilantes” para podermos dar os muitos gritos, nas muitas horas certas, que nós próprios precisamos de dar e escutar. “Temos um mundo novo nos nossos corações” [2] e às vezes tudo o que precisamos, para encontrar um verdadeiro sentido para nossa existência, nomeadamente através da forma como contribuímos para um mundo melhor para tod@s, é precisamente “escutar aquilo que de mais profundo o nosso coração tem para nos dizer”. E é infinito tudo aquilo que nós “recebemos” quando damos verdadeiramente do fundo do nosso coração.

É difícil? É, sem dúvida, mas temos todo o resto da nossa vida (que é tudo o que realmente temos nesse estado primordial de realmente nada possuirmos) para tentar e descobrir. E porque não começar … agora?

Como? Não sabe, bem no fundo do seu coração, como o fazer?

Pedro Jorge Pereira

Formador e Activista Eco-Social

[1] Wikipedia – A Encilcopédia Livre (2011). Trabalho Voluntário. [Em linha]. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Voluntariado>. [Consultado em 15/07/2011]

[2] Durutti


Thursday, September 08, 2011

Conferência Vidas de (des)Emprego, 15 de Setembro, 14.30, Coimbra


Conferência Vidas de (des)Emprego,

15 de Setembro, 14.30,

Coimbra



Tenho o prazer de ser um dos intervenientes convidados. Vai ser sem dúvida muito interessante. Para quem for de Coimbra, ou estiver por perto (ou conhecer alguém e puder divulgar ;O)

Novas barragens = crimes - JN


Novas barragens = crimes - JN

excelente artigo, que remete para aquele que é um dos maiores crimes e falácia das últimas décadas em Portugal: o incrivelmente inútil e dispendioso (em tempos em que se corta a torto e a direito em tudo, menos no que se devia) plano nacional de barragens ... a ler e a divulgar!

Novas barragens = crimes

http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1981816&opiniao=Daniel%20Deusdado

00h40m

O JN trazia esta semana dois artigos que se interligam profundamente. Num, o Norte como região turística preferida dos portugueses, sobretudo pela natureza e paisagem. No outro, o retrato da futura barragem do Tua. Questão: é possível destruir um rio como o Tua e manter-se a ficção de que o turismo é o maior activo do país?

As barragens foram propagandeadas por Salazar como o milagre da energia barata e são hoje responsáveis por uma parte da produção de electricidade nacional, além de terem melhorado o controlo do caudal dos rios. Foi assim por todo o Mundo. Mas já se evoluiu muito desde então e hoje percebe-se melhor que elas têm um custo implícito, porque os ecossistemas vão sendo profundamente alterados e a nossa saúde paga todos os dias a factura...

Infelizmente, para a maioria das pessoas, isto é conversa. O que importa é se a conta da luz é mais barata. Começo então por aqui: o plano de barragens posto em marcha pelo Governo Sócrates inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal - e aí já será tarde. Uma plataforma de organizações ambientais entregou esta semana à troika um documento que explica onde nos leva o plano da outra "troika" (Sócrates-Manuel Pinho-António Mexia). As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes produzem apenas o equivalente a três por cento de energia eléctrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores 16 mil milhões de euros... O documento avisa que a conta da electricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar mais este negócio falsamente "verde". A EDP, a Iberdrola, etc., receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Mesmo paradas, recebem. A troika importa-se com isto?

Os especialistas das organizações ambientais dizem, desde o princípio, que as novas barragens poderiam ser evitadas se houvesse aumento de capacidade das barragens existentes. Era mais barato e a natureza agradecia. Infelizmente a EDP apostou milhões para conseguir novas barragens, e isso incluiu antecipação de pagamentos de licenças que ajudaram o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos a cobrir uma parte do défice de 2009, além da mais demagógica e milionária campanha publicitária da década, em que se fazia sonhar com barragens como se fossem os melhores locais do Mundo para celebrar a natureza...

Estes monstros de betão vão agora destruir dois rios da região do Douro, desnecessariamente. O Sabor, por exemplo, é uma jóia de natureza ainda selvagem. À medida que o turismo ambiental cresce globalmente, mais Portugal teria a ganhar com um Parque Natural do Douro Internacional ainda inóspito, genuíno. Já não será assim. A barragem em construção inclui uma albufeira de 40 quilómetros onde se manipula o rio de trás para a frente, com desníveis súbitos, acabando com a vida fluvial endógena e o habitat das espécies em redor.

Não menos grave é a destruição do rio Tua e da centenária linha do comboio. Uma vez mais o argumento é "progresso" - os autarcas e as populações acreditam que os trabalhadores da construção civil, que por ali vão andar por uns anos a comer e a dormir nas pensões locais, garantem a reanimação da economia... Infelizmente, não vêem o fim definitivo daquela paisagem e da mais bela história ferroviária de Portugal. Uma linha erigida a sangue, suor e lágrimas. Única. E que deveria ali ficar, mesmo que não fosse usada ou rentável, até ao dia em fosse entendida como um extraordinário monumento da engenharia humana e massivamente visitada enquanto tal.

Ao deixarmos cometer mais estes crimes, em troca de um mau negócio energético, não percebemos mesmo qual o nosso papel no Mundo. Esquecemos que a Natureza nos cobra uma factura muito pesada quando destruímos a fauna e a flora. Estamos a comprometer a qualidade da água e das colheitas de que precisamos para viver, com consequências para a nossa saúde e a das gerações vindouras. Se ainda não sabemos isto, sabemos zero. E ainda por cima vamos pagar milhões. É triste.

Wednesday, August 24, 2011

Programa Nacional de Barragens

Uma reportagem bem elucidativa do tremendo embuste e desastre económico, social e ecológico que é o plano nacional de barragens, que serve apenas o interesse de alguns accionistas gananciosos da Edp e sobretudo as grandes construtoras, sempre ávidas se plantar mais betão e cimento por muito inútil que estes possam ser ... urge denunciar e sobretudo renunciar a este modelo de crescimento rápido que tanto tem destruído e descaracterizado no nosso país ...

Tuesday, August 16, 2011

algumas fotos da Oficina "da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia", Feira Alternativa - Porto




Comunidade de Tamera



Para quem não acredita que existem alternativas ao sistema de consumo capitalista, ao neoliberalismo, que é o expoente máximo da insustentabilidade de uma determinada sociedade e que consiste no cerne dos graves problemas ecológicos e sociais que caracterizam a nossa sociedade ainda tão insustentável. Novos paradigmas, valores e, também, estilos de vida são essenciais para voltarmos a viver de uma forma sustentável e para encontrarmos um verdadeiro equilíbrio ecológico naquilo que somos e fazemos. Exemplos como os de Tamera são sem dúvida inspiradores! e muito!!

Monday, August 08, 2011

Thursday, August 04, 2011

Acção pelo acesso ao Transporte Público e Justiça Social

Acção pelo acesso ao Transporte Público e Justiça Social

No início deste mês aquele que é um direito e uma necessidade fundamental dos cidadãos portugueses – o direito a uma mobilidade pública e sustentável – viu-se atacado com um novo aumento (e que aumento!) dos preços dos títulos e assinaturas mensais de viagem. É uma medida baseada em objectivos meramente economicistas sem qualquer consideração pelas repercussões em termos de (in)justiça social e económica que essa mesma medida implica. Já para não falar das repercussões em termos ambientais, com um desincentivo tácito à utilização e acesso "democrático" ao transporte público. Nesse sentido considero que é tempo dos cidadãos agirem de forma a manifestarem a sua oposição e não aceitação dessa medida. Creio que a resignação passiva de medidas desta natureza é o principal motivo pelo qual elas são aplicadas e pelo qual as desigualdades e injustiças sociais ao invés de se atenuarem se têm vindo, bem pelo contrário, a agravar cada vez mais. Esta carta aberta é um primeiro esforço no sentido de manifestar a minha/nossa oposição, gesto que convido outros cidadãos a tomar. Mas gostaria de ver e ajudar a dinamizar outro tipo de iniciativas e formas de acção cívica.

Manifeste a sua própria indignação escrevendo para:


Secretaria de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

imprensamoptc@moptc.gov.pt


Sociedade Metro do Porto

metro@metro-porto.pt


Sociedade de Transportes Colectivos do Porto

provedor@stcp.pt

geral@stcp.pt


com conhecimento (cc:) para:

Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos

sugestoes@muss.org


e eventualmente para os órgãos de comunicação social.


Pela igualdade e justiça social, pelos ideais cada vez mais longínquos de "Abril"

Pedro Jorge Pereira


Cópia da carta enviada:

Matosinhos, 4 de Agosto de 2011


Exmo/as Senhores/Senhoras:

Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações,

Membr@s do Conselho de Administração da Metro do Porto,

Membr@s do Conselho de Administração da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto,

Quando no início deste mês me dirigi a uma das estações de venda automática para efecutar a renovação da minha assinatura mensal Andante, fiquei completamente chocado com a exorbitância do valor apresentado.

Para um passe modal de 3 zonas costumava efectuar o pagamento de 31,75 euros, valor, a meu ver, já de si bastante elevado e até exorbitante considerando o custo comparativo dos transportes públicos em diversos países da Europa onde o nível de vida é comparativamente bem mais elevado. Qual não foi o meu espanto, e indignação, por verificar que procederam a um aumento, sem qualquer consulta ou diálogo com aqueles a quem os transportes públicos são suposto servir - os utentes - de nada mais, nada menos, 4,75 euros!!! O equivalente a um aumento de cerca de 15% do valor total do passe.

Não sei se @s Exm@s senhores/senhoras têm noção do que representa o valor de 4,75 euros no orçamento já de si “depenado” da maior parte das famílias de classe dita baixa e média (em vias de extinção graças às políticas neoliberais e que estão a conduzir o país a uma espécie de “sul-americanização” da sociedade). Como certamente não farão parte dessas classes bastante desfavorecidas, que por sinal também são as que mais recorrem aos transportes públicos, imagino que deva ser difícil imaginar o peso de tal acréscimo de despesa.

Segundo os padrões, por exemplo, das viaturas que provavelmente a generalidade dos secretários de estado (imagino que dos transportes, e com alguma ironia à mistura, não seja excepção) e dos membros dos conselhos administrativos das sociedades de transporte utilizam para se deslocar para os respectivos postos de trabalho, tipicamente viaturas topo de gama de alta cilindrada, 15% equivaleria talvez a um aumento de cerca de 50 a 100 euros (contas assim muito por baixo) do valor que despendem mensalmente em combustível para as mesmas.

Considerando por exemplo o valor do ordenado mínimo nacional, cerca de 5 euros representa mais do que 1% do valor líquido de rendimento de um trabalhador. É de salientar que normalmente esses trabalhadores não usufruem de qualquer ajuda de custo ou benefício extraordinário, pelo que o valor total do seu ordenado tem de ser suficiente para garantir as condições mínimas de sobrevivência

(esse é mesmo o termo mais adequado), ou seja: habitação, alimentação, saúde, educação dos seus filhos (que por norma não frequentam estabelecimentos privados onde a propina mensal é muitas vezes superior ao próprio ordenado mínimo nacional). Dessa forma, 5 euros, quando sobra, é quase o valor que sobra para qualquer investimento para além do estritamente essencial. Como por exemplo uma ida ao cinema, ao teatro, a um concerto, parte do valor para aquisição de um livro.

Por todos estes factores considero que o transporte público deveria ser de facto público e não cada vez mais um luxo que se está a tornar inacessível para muitas pessoas.

Sou um convicto defensor do transporte público e da mobilidade ecológica. Nesse sentido é com imensa consternação que verifico que aqueles que deveriam defender e promover o transporte público são os primeiros a fazê-lo numa lógica meramente economicista e sem qualquer noção da realidade social e económica da generalidade dos utentes. Ou a haver noção não haverá certamente grande consideração pela mesma.

Numa altura em que decidem castigá-los com uma ainda maior carga financeira, interrogo-me sobre que esforços e iniciativas já tomaram para, por exemplo, diminuir os custos em termos de gastos na secretaria de Estado em causa e nas Sociedades de Públicas de Transportes respectivas. Nomeadamente se foram já tomadas algumas medidas no sentido de, por exemplo, suprimir a frota automóvel privada destinada a servir os membros do conselho de administração das entidades em causa. Não deveriam ser os primeiros a usar exclusivamente os mesmos transportes públicos que tutelam e administram? E se foram contabilizados os gastos que seriam dessa forma eliminados? Ou se houve um ajustamento (que tão facilmente exigem ao cidadão comum) dos honorários auferidos pelos membros da dita secretaria de estado e dos ditos conselhos administrativos? Ou se houve qualquer outra medida capaz de dar alguma legitimidade moral à medida que tão arbitrariamente tomaram de proceder a um novo aumento exorbitante das assinaturas mensais e bilhetes individuais. Ainda para mais quando já no início deste ano se tinha verificado um aumento considerável.

Considero essa medida socialmente e economicamente injusta, imoral e prepotente. Nesse sentido manifesto a minha total oposição à mesma e informo que tenciono manifestar-me das formas que forem consideradas oportunas, eventualmente em conjunto com outros utentes descontentes, para impedir a sua aplicação. Convido ainda tod@s os cidadãos e cidadãs inconformados com este acto de política e gestão injusta a juntarem-se em iniciativas públicas de oposição.

Pelo transporte público de facto público! Pelo direito dos cidadãos a uma mobilidade de qualidade justa.

Fico atenciosamente a aguardar resposta.

O utente:

Pedro Jorge Pereira

Formador e Educador Eco-Social

ecotopia2012@gmail.com

Tuesday, August 02, 2011

As Organizações Não Governamentais de Ambiente dizem “Não Obrigado!” ao Fundo Baixo Sabor

Um gesto louvável de coerência das ONGA´s face à hipocrisia da EDP que continua a tentar implementar uma política de “lavagem verde” sistemática da sua acção de destruição em massa de muitos dos habitates selvagens ainda preservados de Portugal. O Baixo Sabor é um dos exemplos mas trágicos dessa atroz destruição hidroeléctrica …



Comunicado de Imprensa

22 de Julho de 2011 (embargo às 5h da manhã)

As Organizações Não Governamentais de Ambiente dizem “Não Obrigado!” ao Fundo Baixo Sabor



As Organizações Não Governamentais de Ambiente boicotam o concurso de 2011 para o Fundo Baixo Sabor como protesto contra a destruição de ecossistemas de elevado valor ambiental por decisão do governo e da EDP. As principais ONGA dizem: “Não Obrigado! Abdicamos do Fundo Baixo Sabor enquanto se persistir nesta política de secundarizar as questões de ambiente e de desrespeito dos compromissos assumidos por Portugal em relação à protecção da Biodiversidade e da qualidade da água.



O desenvolvimento das obras do empreendimento hidroeléctrico do Baixo Sabor, já com dois anos de percurso, mostra que as preocupações ambientais do governo e da EDP são secundárias, pois os relatórios periódicos entregues à comissão de acompanhamento ambiental mostram fortes impactes negativos e um desfasamento considerável entre as propostas de correcção dos problemas e a sua real implementação no terreno. O decorrer da obra tem revelado muitos problemas nos processos de monitorização, na poluição gerada e na afectação da fauna e flora das zonas intervencionadas.

A fraude é ainda maior, quando se constata que o “Fundo para a Conservação na Natureza e da Biodiversidade”, cujo prazo de candidatura termina hoje, exclui da tipologia de operações a aprovar os projectos de conservação da natureza e da biodiversidade.



Neste sentido, as principais ONGA de Portugal decidiram prescindir de candidatar-se ao Fundo Baixo Sabor de 2011 (este ano no valor de 800 mil de euros), como forma de protesto e em nome da transparência e da verdade sobre os impactes negativos das grandes barragens. As ONGA não se opõem à existência de fundos de Conservação da Natureza. As ONGA censuram, sim, a postura hipócrita dos governos que concedem licenciamentos causadores de capacidade destrutiva às empresas, em troca de programas de distribuição de verbas que, potencialmente, poderão ter valências positivas para o ambiente, a aplicar numa área que pode não corresponder à zona mais afectada pela destruição. O Estado e a EDP procedem assim a uma reprovável campanha de greenwashing, destinada essencialmente a mostrar uma postura de preocupação ambiental que não possuem, numa perspectiva de convencer as populações das zonas afectadas e das zonas a afectar em futuros empreendimentos, que a destruição da biodiversidade tem mais valor económico que a sua protecção. Tudo isto com o dinheiro dos consumidores que pagam na factura, com ou sem vontade.



Para que se compreenda melhor o processo é relevante informar que o Fundo do Aproveitamento Hidroeléctrico do Baixo Sabor (AHBS), aqui designado por Fundo Baixo Sabor, foi criado pelo Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, por Despacho nº 14136/2010 (2ª Série), de 9 de Setembro e aprovado o seu Regulamento de Gestão, posteriormente alterado pelo Despacho nº 18872/2010 (2ª Série), de 21 de Dezembro. De acordo com as indicações do estado português, a EDP vai depositar uma verba anual de 800 mil euros no fundo financeiro durante os 75 anos da concessão da barragem do Baixo Sabor. Este valor é depois cobrado na factura de electricidade, pelo que, na verdade, a EDP não pagará nada, apenas aumentará o que cobra pelos serviços do monopólio que detém.



As políticas de ordenamento do território e de conservação da natureza levadas a cabo nas últimas décadas têm subvalorizado as questões ambientais, têm provocado fortes impactos negativos no património natural e têm tratado os ecossistemas e as espécies ameaçadas com a delicadeza de um rolo compressor. Raramente se tem atribuído aos ecossistemas e à Biodiversidade a importância que os mesmos têm para as populações humanas pelos serviços actualmente prestados e por prestar, a médio e longo prazo. Não há apostas na valorização dos recursos naturais numa perspectiva de sustentabilidade, no sentido de melhorar a vida das populações humanas. Mais ainda, o Estado vai-se demitindo das suas obrigações em termos de conservação da natureza e de garantia da qualidade da água e coloca as empresas a pagar projectos de compensação ambiental.



Por tudo isto, as ONGA abaixo indicadas dizem “Não Obrigado! Abdicamos do Fundo Baixo Sabor” enquanto se persistir na secundarização das questões ambientais e na continuação de políticas com forte destruição da Biodiversidade, enquanto se pretender calar as instituições com a distribuição de financiamento para actividades e acções que não conseguem repor sequer uma pequena parte do património perdido.



ONGA aderentes ao boicote:

Contactos:



- FAPAS: Paulo Santos (96 7064913)

- GEOTA: João Joanaz de Melo (96 2853066)

- LPN: João Camargo (96 4656033)

- Quercus: Nuno Sequeira (93 7788474)

- SPEA: Domingos Leitão (96 9562381)