Sunday, September 25, 2011

Dormir nu é ecológico

Dormir nu é ecológico


O livro que terminei de ler mais recentemente chama-se “Dormir nu é ecológico”. De certa forma é pena que este tipos de livros (e este em particular) acabem por “chegar” a uma parte tão pequena da população. É um exemplo (em geral bastante inspirador) de como, por vezes, com pequenas acções se pode fazer tanto para diminuir o nosso impacto ambiental (e social) e viver de uma forma bem mais simples e ecológica. Numa época de apelos tão desenfreados ao consum(ism)o, de tantas e tão vazias distracções, é essencial reflectirmos de forma consciente e repensarmos todo o nosso estilo de vida e paradigmas (in)culturais. Este livro é em vários aspectos um bom ponto de partida para pensarmos em tudo aquilo (e é imenso) o que podemos (e em muitos casos diria devemos até) mudar. Por vezes as mudanças levam tempo e são graduais (e o que é importante é que aconteçam). Outras vezes podem ser bem mais rápidas do que isso.

Sem mais comentários, deixo aqui os dados da obra e uma “crítica” ao livro “emprestada” do blog da Manuel Araújo, “Sustentabilidade em acção”.


“Dormir nu é ecológico”

Vanessa Farquharson

Editorial Presença



Dormir nu é ecológico

http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.com/2009/07/dormir-nu-e-ecologico.html

O livro "Dormir Nu É Ecológico" da canadiana Vanessa Farquharson e editado pela Presença este mês de Julho em Portugal, mostra a saga da jornalista que um dia se lembrou de levar a sério a missão de se tornar ecológica num ano.
Resolveu então criar um blogue (Green as a Thistle) e alimentá-lo dia a dia com as suas aventuras e desventuras ambientalistas, num total de 366 medidas a implementar ao longo de um ano que acabou bissexto (desde 1 de Março de 2007 a 29 de Fevereiro de 2008).
Vanessa aplica desde as acções aparentemente mais insignificantes, como deixar de usar cotonetes ou usar apenas uma chávena e um copo por dia, até chegar a vender o seu automóvel, passando por uma panóplia de privações, como desligar o frigorífico e deixar de usar o secador de cabelo, e alterando radicalmente o tipo de alimentação para alimentos exclusivamente naturais, biológicos e frescos, de preferência locais, comendo carne apenas uma vez por semana, bem como passando a usar todo o tipo de produtos de higiene e de limpeza o mais natural e nas menores quantidades possíveis.

Ao fim e ao cabo, a escritora jornalista demonstra que é de facto possível melhorar o nosso comportamento ambiental, com a consciência de que, se há medidas que não são exequíveis ou nem sequer valem a pena, muitas outra há que facilmente se integram no nosso quotidiano, bastando para tal uma pequena dose de imaginação e de boa vontade.

Um livro muito divertido e bem-humorado, fácil de ler, e onde não faltam ideias (embora algumas muito radicais, outras um pouco loucas) para pormos em prática um modo de vida mais sustentável.

Era bom que em Portugal existissem, assim como em Toronto, bastantes lojas dedicadas a quem pretende uma forma de vida mais saudável, natural e ecológica, tal como "mercearias" em que os produtos são vendidos nas quantidades desejadas para as embalagens que os cliente traz de casa. À moda antiga, da qual ainda me lembro.

Quem sabe este livro venha dar algumas ideias a quem esteja aí virado para esse negócio. Eu, se tivesse esse tipo de lojas na minha cidade, alinhava.


Tuesday, September 20, 2011

Buy it, Use it, Break it, Junk it, it's Toxic



Excelente vídeo sobre o desperdício e gravíssimo problema do "lixo electrónico" (mas não só). Uma das formas mais eficientes de impedir este consumismo e desperdício quase tão crónico na nossa sociedade é, simplesmente, consumirmos muito menos. Por outras palavras: Comprarmos menos, mas vivermos mais! ;O)

Tuesday, September 13, 2011

O voluntariado ou uma revolução interior para revolucionar o exterior

Partilho aqui um texto de reflexão publicado na Espaço Aberto - revista alternativa de Set/Out 2011







“O mundo é um lugar perigoso para viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Albert Einsten

Perante o exemplo de pessoas que devotam (e devotam é mesmo a melhor forma de o designar) toda a sua vida à causa de “servir o outro” sinto-me numa posição de quase ilegitimidade para escrever e reflectir sobre “o voluntariado”.

Mas afinal o que é o voluntariado? Em que pensamos quando designamos “voluntariado”? A resposta muitas vezes não será porventura fácil ou muito objectiva.

De uma forma sempre “relativa” podemos defini-lo como:

“O voluntariado é o conjunto de açcões de interesse social e comunitário em que toda a actividade desempenhada reverte a favor do serviço e do trabalho. É feito sem recebimento de qualquer remuneração ou lucro. É uma profissão de prestígio pois o voluntário ajuda quem precisa contribuindo para um mundo mais justo e mais solidário.”(1)

Numa sociedade fortemente condicionada por padrões de cariz predominantemente individualista, meritocrático e materialista o “voluntariado” encontra um terreno algo agreste para poder crescer e ganhar raízes. Na verdade os valores principais que nos inculcam vão exactamente no sentido de, de uma forma extremamente competitiva, sermos melhores do que os outros. Estudarmos afincadamente e trabalharmos afincadamente para podermos ter acesso a bons postos de trabalho, para podermos auferir bons rendimentos, para podermos viver com um elevado nível de conforto e acesso a muitos e dispendiosos bens de consumo. Ou por vezes a questão nem se coloca em trabalharmos afincadamente mas sim em sermos “espertos”, ou “espertalhões” para ser mais preciso. O que significa vezes e vezes sem conta não olharmos a qualquer limite ético para conseguirmos atingir os nossos propósitos. A felicidade, ao que nos dizem, é vestirmos roupas de marca caras (quantas e quantas vezes fabricadas por trabalhadores explorados de forma desumana), conduzirmos uma viatura “topo de gama” (independentemente do impacto ecológico desse automóvel), termos um elevado “estatuto social” (quantas e quantas vezes baseado em relações ocas e vazias) termos @ parceir@ bonit@ “importad@” das revistas de jet7 (independentemente de ser um relacionamento baseado no apego, no estatuto ou no sexo sem qualquer vestígio de um puro e verdadeiro Amor).

Mas será que essa é a verdadeira felicidade? No dito “mundo ocidental”, apesar de termos ainda acesso a toda uma panóplia de bens e serviços que são uma longínqua miragem para a maior parte da população mundial (uma miragem tão forte ao ponto de por vezes se lançarem a atravessar os mar em autênticas “cascas de noz” para poderem chegar, mesmo que tudo o que lhes espere, quando chegam, ser uma vida de miséria e exploração, “ao nosso mundo”), o consumo de substâncias anti-depressivas (muitas das quais que mais não são do que autênticas e violentas drogas tornadas “legais” pela classe médica dominante) nunca foi tão elevado e “vulgar”. Creio que o cerne dessa infelicidade radica precisamente no materialismo individualista moderno, que nos torna em indivíduos constantemente insatisfeitos, vazios e cronicamente insaciáveis. Quando se refere materialismo é importante salientar que ele remete não somente para todo um conjunto de produtos “materiais” mas muitas vezes, senão mesmo na maior parte das vezes, todo um conjunto de valores e necessidades que pretendem, eles próprios, preencher o nosso vazio existencial.

Por outras palavras, tornamo-nos tão infelizes porque andamos profundamente alheados do verdadeiro sentido da vida. Tentamos encontrar a felicidade em todas as gratificações e aliciamentos que este sistema hiper consumista moderno tem para nos oferecer quando a felicidade radica, muito mais, naquilo que temos nós próprios para oferecer ao nosso próprio ser (num sentido de realização pessoal e espiritual mais profundo), aos outros indivíduos e seres que partilham connosco este mesmo habitat e ao nosso planeta em geral.

A realidade é que os paradigmas dominantes se têm centrado muito mais naquilo que podemos “tirar” dos outros, do nosso habitat e do nosso planeta (e temos retirado a um ritmo e com um impacto destruidor absolutamente arrepiante) e não naquilo que temos e podemos dar enquanto seres únicos e especiais, como cada ser é na sua singularidade e essência.

De uma forma geral pode-se dizer que se valoriza muito mais o “parecer” em vez do “ser”. Ou seja, todo o sistema faz-se em larga medida de imagens, aparências e muitas, mas muitas vezes, ilusões. Portugal é um país pródigo nesse estado de “encantamento” pós-consumista. Somos um dos países da Europa, quem sabe do mundo, com maior quantidade de auto-estradas (ao mesmo tempo que se deixa “apodrecer” sem qualquer investimento significativo a nossa outrora imensa rede ferroviária). Somos um dos países da Europa, e quem sabe do mundo, com uma das maiores taxas de centros comerciais por metro quadrado (ao mesmo tempo que se deixa caminhar para extinção estabelecimentos de comércio tradicionais, familiares, por vezes há gerações enraizados nas nossas comunidades). Somos um dos países do mundo com maior quantidade de telemóveis por pessoa (ao mesmo tempo que são cada vez mais os casos de idosos que morrem na mais abjecta solidão, sendo a sua morte notada somente quando os vizinhos começam a notar o fedor do corpo em decomposição). Já chega de paradoxos?

Diz-se também, e apesar de tudo, que os portugueses são um povo solidário, humano e com “bom coração”. Generalizações são sempre generalizações e entre os milhões de indivíduos que constituem a nossa população seremos certamente capazes de encontrar bons e maus exemplos disso mesmo.

É sempre difícil aferir em números muitos exactos a situação do voluntariado em Portugal. Na sua essência ele faz-se, e muito, de toda um conjunto de acções, projectos e campanhas também de carácter informal. Ou seja, um@ voluntári@ não tem necessariamente que estar registado ou desenvolver a sua actividade de voluntariado com um enquadramento “oficial”. Na realidade por vezes quanto mais “institucionais” ou “profissionalizadas” se tornam as instituições ou organizações pode haver uma tendência para a perda da essência do que é ou deveria ser o voluntariado. Noutros casos uma certa profissionalização ou organização mais estruturada, por assim dizer, pode permitir produzir uma maior eficiência em termos de projectos e acções. Mais uma vez não existem “fórmulas acabadas” ou perfeitas. Tudo está na capacidade de se encontrar um equilíbrio. Ou o “caminho do meio” como nos ensina o Budismo.

No que diz respeito ao conceito de “voluntariado” tenho de confessar que tenho, desde logo, algumas reservas no que diz respeito à utilização dessa designação. Pessoalmente tendo a ter maior simpatia pela designação “cidadania activa”. Ou seja, na minha visão pessoal o acto de “voluntariado” não se cinge, ou deveria cingir, à disponibilização de algumas horas da nossa agenda para dedicarmos a alguma acção, actividade ou organização sem fins lucrativos ou alguma causa de bem estar social e ambiental. De certa forma creio que o “voluntariado” ainda se encontra restrito a uma componente profundamente caritativa … Como explicar? Creio que é a velha máxima de que mais vale ensinar ou ajudar a plantar (isto para quem é vegetariano a analogia do “peixe” não é muito confortável do ponto de vista ético ;O) do que dar o alimento.

Ou seja, recorrendo a um exemplo: O período natalício é pródigo em acções de beneficência e solidariedade social. No período natalício parece que há um surto de uma febre que nos impele quase obsessivamente para sermos solidários. Em parte isso é bom. Por outro lado é um ímpeto em certa medida “limitado” na medida em que é inconsequente ou, muitas vezes, incoerente. Ou seja, temos por vezes indivíduos ou instituições que praticam e advogam práticas de profunda meritocracia social. Temos políticos, empresas, instituições que no seu dia a dia contribuem para uma maior precariedade e pobreza social (com o pagamento de salário baixos ou mesmo situações de eminente exploração laboral), ou com um conduta ecológica duvidosa, mas na altura de natal (e às vezes não só) surgem como os supra-sumos da beneficência e da “ajuda”. As campanhas “causa maior” e da “Leopoldina” são um exemplo incontornável. Ou seja, são empresas multinacionais, ou grandes superfícies, que se aliam a causas ou instituições de acção social ou ambiental mas no seu dia a dia praticam relações comerciais que lesam ou até eliminam comercialmente os pequenos e médios produtores (conduzindo-os muitas vezes à mesma pobreza que se gabam de ajudar a combater) ou têm uma atitude socialmente e ambientalmente bastante irresponsável, pois muitas vezes tudo aquilo que buscam é: o maior lucro possível ao menor custo possível.

Isto tudo para dizer que sim, acredito bastante no potencial do ser humano para fazer o bem. A nível individual temos exemplos extraordinários de indivíduos que isoladamente foram capazes de fazer coisas maravilhosas em prol do bem comum. E muitas vezes, para não dizer a maior parte das vezes, eles vivem no mais perfeito anonimato. Eles podem ser o seu vizinho do lado, o amigo da rede social, o jovem anónimo da escola do seu filho. Eles são milhares, milhões, e é graças a eles que todos os dias, em cada pequeno pedaço deste nosso maravilhoso planeta azul, mesmo numa época tão difícil e de esgotamento de um sistema, há magia e milagres a acontecer. Há “humanismo” naquilo que “humano” tem de melhor e mais positivo.

Acredito imenso no trabalho de muitas organizações governamentais e associações que às vezes com nada conseguem fazer quase tudo. Ao mesmo tempo que tantas e tantas vezes governos e entidades públicas, ou empresas e accionistas multi-milionários, com tudo mais não conseguem fazer do que nada. Ou então simplesmente desperdiçar e parasitar recursos que deveriam ser usados para o benefício comum de todos (um exemplo disso é o dinheiro que o nosso governo desperdiça a pagar mil e uma mordomias a gestores ou funcionários do aparelho de estado, ao mesmo tempo que usurpa, por exemplo, metade do subsídio de natal a milhares de trabalhadores que vivem num constante “tentar remediar”.)

Hoje em dia temos que ter muito cuidado nas nossas análises, percepções e visões da “realidade” (que hoje em dia é tão estruturada, por exemplo, pelos próprios meios de comunicação social, eles próprios tornados empresas de “entretenimento” e de venda de conteúdos) pois nem tudo o que parece é. E por vezes nem tudo o que é parece. E outra vezes aquilo que parece é exactamente o que é, se tivermos uma boa capacidade de estar atentos para compreendermos os fenómenos em toda a sua amplitude e profundidade.

Em suma: o voluntariado, muito mais do que acções esporádicas que muitas vezes mais não servem do que mitigar a nossa inércia quotidiana e indiferença face aos problemas e desafios de fundo da nossa sociedade, deverá passar por uma atitude cívica comprometida que se reflecte em todos os nossos actos e gestos do dia-a-dia. Como, onde e a quem comprar? O que realmente comprar ou não? Como e onde “investir” o nosso tempo … Que conteúdos consumir? etc. .

Ser voluntariado, ou activista social, é um estado de não resignação construtiva de querer “ir mais além” e de buscar reais alternativas a um sistema e a modelos de organização social que são evidentemente e cronicamente injustos e cruéis. (Que importa os senhores do Jet7 organizarem uma festa de beneficência – para exibirem os seus vestidos e penteados milionários – ao mesmo tempo que nas suas empresas ou aparelhos da burocracia estatal semeiam a pobreza, a exclusão e a destruição no nosso património natural e cultural? Que importa andarmos quase todos a sonhar ser iguais ou ter uma vida como eles?).

Ser voluntário é olhar para o que “está mal”, perceber porque realmente está mal (e muitas vezes somos nós próprios que alimentamos essas situações ou sistemas) e sobretudo ser capaz de perceber “quem” é que está realmente mal … e dar tudo por tudo, às vezes mais do que isso, para que à escala da nossa dimensão humana … as coisas, e sobretudo os seres, possam simplesmente estar bem, ou pelo menos um pouco melhor …

Nessa medida considero que “ser voluntário” ou activista (a palavra “acção” é simplesmente determinante) nunca é um processo acabado. É algo que se vai tentando ser e aprender durante toda a vida. Felizmente temos exemplos muito inspiradores a seguir para nos darem coragem. Felizmente temos também muito maus exemplos de fachada para nos ajudarem a decidir por onde não “devemos” ir. Quer uns, quer outros, têm esse tremendo potencial de nos serem úteis nessa caminhada rumo a uma sociedade mais justa, fraterna e igualitária. Rumo a um planeta mais sustentável onde saibamos viver de facto em harmonia com a ecologia dos diversos ecossistemas do planeta (algo que será simplesmente impossível de alcançar num sistema capitalista em que ao invés de aprendermos a viver com o que temos, e a utilizar com respeito e moderação o que temos, somos incentivados a buscar sempre mais e a desenvolvermos quase patologicamente novas necessidades e desejos cronicamente insaciáveis).

Por vezes algumas pessoas dizem-me que não sabem como ajudar ou como poderiam viver de forma diferente. Ou seja, quais são as alternativas?

As alternativas não sou eu, nem o Economista A, ou Doutor B, ou Mestre C que as tem. Todos as temos e ninguém as tem. As alternativas são as que desvendarmos nessa caminhada, desde logo interior, rumo, antes de tudo o mais, ao sermos o melhor de nós próprios. Não a sermos melhor que os outros ou a termos mais do que os outros. Sermos o melhor de nós próprios sendo o melhor que pudermos ser para os outros. E isso de ser melhor, vezes e vezes sem conta, não é só “fazer festinhas”. Também é, e há momentos em que tudo o que podemos dar de melhor é um abraço (grátis ;O), mas também há momentos em que o melhor que podemos fazer por alguém é dar-lhe um grito na hora certa. E, sobretudo, estarmos “vigilantes” para podermos dar os muitos gritos, nas muitas horas certas, que nós próprios precisamos de dar e escutar. “Temos um mundo novo nos nossos corações” [2] e às vezes tudo o que precisamos, para encontrar um verdadeiro sentido para nossa existência, nomeadamente através da forma como contribuímos para um mundo melhor para tod@s, é precisamente “escutar aquilo que de mais profundo o nosso coração tem para nos dizer”. E é infinito tudo aquilo que nós “recebemos” quando damos verdadeiramente do fundo do nosso coração.

É difícil? É, sem dúvida, mas temos todo o resto da nossa vida (que é tudo o que realmente temos nesse estado primordial de realmente nada possuirmos) para tentar e descobrir. E porque não começar … agora?

Como? Não sabe, bem no fundo do seu coração, como o fazer?

Pedro Jorge Pereira

Formador e Activista Eco-Social

[1] Wikipedia – A Encilcopédia Livre (2011). Trabalho Voluntário. [Em linha]. Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Voluntariado>. [Consultado em 15/07/2011]

[2] Durutti


Thursday, September 08, 2011

Conferência Vidas de (des)Emprego, 15 de Setembro, 14.30, Coimbra


Conferência Vidas de (des)Emprego,

15 de Setembro, 14.30,

Coimbra



Tenho o prazer de ser um dos intervenientes convidados. Vai ser sem dúvida muito interessante. Para quem for de Coimbra, ou estiver por perto (ou conhecer alguém e puder divulgar ;O)

Novas barragens = crimes - JN


Novas barragens = crimes - JN

excelente artigo, que remete para aquele que é um dos maiores crimes e falácia das últimas décadas em Portugal: o incrivelmente inútil e dispendioso (em tempos em que se corta a torto e a direito em tudo, menos no que se devia) plano nacional de barragens ... a ler e a divulgar!

Novas barragens = crimes

http://www.jn.pt/Opiniao/default.aspx?content_id=1981816&opiniao=Daniel%20Deusdado

00h40m

O JN trazia esta semana dois artigos que se interligam profundamente. Num, o Norte como região turística preferida dos portugueses, sobretudo pela natureza e paisagem. No outro, o retrato da futura barragem do Tua. Questão: é possível destruir um rio como o Tua e manter-se a ficção de que o turismo é o maior activo do país?

As barragens foram propagandeadas por Salazar como o milagre da energia barata e são hoje responsáveis por uma parte da produção de electricidade nacional, além de terem melhorado o controlo do caudal dos rios. Foi assim por todo o Mundo. Mas já se evoluiu muito desde então e hoje percebe-se melhor que elas têm um custo implícito, porque os ecossistemas vão sendo profundamente alterados e a nossa saúde paga todos os dias a factura...

Infelizmente, para a maioria das pessoas, isto é conversa. O que importa é se a conta da luz é mais barata. Começo então por aqui: o plano de barragens posto em marcha pelo Governo Sócrates inclui uma engenharia financeira tipo "scut" cujo custo só vamos sentir daqui a uns anos de forma brutal - e aí já será tarde. Uma plataforma de organizações ambientais entregou esta semana à troika um documento que explica onde nos leva o plano da outra "troika" (Sócrates-Manuel Pinho-António Mexia). As 12 obras previstas que incluem novas barragens e reforço de outras já existentes produzem apenas o equivalente a três por cento de energia eléctrica do país, mas vão custar ao Orçamento do Estado e aos consumidores 16 mil milhões de euros... O documento avisa que a conta da electricidade vai, a prazo, incluir um agravamento de 10% para suportar mais este negócio falsamente "verde". A EDP, a Iberdrola, etc., receberão um subsídio equivalente a 30% da capacidade de produção, haja ou não água para produzir. Mesmo paradas, recebem. A troika importa-se com isto?

Os especialistas das organizações ambientais dizem, desde o princípio, que as novas barragens poderiam ser evitadas se houvesse aumento de capacidade das barragens existentes. Era mais barato e a natureza agradecia. Infelizmente a EDP apostou milhões para conseguir novas barragens, e isso incluiu antecipação de pagamentos de licenças que ajudaram o ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos a cobrir uma parte do défice de 2009, além da mais demagógica e milionária campanha publicitária da década, em que se fazia sonhar com barragens como se fossem os melhores locais do Mundo para celebrar a natureza...

Estes monstros de betão vão agora destruir dois rios da região do Douro, desnecessariamente. O Sabor, por exemplo, é uma jóia de natureza ainda selvagem. À medida que o turismo ambiental cresce globalmente, mais Portugal teria a ganhar com um Parque Natural do Douro Internacional ainda inóspito, genuíno. Já não será assim. A barragem em construção inclui uma albufeira de 40 quilómetros onde se manipula o rio de trás para a frente, com desníveis súbitos, acabando com a vida fluvial endógena e o habitat das espécies em redor.

Não menos grave é a destruição do rio Tua e da centenária linha do comboio. Uma vez mais o argumento é "progresso" - os autarcas e as populações acreditam que os trabalhadores da construção civil, que por ali vão andar por uns anos a comer e a dormir nas pensões locais, garantem a reanimação da economia... Infelizmente, não vêem o fim definitivo daquela paisagem e da mais bela história ferroviária de Portugal. Uma linha erigida a sangue, suor e lágrimas. Única. E que deveria ali ficar, mesmo que não fosse usada ou rentável, até ao dia em fosse entendida como um extraordinário monumento da engenharia humana e massivamente visitada enquanto tal.

Ao deixarmos cometer mais estes crimes, em troca de um mau negócio energético, não percebemos mesmo qual o nosso papel no Mundo. Esquecemos que a Natureza nos cobra uma factura muito pesada quando destruímos a fauna e a flora. Estamos a comprometer a qualidade da água e das colheitas de que precisamos para viver, com consequências para a nossa saúde e a das gerações vindouras. Se ainda não sabemos isto, sabemos zero. E ainda por cima vamos pagar milhões. É triste.

Wednesday, August 24, 2011

Programa Nacional de Barragens

Uma reportagem bem elucidativa do tremendo embuste e desastre económico, social e ecológico que é o plano nacional de barragens, que serve apenas o interesse de alguns accionistas gananciosos da Edp e sobretudo as grandes construtoras, sempre ávidas se plantar mais betão e cimento por muito inútil que estes possam ser ... urge denunciar e sobretudo renunciar a este modelo de crescimento rápido que tanto tem destruído e descaracterizado no nosso país ...

Tuesday, August 16, 2011

algumas fotos da Oficina "da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia", Feira Alternativa - Porto




Comunidade de Tamera



Para quem não acredita que existem alternativas ao sistema de consumo capitalista, ao neoliberalismo, que é o expoente máximo da insustentabilidade de uma determinada sociedade e que consiste no cerne dos graves problemas ecológicos e sociais que caracterizam a nossa sociedade ainda tão insustentável. Novos paradigmas, valores e, também, estilos de vida são essenciais para voltarmos a viver de uma forma sustentável e para encontrarmos um verdadeiro equilíbrio ecológico naquilo que somos e fazemos. Exemplos como os de Tamera são sem dúvida inspiradores! e muito!!

Monday, August 08, 2011

Thursday, August 04, 2011

Acção pelo acesso ao Transporte Público e Justiça Social

Acção pelo acesso ao Transporte Público e Justiça Social

No início deste mês aquele que é um direito e uma necessidade fundamental dos cidadãos portugueses – o direito a uma mobilidade pública e sustentável – viu-se atacado com um novo aumento (e que aumento!) dos preços dos títulos e assinaturas mensais de viagem. É uma medida baseada em objectivos meramente economicistas sem qualquer consideração pelas repercussões em termos de (in)justiça social e económica que essa mesma medida implica. Já para não falar das repercussões em termos ambientais, com um desincentivo tácito à utilização e acesso "democrático" ao transporte público. Nesse sentido considero que é tempo dos cidadãos agirem de forma a manifestarem a sua oposição e não aceitação dessa medida. Creio que a resignação passiva de medidas desta natureza é o principal motivo pelo qual elas são aplicadas e pelo qual as desigualdades e injustiças sociais ao invés de se atenuarem se têm vindo, bem pelo contrário, a agravar cada vez mais. Esta carta aberta é um primeiro esforço no sentido de manifestar a minha/nossa oposição, gesto que convido outros cidadãos a tomar. Mas gostaria de ver e ajudar a dinamizar outro tipo de iniciativas e formas de acção cívica.

Manifeste a sua própria indignação escrevendo para:


Secretaria de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

imprensamoptc@moptc.gov.pt


Sociedade Metro do Porto

metro@metro-porto.pt


Sociedade de Transportes Colectivos do Porto

provedor@stcp.pt

geral@stcp.pt


com conhecimento (cc:) para:

Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos

sugestoes@muss.org


e eventualmente para os órgãos de comunicação social.


Pela igualdade e justiça social, pelos ideais cada vez mais longínquos de "Abril"

Pedro Jorge Pereira


Cópia da carta enviada:

Matosinhos, 4 de Agosto de 2011


Exmo/as Senhores/Senhoras:

Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações,

Membr@s do Conselho de Administração da Metro do Porto,

Membr@s do Conselho de Administração da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto,

Quando no início deste mês me dirigi a uma das estações de venda automática para efecutar a renovação da minha assinatura mensal Andante, fiquei completamente chocado com a exorbitância do valor apresentado.

Para um passe modal de 3 zonas costumava efectuar o pagamento de 31,75 euros, valor, a meu ver, já de si bastante elevado e até exorbitante considerando o custo comparativo dos transportes públicos em diversos países da Europa onde o nível de vida é comparativamente bem mais elevado. Qual não foi o meu espanto, e indignação, por verificar que procederam a um aumento, sem qualquer consulta ou diálogo com aqueles a quem os transportes públicos são suposto servir - os utentes - de nada mais, nada menos, 4,75 euros!!! O equivalente a um aumento de cerca de 15% do valor total do passe.

Não sei se @s Exm@s senhores/senhoras têm noção do que representa o valor de 4,75 euros no orçamento já de si “depenado” da maior parte das famílias de classe dita baixa e média (em vias de extinção graças às políticas neoliberais e que estão a conduzir o país a uma espécie de “sul-americanização” da sociedade). Como certamente não farão parte dessas classes bastante desfavorecidas, que por sinal também são as que mais recorrem aos transportes públicos, imagino que deva ser difícil imaginar o peso de tal acréscimo de despesa.

Segundo os padrões, por exemplo, das viaturas que provavelmente a generalidade dos secretários de estado (imagino que dos transportes, e com alguma ironia à mistura, não seja excepção) e dos membros dos conselhos administrativos das sociedades de transporte utilizam para se deslocar para os respectivos postos de trabalho, tipicamente viaturas topo de gama de alta cilindrada, 15% equivaleria talvez a um aumento de cerca de 50 a 100 euros (contas assim muito por baixo) do valor que despendem mensalmente em combustível para as mesmas.

Considerando por exemplo o valor do ordenado mínimo nacional, cerca de 5 euros representa mais do que 1% do valor líquido de rendimento de um trabalhador. É de salientar que normalmente esses trabalhadores não usufruem de qualquer ajuda de custo ou benefício extraordinário, pelo que o valor total do seu ordenado tem de ser suficiente para garantir as condições mínimas de sobrevivência

(esse é mesmo o termo mais adequado), ou seja: habitação, alimentação, saúde, educação dos seus filhos (que por norma não frequentam estabelecimentos privados onde a propina mensal é muitas vezes superior ao próprio ordenado mínimo nacional). Dessa forma, 5 euros, quando sobra, é quase o valor que sobra para qualquer investimento para além do estritamente essencial. Como por exemplo uma ida ao cinema, ao teatro, a um concerto, parte do valor para aquisição de um livro.

Por todos estes factores considero que o transporte público deveria ser de facto público e não cada vez mais um luxo que se está a tornar inacessível para muitas pessoas.

Sou um convicto defensor do transporte público e da mobilidade ecológica. Nesse sentido é com imensa consternação que verifico que aqueles que deveriam defender e promover o transporte público são os primeiros a fazê-lo numa lógica meramente economicista e sem qualquer noção da realidade social e económica da generalidade dos utentes. Ou a haver noção não haverá certamente grande consideração pela mesma.

Numa altura em que decidem castigá-los com uma ainda maior carga financeira, interrogo-me sobre que esforços e iniciativas já tomaram para, por exemplo, diminuir os custos em termos de gastos na secretaria de Estado em causa e nas Sociedades de Públicas de Transportes respectivas. Nomeadamente se foram já tomadas algumas medidas no sentido de, por exemplo, suprimir a frota automóvel privada destinada a servir os membros do conselho de administração das entidades em causa. Não deveriam ser os primeiros a usar exclusivamente os mesmos transportes públicos que tutelam e administram? E se foram contabilizados os gastos que seriam dessa forma eliminados? Ou se houve um ajustamento (que tão facilmente exigem ao cidadão comum) dos honorários auferidos pelos membros da dita secretaria de estado e dos ditos conselhos administrativos? Ou se houve qualquer outra medida capaz de dar alguma legitimidade moral à medida que tão arbitrariamente tomaram de proceder a um novo aumento exorbitante das assinaturas mensais e bilhetes individuais. Ainda para mais quando já no início deste ano se tinha verificado um aumento considerável.

Considero essa medida socialmente e economicamente injusta, imoral e prepotente. Nesse sentido manifesto a minha total oposição à mesma e informo que tenciono manifestar-me das formas que forem consideradas oportunas, eventualmente em conjunto com outros utentes descontentes, para impedir a sua aplicação. Convido ainda tod@s os cidadãos e cidadãs inconformados com este acto de política e gestão injusta a juntarem-se em iniciativas públicas de oposição.

Pelo transporte público de facto público! Pelo direito dos cidadãos a uma mobilidade de qualidade justa.

Fico atenciosamente a aguardar resposta.

O utente:

Pedro Jorge Pereira

Formador e Educador Eco-Social

ecotopia2012@gmail.com

Tuesday, August 02, 2011

As Organizações Não Governamentais de Ambiente dizem “Não Obrigado!” ao Fundo Baixo Sabor

Um gesto louvável de coerência das ONGA´s face à hipocrisia da EDP que continua a tentar implementar uma política de “lavagem verde” sistemática da sua acção de destruição em massa de muitos dos habitates selvagens ainda preservados de Portugal. O Baixo Sabor é um dos exemplos mas trágicos dessa atroz destruição hidroeléctrica …



Comunicado de Imprensa

22 de Julho de 2011 (embargo às 5h da manhã)

As Organizações Não Governamentais de Ambiente dizem “Não Obrigado!” ao Fundo Baixo Sabor



As Organizações Não Governamentais de Ambiente boicotam o concurso de 2011 para o Fundo Baixo Sabor como protesto contra a destruição de ecossistemas de elevado valor ambiental por decisão do governo e da EDP. As principais ONGA dizem: “Não Obrigado! Abdicamos do Fundo Baixo Sabor enquanto se persistir nesta política de secundarizar as questões de ambiente e de desrespeito dos compromissos assumidos por Portugal em relação à protecção da Biodiversidade e da qualidade da água.



O desenvolvimento das obras do empreendimento hidroeléctrico do Baixo Sabor, já com dois anos de percurso, mostra que as preocupações ambientais do governo e da EDP são secundárias, pois os relatórios periódicos entregues à comissão de acompanhamento ambiental mostram fortes impactes negativos e um desfasamento considerável entre as propostas de correcção dos problemas e a sua real implementação no terreno. O decorrer da obra tem revelado muitos problemas nos processos de monitorização, na poluição gerada e na afectação da fauna e flora das zonas intervencionadas.

A fraude é ainda maior, quando se constata que o “Fundo para a Conservação na Natureza e da Biodiversidade”, cujo prazo de candidatura termina hoje, exclui da tipologia de operações a aprovar os projectos de conservação da natureza e da biodiversidade.



Neste sentido, as principais ONGA de Portugal decidiram prescindir de candidatar-se ao Fundo Baixo Sabor de 2011 (este ano no valor de 800 mil de euros), como forma de protesto e em nome da transparência e da verdade sobre os impactes negativos das grandes barragens. As ONGA não se opõem à existência de fundos de Conservação da Natureza. As ONGA censuram, sim, a postura hipócrita dos governos que concedem licenciamentos causadores de capacidade destrutiva às empresas, em troca de programas de distribuição de verbas que, potencialmente, poderão ter valências positivas para o ambiente, a aplicar numa área que pode não corresponder à zona mais afectada pela destruição. O Estado e a EDP procedem assim a uma reprovável campanha de greenwashing, destinada essencialmente a mostrar uma postura de preocupação ambiental que não possuem, numa perspectiva de convencer as populações das zonas afectadas e das zonas a afectar em futuros empreendimentos, que a destruição da biodiversidade tem mais valor económico que a sua protecção. Tudo isto com o dinheiro dos consumidores que pagam na factura, com ou sem vontade.



Para que se compreenda melhor o processo é relevante informar que o Fundo do Aproveitamento Hidroeléctrico do Baixo Sabor (AHBS), aqui designado por Fundo Baixo Sabor, foi criado pelo Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, por Despacho nº 14136/2010 (2ª Série), de 9 de Setembro e aprovado o seu Regulamento de Gestão, posteriormente alterado pelo Despacho nº 18872/2010 (2ª Série), de 21 de Dezembro. De acordo com as indicações do estado português, a EDP vai depositar uma verba anual de 800 mil euros no fundo financeiro durante os 75 anos da concessão da barragem do Baixo Sabor. Este valor é depois cobrado na factura de electricidade, pelo que, na verdade, a EDP não pagará nada, apenas aumentará o que cobra pelos serviços do monopólio que detém.



As políticas de ordenamento do território e de conservação da natureza levadas a cabo nas últimas décadas têm subvalorizado as questões ambientais, têm provocado fortes impactos negativos no património natural e têm tratado os ecossistemas e as espécies ameaçadas com a delicadeza de um rolo compressor. Raramente se tem atribuído aos ecossistemas e à Biodiversidade a importância que os mesmos têm para as populações humanas pelos serviços actualmente prestados e por prestar, a médio e longo prazo. Não há apostas na valorização dos recursos naturais numa perspectiva de sustentabilidade, no sentido de melhorar a vida das populações humanas. Mais ainda, o Estado vai-se demitindo das suas obrigações em termos de conservação da natureza e de garantia da qualidade da água e coloca as empresas a pagar projectos de compensação ambiental.



Por tudo isto, as ONGA abaixo indicadas dizem “Não Obrigado! Abdicamos do Fundo Baixo Sabor” enquanto se persistir na secundarização das questões ambientais e na continuação de políticas com forte destruição da Biodiversidade, enquanto se pretender calar as instituições com a distribuição de financiamento para actividades e acções que não conseguem repor sequer uma pequena parte do património perdido.



ONGA aderentes ao boicote:

Contactos:



- FAPAS: Paulo Santos (96 7064913)

- GEOTA: João Joanaz de Melo (96 2853066)

- LPN: João Camargo (96 4656033)

- Quercus: Nuno Sequeira (93 7788474)

- SPEA: Domingos Leitão (96 9562381)

Oficina de Escrita Criativa e Jamming Cultural - trabalhos

agora mais duas das "obras-primas" resultantes da Oficina de Escrita Criativa e Jamming cultural, de 6 e 14 de Julho.

Autora: Isa









Tuesday, July 26, 2011

Procuro Tradutor@s para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção











Procuro Tradutor@s para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção Procuro Tradutor@s para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção Se tens conhecimentos e prazer na tradução e és sensível às questões sociais e ambientais talvez te interesse colaborar com diversos projectos que dinamizo nessas áreas.

Basicamente o objectivo será tradução de alguns textos e materiais relacionados com as temáticas de intervenção dinamizadas.

Como são projectos não financiados infelizmente para já não há a possibilidade de pagar monetariamente pela colaboração. Mas há a possibilidade de “trocar” os trabalhos de tradução pela participação gratuíta nas diferentes oficinas e actividades dinamizadas no decorrer dos projectos.


Mantêm-se ainda a procura também de designers e/ou artistas gráficos.

Os blogs de alguns dos projectos, e respectivos links, podem ser vistos em:


Segredos da Horta - Alimentação Vegetariana Natural
http://segredosdahorta.blogspot.com/

Be the Change you want to see in the world"
http://thechange2004.blogspot.com/

Porto de Encontros
http://portodeencontros.blogspot.com/


Caso estejas interessad@ em colaborar ou em mais informações por favor contacta:


Pedro Jorge Pereira

ecotopia2012@gmail.com

93 4476236


Obrigado e até breve!



Friday, July 22, 2011

Biosfera 321 Obsolescência programada

Um excelente documentário sobre um dos mais “preversos” e inaceitáveis “estratagemas” do sistema de produção consumista: a obsolescencia programa - a produção para não durar … a produção para uma rápida inutilização que “obrigue” o consumidor a uma constante dependência do processo produção-consumo … é moralmente, éticamente e, claro, ecológicamente inaceitável mas é também uma das mais vincadas características deste sistema … e assim será até que nós consumidores e, sobretudo, cidadãos sejamos capazes de condenar este ciclo doentio de esbanjamento …


LIGAÇÃO:

http://www.faroldeideias.com/arquivo_farol/index.php?programa=Biosfera&id=1139



Sell you watch

Uma das "obras-primas" resultantes da Oficina de Escrita Criativa e Jamming cultural, de 6 e 14 de Julho.

Autor: Tozé Constantino
www.tozeconstantino.com

Uma mensagem que dá bem que pensar ;O)

Monday, July 18, 2011

Quercus alerta para o início da destruição da Paisagem património Mundial do Douro Vinhateiro









A face visível daquele que é um dos principais erros políticos, económicos, socais e, obviamente ecológicos, do nosso país: o Plano Nacional de Barragens …

Mesmo que os benefícios fossem imensos (e são, no mínimo, altamente duvidosos) tudo aquilo que se está a destruir é de uma dimensão aterradora … será que algo ou alguém irá conseguir travar este crime? Será que este governo irá prosseguir nos mesmos erros e visões retrógadas? Infelizmente tudo parece indicar que sim … mas a esperança é a última a morrer, ou a última a ser “afogada”.


Barragem da Foz do Tua

Quercus alerta para o início da destruição da Paisagem património Mundial do Douro Vinhateiro
http://www.quercus.pt/scid/webquercus/defaultArticleViewOne.asp?categoryID=567&articleID=3532

Iniciado formalmente um novo ciclo político, a Quercus - ANCN, através do Núcleo da Quercus de Vila Real e Viseu, não poderia deixar de alertar os novos responsáveis políticos nacionais para o atentado que se tem vindo a perpetrar contra o Douro Património da Humanidade classificado pela UNESCO em 2001, na Foz do rio Tua.

A lamentável ferida que se rasga na foz do rio Tua, com o início dos trabalhos de construção da Barragem do Tua, é já visível a quilómetros de distância, em diferentes locais de ambas as margens do Rio Douro.

A destruição do Vale do Tua, do rio, da paisagem, da linha centenária, da identidade da região a que se junta ainda o património classificado pela UNESCO, é no seu conjunto semelhante ao que aconteceu em Março de 2001 às estátuas dos Buda de Baiyman, património da Humanidade igualmente destruído.

É preciso repensar e inverter com urgência a anunciada sentença de morte do Vale do Tua e, nesse sentido, a Quercus apela aos novos decisores políticos que revejam não só o projecto da Barragem de Foz Tua, mas todas as barragens do Plano Nacional de Barragens com Elevada Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).

Com estas grandes construções, nomeadamente a Barragem de Foz Tua, para além de perdas irrecuperáveis no que toca ao património natural, cultural e humano, está também em causa a oportunidade de um desenvolvimento sustentável na região, assente na agricultura e no turismo de natureza, cultural e ferroviário.

No passado 10 de Junho, o Prof. Cavaco Silva, referia no seu discurso a necessidade de “mudança de atitude, de desenvolver uma estratégia clara de revalorização do interior do país, incentivando e apoiando aqueles que aqui vivem e trabalham” e ainda a ”aposta na agricultura e no turismo.”

Tal não poderá acontecer enquanto os sucessivos governos, com o apoio cego das autarquias locais, continuarem a destruir o território, o seu património único, a sua identidade, promovendo o abandono e a migração das suas gentes, a perda de referências locais e identitárias, as fontes de riqueza, os serviços, e entre muitos outros factores, também a motivação e a auto-estima.

É urgente alterar as políticas energéticas e os conceitos de desenvolvimento/progresso que se querem para o país; tendo como premissas a eficiência e a sustentabilidade, é preciso caminhar para o equilíbrio harmonioso entre o Homem e a Natureza. O Vale do Tua não pode ser sacrificado pelos interesses de alguns grupos económicos portugueses como sejam a EDP ou a Mota Engil.

É urgente rever as concessões e parcerias público privadas, tal como exige a `troika´ e como anunciado pelo novo Governo, sendo as barragens a 3ª Parceria Público Privada (PPP) mais cara para o país. E estimado que o custo total das novas barragens (durante a vida da concessão) seria cerca de 15 000 milhões Euros = 4600 € por família [1].

O que ganha um país quando destrói uma linha-férrea centenária que atravessa toda a região uma região interior que não tem outra alternativa que não uma futura auto-estrada com portagens? A Linha do Tua percorre Trás-os-Montes, lado a lado com um dos últimos rios livres de Portugal, serve as gentes locais, transporta milhares de turistas de todos os cantos do mundo e, com a sua ligação a Puebla de Sanabria e à Alta velocidade Espanhola, poderia trazer a casa, pelo Verão e pelo Natal, milhares de emigrantes transmontanos.

O que ganha um país quando destrói um vale milenar único como o vale do Tua, para aumentar a sua produção energética em algo tão insignificante como 0,7% [2]?

Os impactos da construção desta barragem são irreversíveis e hipotecam para sempre o futuro de Trás-os-Montes. É urgente um novo olhar para Trás-os-Montes e para o desenvolvimento transmontano, em particular, para o Vale do Tua.

Deste modo, o Núcleo Regional de Vila Real e Viseu da QUERCUS apela ao novo Governo de Portugal para que mande suspender as obras da barragem de Foz Tua para salvaguarda dos interesses locais e nacionais, bem como do Património Mundial.

Vila Real, 1 de Julho de 2011

O Núcleo Regional de Vila Real e Viseu
da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


[1] Memorandum- The Portuguese Dam Program: an economic and environmental disaster
GEOTA, FAPAS, LPN, Quercus, CEAI, Aldeia, COAGRET, Flamingo — April 2011

[2] A capacidade de produção prevista pelo Tua é de 350 Gwh/ ano o que corresponde á menos de 0.7% dos 52.2 TWh eléctricidade consumida em Portugal em 2010 (DGEG 2011).


Friday, July 15, 2011

O princípio do fim da era pós-industrial









O princípio do fim da era pós-industrial


Quem tem poucas coisas considera-se pobre e isso fá-lo sentir-se triste. Não há Papalagui algum que seja capaz de cantar e mostrar um olhar feliz se apenas possuir, como nós, uma esteira ” [1]


Prados verdejantes preenchendo o espaço até onde a vista alcança. Lavadeiras esfregando e curando as roupas nas margens do rio sereno. Crianças brincando em plena Natureza sem qualquer preocupação com o humor mutável do tempo. Lavradores transportando, em carroças puxadas por pujantes bois, as colheitas da estação. Barcos de pescadores remando no rio em busca do peixe que abunda e nada ao sabor das correntes.

Em todo este cenário o Rio Leça desempenha o papel principal. É em torno dele que se organiza, faz e sonha a vida. É a sua cadência e ritmos, marés e correntes, a lei mais suprema de toda a população ribeirinha. É o seu leito como o sangue que no corpo irriga a vida.

Mas este é o cenário de há cerca de 50 anos atrás. Sim, há cerca de 50 anos era assim a vida das populações de Matosinhos e Leça.

Cinquenta anos em que uma revolução silenciosa mas acutilante, subtil mas abrupta, chegou às águas do Rio Leça. Essa revolução foi chamada de diferentes formas.

Por conveniência chamaram-lhe “progresso”. Outros com um pouco mais de precisão histórica chamaram-lhe “industrialização”. Outros não lhe chamaram nada … foi simplesmente o que “naturalmente” aconteceu em quase todo o lado no nosso país e mesmo, ainda que em tempos diferentes, a uma escala praticamente global.

Num fenómeno de contornos amplos e complexos, de infindáveis possibilidades de estudo e reflexão, o que basicamente se pode dizer em relação ao Rio Leça (caso de estudo nesta reflexão), assim como a todo o cenário e habitat envolvente, é que … praticamente morreu. Foi o preço (ou uma parte dessa quantia incomensurável) a pagar para nos podermos ter tornado no que somos hoje em dia: Uma sociedade industrializada e capitalista global.

Dizem-nos que a vida era pobre, que a vida era dura, que a pobreza proliferava. E tudo isso é em grande medida verdade.

Dizem-nos que somos mais felizes, que a vida é mais fácil, que a riqueza se multiplicou. E tudo isso, em muitos aspectos, é em grande medida mentira.

Dizem-nos que temos hoje em dia maior qualidade de vida, mas afinal como é que se pode definir o que a qualidade de vida é realmente?

Será que todas as vicissitudes que a “vida moderna” nos trouxe estão inevitavelmente ligadas? É difícil conseguirmos ver, de uma forma muito objectiva, em que medida todas estas transformações contribuíram para que possamos viver hoje (os que ainda vivemos) melhor do que há 50 anos atrás.

Eu tive os confortos da vida moderna que os meus Pais não tiveram. Pude com relativa facilidade (naquilo que é uma facilidade, para cada vez mais famílias, mais difícil) ter acesso a educação superior. Não tenho que trabalhar de sol a sol para poder ter o suficiente para me alimentar.

Por outro lado foi já morto e sem vida que sempre conheci o Leça. Cresci sem correr pelos prados onde o meu Pai correu. Nunca pude sentir o cheiro vivo da terra e dos elementos (agora sufocados pelo cimento e betão da cidade que explodiu em direcção ao céu e ao horizonte). Muito menos pude alguma vez mergulhar ou sequer molhar os pés no Rio Leça (a não ser bem perto da nascente ainda impoluta) sem estar perto de cometer um acto semi-suicida ou de atentado à minha própria saúde.

O indivíduo moderno possui hoje (aquele que faz parte dessa elite planetária dos que de facto possuem) o acesso a uma panóplia de bens e serviços talvez sem precedentes na história da humanidade. Contudo não creio que essa profusão materialista se tenha, de uma forma geral, traduzido numa maior felicidade ou numa vida mais significativa e satisfatória para uma grande parte das pessoas. Na verdade o consumo de anti-depressivos nunca foi tão elevado. Ao ponto de em alguns países se colocar já em causa a qualidade da água de abastecimento público devido à quantidade de substâncias libertadas por esses fármacos quando ingeridas pelos indivíduos e depois expelidas através da urina.

À parte de toda a relatividade que a questão (ou questões) contém, um facto parece-me evidente e inequívoco: definir a qualidade de vida em termos daquilo que cada indivíduo possui é profundamente errado. A satisfação de determinadas necessidades (e o problema é que assim que umas se encontram satisfeitas logo outras tantas surgem para manter o ratinho consumidor a girar na grande roda do consumo desenfreado), o acesso a determinados bens, pode obviamente contribuir bastante para o bem-estar dos indivíduos. Se nos podemos alimentar bem, ter acesso a uma boa educação, usufruir de bons cuidados de higiene e saúde e se residimos uma zona agradável, limpa e com boas condições ambientais temos, em parte, todas as condições para ter uma boa qualidade de vida. No entanto o conceito de “qualidade de vida” é bem mais amplo do que isso. Há toda uma profusão de factores, condicionantes e dimensões individuais e sociais que são, ou deveriam ser, determinantes para definir os rumos a percorrer por uma determinada sociedade ou civilização no sentido de proporcionar uma boa qualidade de vida a todos os seus indivíduos. Há claro uma importante dimensão “material”, por assim dizer, mas há, ou deveria haver, uma dimensão espiritual ou, se quisermos, emocional ou psicológica.

A maior parte das grandes correntes ideológicas ocupam-se somente da vertente material das questões, nomeadamente em termos de produção de bens. Mas no essencial, por exemplo toda a sociedade consumista capitalista, baseia-se na criação de produtos que visam substituir o vazio espiritual e emocional que essa própria sociedade tem vindo a criar.

Por exemplo. Um dos valores primordiais do sistema capitalista é o culto do individualismo. Mas depois, em virtude do vazio gerado por relações sociais vazias, frias, impessoais, competitivas ou alicerçadas no estatuto, temos de recorrer ao consumo de toda uma profusão de produtos para nos “auto-compensarmos” emocionalmente. É a valorização do que se “tem” em detrimento do que se “é”. Do “ter” em vez do “ser”.

Voltando ao Rio Leça, que está longe de ainda o ser.

O Rio Leça é “meramente” um exemplo para enunciar aquilo que aconteceu por todo o nosso país num período histórico relativamente reduzido:

O nosso ambiente, as nossas paisagens, viram-se violentamente despidas de quase toda a sua rusticidade, ruralidade e … Natureza.

As cidades transformaram-se numa geografia “morta”, onde já nada se produz, já nada cresce a não ser o cimento e o betão. As cidades encheram-se de hordas e hordas de gentes fugindo da miséria do campo mas esvaziaram-se de … humanidade. Tem-se vindo a exterminar quase tudo o que ainda subsiste de “natural”, de “rural” e nem os próprios espaços ditos verdes o são verdadeiramente (numa perspectiva ecológica, em geral, pouco ou nada recriam de um habitat realmente natural).

As nossas paisagens descaracterizaram-se ao ponto de em tantos e tantos sítios já tão pouco sobrar da sua autenticidade.

Os próprios rios …Quase todos os rios foram represados por colossais barragens de betão que lhes retiraram a força e vigor natural de um rio … e um dos últimos rios selvagens que existia ainda em Portugal, para sabermos o que é verdadeiramente e autenticamente um rio … está já a ser aniquilado para produzir a energia que não queremos aprender a consumir com a moderação que a Natureza nos impõe.

Earth provides enough to satisfy every man's need, but not every man's greed

Na Terra existe o suficiente para as necessidades de todos os seres humanos mas não existe o suficiente para a sua ganância, dizia Mahatma Gandhi, naquilo que pode resumir de forma tão perfeita aquilo que é o essencial da questão.

Será que toda esta profusão materialista de carácter essencialmente individualista se tem vindo a traduzir numa maior felicidade ou bem-estar por parte dos indivíduos? Será que o estilo de vida moderno é um caminho credível para uma real felicidade e sentido de vida? Será que se pode falar, acima de tudo, de “qualidade de vida”?

Antes de tudo o mais talvez seja de enorme pertinência reflectir sobre o real custo, ou seja, a factura em termos ambientais, sociais e económicos que o sistema produtivo actual (orientado nada mais, nada menos, para o desperdício) implica.

Vivemos na “era do descartável” o que significa que a esmagadora maioria daquilo que é produzido é-o para somente uma utilização (nas vezes em que chega sequer a ser utilizado) e em muitos casos para ser usado por breves segundos. [2]

Não pretende toda esta reflexão ser uma apologia de “regresso ao passado”, de total renúncia àquilo que somos e nos tornamos enquanto projecto de civilização. Creio essencialmente que urge fazer aquilo que nunca foi verdadeiramente feito: Uma profunda reflexão.

Reflectirmos verdadeiramente no caminho que queremos e, sobretudo, podemos seguir. Creio que este caminho de plena destruição ecológica é, por inerência, comprometedor de quaisquer perspectivas de sobrevivência planetária, como de resto se está a manifestar nos diversos fenómenos e crises ecológicas, sociais e económicas actuais.

Não creio, sobretudo, que para ganharmos tudo aquilo que supostamente ganhamos tivéssemos que perder tudo aquilo que perdemos, e que os nossos pais ainda tiveram.

Não creio que o Rio Leça tivesse que ter sido assassinado para nos podermos ter tornado no que somos actualmente. E perdemos tanto!

Não creio que nenhuma civilização se possa desenvolver e, antes de tudo, encontrar e definir enquanto civilização, desprovida das suas raízes, identidade e essência. E a nossa essência depende sempre da nossa relação umbilical com a Mãe Natureza, com os ciclos e ritmos da terra. A nossa qualidade de vida depende, em larga medida, mais do que qualquer indicador sócio-económico, da forma como formos capazes de nos integrar na paisagem que herdamos, na forma como somos capazes, para viver, de manter vivos, funcionais e plenos de vitalidade todos os elementos vivos da própria paisagem Natural. Dito de outra forma: de mantermos os ecossistemas vivos e saudáveis. E por vezes são de facto os países que em certos aspectos revelam mais essa capacidade (os países nórdicos por exemplo) os que possuem, simultaneamente, melhores resultados em termos de índices de desenvolvimento humano, entre outros indicadores sócio-económicos.

A água é essencial à vida. Mas tornamos o Leça num esgoto e a água chega-nos agora de longe. Para além disso, tem que ser impregnada de toda uma série de substâncias químicas, lixívias nomeadamente, para lhe podermos chamar algo como potável.

A terra e o alimento que ela produz é essencial para algo tão básico como nos alimentarmos. Mas as hortas e terras agrícolas outrora férteis e abundantes deram lugar à insana miragem da especulação imobiliária desenfreada. E assim ganhou Matosinhos e Leça em cimento e altura aquilo que perdeu, e tanto, de ligação com a própria terra.

Teria que ter sido assim? Não podia ter sido de outra forma? Não podemos negar a nossa história mas muito menos a responsabilidade que temos em cada momento histórico das acções e decisões que tomamos enquanto sociedade e projecto de civilização. Seja movidos pela consciência, pela necessidade ou simplesmente pelo sacro-santo lucro, a verdade é que há sempre algo que de uma forma ou outra nos move, as circunstâncias não são um mero reflexo de condicionantes históricas transcendentes.

Não sei se algum dia o meu Pai voltará a ver o Leça “a respirar”. Não sei sequer se o meu filho terá algum dia esse privilégio agora quase utópico. Mas acredito convictamente que temos que reencontrar as nossas raízes, que voltar à terra, se queremos que a espécie humana e muitas outras espécies animais e vegetais - que estamos de forma selvagem a destruir - continuem a poder viver neste planeta.

Acredito convictamente que a qualidade de vida se define pela forma como somos capazes de nos integrar nos ecossistemas ecológicos naturais de forma harmoniosa, humilde e mantendo vivos os seus elementos e dinâmicas naturais. Creio que se define ainda pela forma como somos capazes de construir sociedades norteadas pela busca de um bem-estar comum, pela construção de relações sociais providas de sentido e profundidade, e pela existência de uma forte espírito cooperativo de fraternidade e acção solidária.

Creio que o caminho, ou os caminhos, que temos vindo a seguir nesta era industrial não poderiam ser, de forma clara e predominante, mais na direcção oposta.

Só tendo noção desse facto enquanto sociedade, só quando despertarmos do transe consumista, materialista e egoísta em que estamos mergulhados, é que poderemos partir noutras direcções e caminhos, tentando encontrar e reencontrar novos sentidos para a nossa vida social e individual.

Caminhos esses que terão de ser encontrados não nas fórmulas tecnocráticas esgotadas e repetidas até à exaustão (sua e do planeta) mas na capacidade de ousarmos sonhar e semear uma mundo novo, em muitos aspectos mais parecido com aquilo que ele era antes de nos termos deixado industrializar de forma tão exacerbada. Temos imenso a aprender com aquilo que éramos, com aquilo que nos tornamos mas, e ainda mais, com toda a criatividade naquilo que podemos ser enquanto projecto pós-industrial (porquê pós-industrial? Porque não acredito minimamente na viabilidade prática e filosófica de manutenção deste sistema por inerência “insustentável”). Temos imenso a aprender se formos criativos e ousarmos sonhar voltar a tomar banho no Rio Leça. Quando isso acontecer viveremos num habitat capaz de nos proporcionar toda uma qualidade de vida não aferível por qualquer indicador macro-económico mas sobretudo pelos risos dos nossos filhos brincando e chapinhando na água.

Não me parece que o iminente colapso do sistema capitalista industrial (nomeadamente pelo cada vez mais dispendioso acesso àquela que é a sua matéria prima mais fulcral: o petróleo) nos deixe grande margem para fazermos outra coisa que não essa: repensarmos numa nova sociedade pós-carbono e pós-industrial. E há já muitos indivíduos e comunidades criativas e alternativas pelo mundo fora que estão já a fazer dessa reflexão a sua prática e estilo de vida. [3]

Não será que o próprio Leça merece também que façamos esse esforço por ele (e, por inerência, por nós próprios)?


Artigo publicado inicialmente para Barómetro Social:

O princípio do fim da era pós-industrial (I)

http://barometro.com.pt/archives/354

O princípio do fim da era pós-industrial (II)

http://barometro.com.pt/archives/358


[1] Scheurmann, Erich. (2003). “O Papalagui”, Lisboa, Edições Antígona

[2] Beaven, Colin. (Outubro de 2009, 1ªEd.). “Impacto Zero – As aventuras de um cidadão comum que tenta salvar o Planeta”, Carnaxide, Editora Objectiva

[3] Dawson, Jonathan. (Junho de 2010). “Ecoaldeias – Novas Fronteiras para a Sustentabilidade, Águas Santas, Edições Sempre em Pé