Wednesday, August 24, 2011

Programa Nacional de Barragens

Uma reportagem bem elucidativa do tremendo embuste e desastre económico, social e ecológico que é o plano nacional de barragens, que serve apenas o interesse de alguns accionistas gananciosos da Edp e sobretudo as grandes construtoras, sempre ávidas se plantar mais betão e cimento por muito inútil que estes possam ser ... urge denunciar e sobretudo renunciar a este modelo de crescimento rápido que tanto tem destruído e descaracterizado no nosso país ...

Tuesday, August 16, 2011

algumas fotos da Oficina "da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia", Feira Alternativa - Porto




Comunidade de Tamera



Para quem não acredita que existem alternativas ao sistema de consumo capitalista, ao neoliberalismo, que é o expoente máximo da insustentabilidade de uma determinada sociedade e que consiste no cerne dos graves problemas ecológicos e sociais que caracterizam a nossa sociedade ainda tão insustentável. Novos paradigmas, valores e, também, estilos de vida são essenciais para voltarmos a viver de uma forma sustentável e para encontrarmos um verdadeiro equilíbrio ecológico naquilo que somos e fazemos. Exemplos como os de Tamera são sem dúvida inspiradores! e muito!!

Monday, August 08, 2011

Thursday, August 04, 2011

Acção pelo acesso ao Transporte Público e Justiça Social

Acção pelo acesso ao Transporte Público e Justiça Social

No início deste mês aquele que é um direito e uma necessidade fundamental dos cidadãos portugueses – o direito a uma mobilidade pública e sustentável – viu-se atacado com um novo aumento (e que aumento!) dos preços dos títulos e assinaturas mensais de viagem. É uma medida baseada em objectivos meramente economicistas sem qualquer consideração pelas repercussões em termos de (in)justiça social e económica que essa mesma medida implica. Já para não falar das repercussões em termos ambientais, com um desincentivo tácito à utilização e acesso "democrático" ao transporte público. Nesse sentido considero que é tempo dos cidadãos agirem de forma a manifestarem a sua oposição e não aceitação dessa medida. Creio que a resignação passiva de medidas desta natureza é o principal motivo pelo qual elas são aplicadas e pelo qual as desigualdades e injustiças sociais ao invés de se atenuarem se têm vindo, bem pelo contrário, a agravar cada vez mais. Esta carta aberta é um primeiro esforço no sentido de manifestar a minha/nossa oposição, gesto que convido outros cidadãos a tomar. Mas gostaria de ver e ajudar a dinamizar outro tipo de iniciativas e formas de acção cívica.

Manifeste a sua própria indignação escrevendo para:


Secretaria de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

imprensamoptc@moptc.gov.pt


Sociedade Metro do Porto

metro@metro-porto.pt


Sociedade de Transportes Colectivos do Porto

provedor@stcp.pt

geral@stcp.pt


com conhecimento (cc:) para:

Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos

sugestoes@muss.org


e eventualmente para os órgãos de comunicação social.


Pela igualdade e justiça social, pelos ideais cada vez mais longínquos de "Abril"

Pedro Jorge Pereira


Cópia da carta enviada:

Matosinhos, 4 de Agosto de 2011


Exmo/as Senhores/Senhoras:

Secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações,

Membr@s do Conselho de Administração da Metro do Porto,

Membr@s do Conselho de Administração da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto,

Quando no início deste mês me dirigi a uma das estações de venda automática para efecutar a renovação da minha assinatura mensal Andante, fiquei completamente chocado com a exorbitância do valor apresentado.

Para um passe modal de 3 zonas costumava efectuar o pagamento de 31,75 euros, valor, a meu ver, já de si bastante elevado e até exorbitante considerando o custo comparativo dos transportes públicos em diversos países da Europa onde o nível de vida é comparativamente bem mais elevado. Qual não foi o meu espanto, e indignação, por verificar que procederam a um aumento, sem qualquer consulta ou diálogo com aqueles a quem os transportes públicos são suposto servir - os utentes - de nada mais, nada menos, 4,75 euros!!! O equivalente a um aumento de cerca de 15% do valor total do passe.

Não sei se @s Exm@s senhores/senhoras têm noção do que representa o valor de 4,75 euros no orçamento já de si “depenado” da maior parte das famílias de classe dita baixa e média (em vias de extinção graças às políticas neoliberais e que estão a conduzir o país a uma espécie de “sul-americanização” da sociedade). Como certamente não farão parte dessas classes bastante desfavorecidas, que por sinal também são as que mais recorrem aos transportes públicos, imagino que deva ser difícil imaginar o peso de tal acréscimo de despesa.

Segundo os padrões, por exemplo, das viaturas que provavelmente a generalidade dos secretários de estado (imagino que dos transportes, e com alguma ironia à mistura, não seja excepção) e dos membros dos conselhos administrativos das sociedades de transporte utilizam para se deslocar para os respectivos postos de trabalho, tipicamente viaturas topo de gama de alta cilindrada, 15% equivaleria talvez a um aumento de cerca de 50 a 100 euros (contas assim muito por baixo) do valor que despendem mensalmente em combustível para as mesmas.

Considerando por exemplo o valor do ordenado mínimo nacional, cerca de 5 euros representa mais do que 1% do valor líquido de rendimento de um trabalhador. É de salientar que normalmente esses trabalhadores não usufruem de qualquer ajuda de custo ou benefício extraordinário, pelo que o valor total do seu ordenado tem de ser suficiente para garantir as condições mínimas de sobrevivência

(esse é mesmo o termo mais adequado), ou seja: habitação, alimentação, saúde, educação dos seus filhos (que por norma não frequentam estabelecimentos privados onde a propina mensal é muitas vezes superior ao próprio ordenado mínimo nacional). Dessa forma, 5 euros, quando sobra, é quase o valor que sobra para qualquer investimento para além do estritamente essencial. Como por exemplo uma ida ao cinema, ao teatro, a um concerto, parte do valor para aquisição de um livro.

Por todos estes factores considero que o transporte público deveria ser de facto público e não cada vez mais um luxo que se está a tornar inacessível para muitas pessoas.

Sou um convicto defensor do transporte público e da mobilidade ecológica. Nesse sentido é com imensa consternação que verifico que aqueles que deveriam defender e promover o transporte público são os primeiros a fazê-lo numa lógica meramente economicista e sem qualquer noção da realidade social e económica da generalidade dos utentes. Ou a haver noção não haverá certamente grande consideração pela mesma.

Numa altura em que decidem castigá-los com uma ainda maior carga financeira, interrogo-me sobre que esforços e iniciativas já tomaram para, por exemplo, diminuir os custos em termos de gastos na secretaria de Estado em causa e nas Sociedades de Públicas de Transportes respectivas. Nomeadamente se foram já tomadas algumas medidas no sentido de, por exemplo, suprimir a frota automóvel privada destinada a servir os membros do conselho de administração das entidades em causa. Não deveriam ser os primeiros a usar exclusivamente os mesmos transportes públicos que tutelam e administram? E se foram contabilizados os gastos que seriam dessa forma eliminados? Ou se houve um ajustamento (que tão facilmente exigem ao cidadão comum) dos honorários auferidos pelos membros da dita secretaria de estado e dos ditos conselhos administrativos? Ou se houve qualquer outra medida capaz de dar alguma legitimidade moral à medida que tão arbitrariamente tomaram de proceder a um novo aumento exorbitante das assinaturas mensais e bilhetes individuais. Ainda para mais quando já no início deste ano se tinha verificado um aumento considerável.

Considero essa medida socialmente e economicamente injusta, imoral e prepotente. Nesse sentido manifesto a minha total oposição à mesma e informo que tenciono manifestar-me das formas que forem consideradas oportunas, eventualmente em conjunto com outros utentes descontentes, para impedir a sua aplicação. Convido ainda tod@s os cidadãos e cidadãs inconformados com este acto de política e gestão injusta a juntarem-se em iniciativas públicas de oposição.

Pelo transporte público de facto público! Pelo direito dos cidadãos a uma mobilidade de qualidade justa.

Fico atenciosamente a aguardar resposta.

O utente:

Pedro Jorge Pereira

Formador e Educador Eco-Social

ecotopia2012@gmail.com

Tuesday, August 02, 2011

As Organizações Não Governamentais de Ambiente dizem “Não Obrigado!” ao Fundo Baixo Sabor

Um gesto louvável de coerência das ONGA´s face à hipocrisia da EDP que continua a tentar implementar uma política de “lavagem verde” sistemática da sua acção de destruição em massa de muitos dos habitates selvagens ainda preservados de Portugal. O Baixo Sabor é um dos exemplos mas trágicos dessa atroz destruição hidroeléctrica …



Comunicado de Imprensa

22 de Julho de 2011 (embargo às 5h da manhã)

As Organizações Não Governamentais de Ambiente dizem “Não Obrigado!” ao Fundo Baixo Sabor



As Organizações Não Governamentais de Ambiente boicotam o concurso de 2011 para o Fundo Baixo Sabor como protesto contra a destruição de ecossistemas de elevado valor ambiental por decisão do governo e da EDP. As principais ONGA dizem: “Não Obrigado! Abdicamos do Fundo Baixo Sabor enquanto se persistir nesta política de secundarizar as questões de ambiente e de desrespeito dos compromissos assumidos por Portugal em relação à protecção da Biodiversidade e da qualidade da água.



O desenvolvimento das obras do empreendimento hidroeléctrico do Baixo Sabor, já com dois anos de percurso, mostra que as preocupações ambientais do governo e da EDP são secundárias, pois os relatórios periódicos entregues à comissão de acompanhamento ambiental mostram fortes impactes negativos e um desfasamento considerável entre as propostas de correcção dos problemas e a sua real implementação no terreno. O decorrer da obra tem revelado muitos problemas nos processos de monitorização, na poluição gerada e na afectação da fauna e flora das zonas intervencionadas.

A fraude é ainda maior, quando se constata que o “Fundo para a Conservação na Natureza e da Biodiversidade”, cujo prazo de candidatura termina hoje, exclui da tipologia de operações a aprovar os projectos de conservação da natureza e da biodiversidade.



Neste sentido, as principais ONGA de Portugal decidiram prescindir de candidatar-se ao Fundo Baixo Sabor de 2011 (este ano no valor de 800 mil de euros), como forma de protesto e em nome da transparência e da verdade sobre os impactes negativos das grandes barragens. As ONGA não se opõem à existência de fundos de Conservação da Natureza. As ONGA censuram, sim, a postura hipócrita dos governos que concedem licenciamentos causadores de capacidade destrutiva às empresas, em troca de programas de distribuição de verbas que, potencialmente, poderão ter valências positivas para o ambiente, a aplicar numa área que pode não corresponder à zona mais afectada pela destruição. O Estado e a EDP procedem assim a uma reprovável campanha de greenwashing, destinada essencialmente a mostrar uma postura de preocupação ambiental que não possuem, numa perspectiva de convencer as populações das zonas afectadas e das zonas a afectar em futuros empreendimentos, que a destruição da biodiversidade tem mais valor económico que a sua protecção. Tudo isto com o dinheiro dos consumidores que pagam na factura, com ou sem vontade.



Para que se compreenda melhor o processo é relevante informar que o Fundo do Aproveitamento Hidroeléctrico do Baixo Sabor (AHBS), aqui designado por Fundo Baixo Sabor, foi criado pelo Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território, por Despacho nº 14136/2010 (2ª Série), de 9 de Setembro e aprovado o seu Regulamento de Gestão, posteriormente alterado pelo Despacho nº 18872/2010 (2ª Série), de 21 de Dezembro. De acordo com as indicações do estado português, a EDP vai depositar uma verba anual de 800 mil euros no fundo financeiro durante os 75 anos da concessão da barragem do Baixo Sabor. Este valor é depois cobrado na factura de electricidade, pelo que, na verdade, a EDP não pagará nada, apenas aumentará o que cobra pelos serviços do monopólio que detém.



As políticas de ordenamento do território e de conservação da natureza levadas a cabo nas últimas décadas têm subvalorizado as questões ambientais, têm provocado fortes impactos negativos no património natural e têm tratado os ecossistemas e as espécies ameaçadas com a delicadeza de um rolo compressor. Raramente se tem atribuído aos ecossistemas e à Biodiversidade a importância que os mesmos têm para as populações humanas pelos serviços actualmente prestados e por prestar, a médio e longo prazo. Não há apostas na valorização dos recursos naturais numa perspectiva de sustentabilidade, no sentido de melhorar a vida das populações humanas. Mais ainda, o Estado vai-se demitindo das suas obrigações em termos de conservação da natureza e de garantia da qualidade da água e coloca as empresas a pagar projectos de compensação ambiental.



Por tudo isto, as ONGA abaixo indicadas dizem “Não Obrigado! Abdicamos do Fundo Baixo Sabor” enquanto se persistir na secundarização das questões ambientais e na continuação de políticas com forte destruição da Biodiversidade, enquanto se pretender calar as instituições com a distribuição de financiamento para actividades e acções que não conseguem repor sequer uma pequena parte do património perdido.



ONGA aderentes ao boicote:

Contactos:



- FAPAS: Paulo Santos (96 7064913)

- GEOTA: João Joanaz de Melo (96 2853066)

- LPN: João Camargo (96 4656033)

- Quercus: Nuno Sequeira (93 7788474)

- SPEA: Domingos Leitão (96 9562381)

Oficina de Escrita Criativa e Jamming Cultural - trabalhos

agora mais duas das "obras-primas" resultantes da Oficina de Escrita Criativa e Jamming cultural, de 6 e 14 de Julho.

Autora: Isa









Tuesday, July 26, 2011

Procuro Tradutor@s para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção











Procuro Tradutor@s para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção Procuro Tradutor@s para colaborar em projectos de Educação Socio-Ambiental e de Intervenção Se tens conhecimentos e prazer na tradução e és sensível às questões sociais e ambientais talvez te interesse colaborar com diversos projectos que dinamizo nessas áreas.

Basicamente o objectivo será tradução de alguns textos e materiais relacionados com as temáticas de intervenção dinamizadas.

Como são projectos não financiados infelizmente para já não há a possibilidade de pagar monetariamente pela colaboração. Mas há a possibilidade de “trocar” os trabalhos de tradução pela participação gratuíta nas diferentes oficinas e actividades dinamizadas no decorrer dos projectos.


Mantêm-se ainda a procura também de designers e/ou artistas gráficos.

Os blogs de alguns dos projectos, e respectivos links, podem ser vistos em:


Segredos da Horta - Alimentação Vegetariana Natural
http://segredosdahorta.blogspot.com/

Be the Change you want to see in the world"
http://thechange2004.blogspot.com/

Porto de Encontros
http://portodeencontros.blogspot.com/


Caso estejas interessad@ em colaborar ou em mais informações por favor contacta:


Pedro Jorge Pereira

ecotopia2012@gmail.com

93 4476236


Obrigado e até breve!



Friday, July 22, 2011

Biosfera 321 Obsolescência programada

Um excelente documentário sobre um dos mais “preversos” e inaceitáveis “estratagemas” do sistema de produção consumista: a obsolescencia programa - a produção para não durar … a produção para uma rápida inutilização que “obrigue” o consumidor a uma constante dependência do processo produção-consumo … é moralmente, éticamente e, claro, ecológicamente inaceitável mas é também uma das mais vincadas características deste sistema … e assim será até que nós consumidores e, sobretudo, cidadãos sejamos capazes de condenar este ciclo doentio de esbanjamento …


LIGAÇÃO:

http://www.faroldeideias.com/arquivo_farol/index.php?programa=Biosfera&id=1139



Sell you watch

Uma das "obras-primas" resultantes da Oficina de Escrita Criativa e Jamming cultural, de 6 e 14 de Julho.

Autor: Tozé Constantino
www.tozeconstantino.com

Uma mensagem que dá bem que pensar ;O)

Monday, July 18, 2011

Quercus alerta para o início da destruição da Paisagem património Mundial do Douro Vinhateiro









A face visível daquele que é um dos principais erros políticos, económicos, socais e, obviamente ecológicos, do nosso país: o Plano Nacional de Barragens …

Mesmo que os benefícios fossem imensos (e são, no mínimo, altamente duvidosos) tudo aquilo que se está a destruir é de uma dimensão aterradora … será que algo ou alguém irá conseguir travar este crime? Será que este governo irá prosseguir nos mesmos erros e visões retrógadas? Infelizmente tudo parece indicar que sim … mas a esperança é a última a morrer, ou a última a ser “afogada”.


Barragem da Foz do Tua

Quercus alerta para o início da destruição da Paisagem património Mundial do Douro Vinhateiro
http://www.quercus.pt/scid/webquercus/defaultArticleViewOne.asp?categoryID=567&articleID=3532

Iniciado formalmente um novo ciclo político, a Quercus - ANCN, através do Núcleo da Quercus de Vila Real e Viseu, não poderia deixar de alertar os novos responsáveis políticos nacionais para o atentado que se tem vindo a perpetrar contra o Douro Património da Humanidade classificado pela UNESCO em 2001, na Foz do rio Tua.

A lamentável ferida que se rasga na foz do rio Tua, com o início dos trabalhos de construção da Barragem do Tua, é já visível a quilómetros de distância, em diferentes locais de ambas as margens do Rio Douro.

A destruição do Vale do Tua, do rio, da paisagem, da linha centenária, da identidade da região a que se junta ainda o património classificado pela UNESCO, é no seu conjunto semelhante ao que aconteceu em Março de 2001 às estátuas dos Buda de Baiyman, património da Humanidade igualmente destruído.

É preciso repensar e inverter com urgência a anunciada sentença de morte do Vale do Tua e, nesse sentido, a Quercus apela aos novos decisores políticos que revejam não só o projecto da Barragem de Foz Tua, mas todas as barragens do Plano Nacional de Barragens com Elevada Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH).

Com estas grandes construções, nomeadamente a Barragem de Foz Tua, para além de perdas irrecuperáveis no que toca ao património natural, cultural e humano, está também em causa a oportunidade de um desenvolvimento sustentável na região, assente na agricultura e no turismo de natureza, cultural e ferroviário.

No passado 10 de Junho, o Prof. Cavaco Silva, referia no seu discurso a necessidade de “mudança de atitude, de desenvolver uma estratégia clara de revalorização do interior do país, incentivando e apoiando aqueles que aqui vivem e trabalham” e ainda a ”aposta na agricultura e no turismo.”

Tal não poderá acontecer enquanto os sucessivos governos, com o apoio cego das autarquias locais, continuarem a destruir o território, o seu património único, a sua identidade, promovendo o abandono e a migração das suas gentes, a perda de referências locais e identitárias, as fontes de riqueza, os serviços, e entre muitos outros factores, também a motivação e a auto-estima.

É urgente alterar as políticas energéticas e os conceitos de desenvolvimento/progresso que se querem para o país; tendo como premissas a eficiência e a sustentabilidade, é preciso caminhar para o equilíbrio harmonioso entre o Homem e a Natureza. O Vale do Tua não pode ser sacrificado pelos interesses de alguns grupos económicos portugueses como sejam a EDP ou a Mota Engil.

É urgente rever as concessões e parcerias público privadas, tal como exige a `troika´ e como anunciado pelo novo Governo, sendo as barragens a 3ª Parceria Público Privada (PPP) mais cara para o país. E estimado que o custo total das novas barragens (durante a vida da concessão) seria cerca de 15 000 milhões Euros = 4600 € por família [1].

O que ganha um país quando destrói uma linha-férrea centenária que atravessa toda a região uma região interior que não tem outra alternativa que não uma futura auto-estrada com portagens? A Linha do Tua percorre Trás-os-Montes, lado a lado com um dos últimos rios livres de Portugal, serve as gentes locais, transporta milhares de turistas de todos os cantos do mundo e, com a sua ligação a Puebla de Sanabria e à Alta velocidade Espanhola, poderia trazer a casa, pelo Verão e pelo Natal, milhares de emigrantes transmontanos.

O que ganha um país quando destrói um vale milenar único como o vale do Tua, para aumentar a sua produção energética em algo tão insignificante como 0,7% [2]?

Os impactos da construção desta barragem são irreversíveis e hipotecam para sempre o futuro de Trás-os-Montes. É urgente um novo olhar para Trás-os-Montes e para o desenvolvimento transmontano, em particular, para o Vale do Tua.

Deste modo, o Núcleo Regional de Vila Real e Viseu da QUERCUS apela ao novo Governo de Portugal para que mande suspender as obras da barragem de Foz Tua para salvaguarda dos interesses locais e nacionais, bem como do Património Mundial.

Vila Real, 1 de Julho de 2011

O Núcleo Regional de Vila Real e Viseu
da Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza


[1] Memorandum- The Portuguese Dam Program: an economic and environmental disaster
GEOTA, FAPAS, LPN, Quercus, CEAI, Aldeia, COAGRET, Flamingo — April 2011

[2] A capacidade de produção prevista pelo Tua é de 350 Gwh/ ano o que corresponde á menos de 0.7% dos 52.2 TWh eléctricidade consumida em Portugal em 2010 (DGEG 2011).


Friday, July 15, 2011

O princípio do fim da era pós-industrial









O princípio do fim da era pós-industrial


Quem tem poucas coisas considera-se pobre e isso fá-lo sentir-se triste. Não há Papalagui algum que seja capaz de cantar e mostrar um olhar feliz se apenas possuir, como nós, uma esteira ” [1]


Prados verdejantes preenchendo o espaço até onde a vista alcança. Lavadeiras esfregando e curando as roupas nas margens do rio sereno. Crianças brincando em plena Natureza sem qualquer preocupação com o humor mutável do tempo. Lavradores transportando, em carroças puxadas por pujantes bois, as colheitas da estação. Barcos de pescadores remando no rio em busca do peixe que abunda e nada ao sabor das correntes.

Em todo este cenário o Rio Leça desempenha o papel principal. É em torno dele que se organiza, faz e sonha a vida. É a sua cadência e ritmos, marés e correntes, a lei mais suprema de toda a população ribeirinha. É o seu leito como o sangue que no corpo irriga a vida.

Mas este é o cenário de há cerca de 50 anos atrás. Sim, há cerca de 50 anos era assim a vida das populações de Matosinhos e Leça.

Cinquenta anos em que uma revolução silenciosa mas acutilante, subtil mas abrupta, chegou às águas do Rio Leça. Essa revolução foi chamada de diferentes formas.

Por conveniência chamaram-lhe “progresso”. Outros com um pouco mais de precisão histórica chamaram-lhe “industrialização”. Outros não lhe chamaram nada … foi simplesmente o que “naturalmente” aconteceu em quase todo o lado no nosso país e mesmo, ainda que em tempos diferentes, a uma escala praticamente global.

Num fenómeno de contornos amplos e complexos, de infindáveis possibilidades de estudo e reflexão, o que basicamente se pode dizer em relação ao Rio Leça (caso de estudo nesta reflexão), assim como a todo o cenário e habitat envolvente, é que … praticamente morreu. Foi o preço (ou uma parte dessa quantia incomensurável) a pagar para nos podermos ter tornado no que somos hoje em dia: Uma sociedade industrializada e capitalista global.

Dizem-nos que a vida era pobre, que a vida era dura, que a pobreza proliferava. E tudo isso é em grande medida verdade.

Dizem-nos que somos mais felizes, que a vida é mais fácil, que a riqueza se multiplicou. E tudo isso, em muitos aspectos, é em grande medida mentira.

Dizem-nos que temos hoje em dia maior qualidade de vida, mas afinal como é que se pode definir o que a qualidade de vida é realmente?

Será que todas as vicissitudes que a “vida moderna” nos trouxe estão inevitavelmente ligadas? É difícil conseguirmos ver, de uma forma muito objectiva, em que medida todas estas transformações contribuíram para que possamos viver hoje (os que ainda vivemos) melhor do que há 50 anos atrás.

Eu tive os confortos da vida moderna que os meus Pais não tiveram. Pude com relativa facilidade (naquilo que é uma facilidade, para cada vez mais famílias, mais difícil) ter acesso a educação superior. Não tenho que trabalhar de sol a sol para poder ter o suficiente para me alimentar.

Por outro lado foi já morto e sem vida que sempre conheci o Leça. Cresci sem correr pelos prados onde o meu Pai correu. Nunca pude sentir o cheiro vivo da terra e dos elementos (agora sufocados pelo cimento e betão da cidade que explodiu em direcção ao céu e ao horizonte). Muito menos pude alguma vez mergulhar ou sequer molhar os pés no Rio Leça (a não ser bem perto da nascente ainda impoluta) sem estar perto de cometer um acto semi-suicida ou de atentado à minha própria saúde.

O indivíduo moderno possui hoje (aquele que faz parte dessa elite planetária dos que de facto possuem) o acesso a uma panóplia de bens e serviços talvez sem precedentes na história da humanidade. Contudo não creio que essa profusão materialista se tenha, de uma forma geral, traduzido numa maior felicidade ou numa vida mais significativa e satisfatória para uma grande parte das pessoas. Na verdade o consumo de anti-depressivos nunca foi tão elevado. Ao ponto de em alguns países se colocar já em causa a qualidade da água de abastecimento público devido à quantidade de substâncias libertadas por esses fármacos quando ingeridas pelos indivíduos e depois expelidas através da urina.

À parte de toda a relatividade que a questão (ou questões) contém, um facto parece-me evidente e inequívoco: definir a qualidade de vida em termos daquilo que cada indivíduo possui é profundamente errado. A satisfação de determinadas necessidades (e o problema é que assim que umas se encontram satisfeitas logo outras tantas surgem para manter o ratinho consumidor a girar na grande roda do consumo desenfreado), o acesso a determinados bens, pode obviamente contribuir bastante para o bem-estar dos indivíduos. Se nos podemos alimentar bem, ter acesso a uma boa educação, usufruir de bons cuidados de higiene e saúde e se residimos uma zona agradável, limpa e com boas condições ambientais temos, em parte, todas as condições para ter uma boa qualidade de vida. No entanto o conceito de “qualidade de vida” é bem mais amplo do que isso. Há toda uma profusão de factores, condicionantes e dimensões individuais e sociais que são, ou deveriam ser, determinantes para definir os rumos a percorrer por uma determinada sociedade ou civilização no sentido de proporcionar uma boa qualidade de vida a todos os seus indivíduos. Há claro uma importante dimensão “material”, por assim dizer, mas há, ou deveria haver, uma dimensão espiritual ou, se quisermos, emocional ou psicológica.

A maior parte das grandes correntes ideológicas ocupam-se somente da vertente material das questões, nomeadamente em termos de produção de bens. Mas no essencial, por exemplo toda a sociedade consumista capitalista, baseia-se na criação de produtos que visam substituir o vazio espiritual e emocional que essa própria sociedade tem vindo a criar.

Por exemplo. Um dos valores primordiais do sistema capitalista é o culto do individualismo. Mas depois, em virtude do vazio gerado por relações sociais vazias, frias, impessoais, competitivas ou alicerçadas no estatuto, temos de recorrer ao consumo de toda uma profusão de produtos para nos “auto-compensarmos” emocionalmente. É a valorização do que se “tem” em detrimento do que se “é”. Do “ter” em vez do “ser”.

Voltando ao Rio Leça, que está longe de ainda o ser.

O Rio Leça é “meramente” um exemplo para enunciar aquilo que aconteceu por todo o nosso país num período histórico relativamente reduzido:

O nosso ambiente, as nossas paisagens, viram-se violentamente despidas de quase toda a sua rusticidade, ruralidade e … Natureza.

As cidades transformaram-se numa geografia “morta”, onde já nada se produz, já nada cresce a não ser o cimento e o betão. As cidades encheram-se de hordas e hordas de gentes fugindo da miséria do campo mas esvaziaram-se de … humanidade. Tem-se vindo a exterminar quase tudo o que ainda subsiste de “natural”, de “rural” e nem os próprios espaços ditos verdes o são verdadeiramente (numa perspectiva ecológica, em geral, pouco ou nada recriam de um habitat realmente natural).

As nossas paisagens descaracterizaram-se ao ponto de em tantos e tantos sítios já tão pouco sobrar da sua autenticidade.

Os próprios rios …Quase todos os rios foram represados por colossais barragens de betão que lhes retiraram a força e vigor natural de um rio … e um dos últimos rios selvagens que existia ainda em Portugal, para sabermos o que é verdadeiramente e autenticamente um rio … está já a ser aniquilado para produzir a energia que não queremos aprender a consumir com a moderação que a Natureza nos impõe.

Earth provides enough to satisfy every man's need, but not every man's greed

Na Terra existe o suficiente para as necessidades de todos os seres humanos mas não existe o suficiente para a sua ganância, dizia Mahatma Gandhi, naquilo que pode resumir de forma tão perfeita aquilo que é o essencial da questão.

Será que toda esta profusão materialista de carácter essencialmente individualista se tem vindo a traduzir numa maior felicidade ou bem-estar por parte dos indivíduos? Será que o estilo de vida moderno é um caminho credível para uma real felicidade e sentido de vida? Será que se pode falar, acima de tudo, de “qualidade de vida”?

Antes de tudo o mais talvez seja de enorme pertinência reflectir sobre o real custo, ou seja, a factura em termos ambientais, sociais e económicos que o sistema produtivo actual (orientado nada mais, nada menos, para o desperdício) implica.

Vivemos na “era do descartável” o que significa que a esmagadora maioria daquilo que é produzido é-o para somente uma utilização (nas vezes em que chega sequer a ser utilizado) e em muitos casos para ser usado por breves segundos. [2]

Não pretende toda esta reflexão ser uma apologia de “regresso ao passado”, de total renúncia àquilo que somos e nos tornamos enquanto projecto de civilização. Creio essencialmente que urge fazer aquilo que nunca foi verdadeiramente feito: Uma profunda reflexão.

Reflectirmos verdadeiramente no caminho que queremos e, sobretudo, podemos seguir. Creio que este caminho de plena destruição ecológica é, por inerência, comprometedor de quaisquer perspectivas de sobrevivência planetária, como de resto se está a manifestar nos diversos fenómenos e crises ecológicas, sociais e económicas actuais.

Não creio, sobretudo, que para ganharmos tudo aquilo que supostamente ganhamos tivéssemos que perder tudo aquilo que perdemos, e que os nossos pais ainda tiveram.

Não creio que o Rio Leça tivesse que ter sido assassinado para nos podermos ter tornado no que somos actualmente. E perdemos tanto!

Não creio que nenhuma civilização se possa desenvolver e, antes de tudo, encontrar e definir enquanto civilização, desprovida das suas raízes, identidade e essência. E a nossa essência depende sempre da nossa relação umbilical com a Mãe Natureza, com os ciclos e ritmos da terra. A nossa qualidade de vida depende, em larga medida, mais do que qualquer indicador sócio-económico, da forma como formos capazes de nos integrar na paisagem que herdamos, na forma como somos capazes, para viver, de manter vivos, funcionais e plenos de vitalidade todos os elementos vivos da própria paisagem Natural. Dito de outra forma: de mantermos os ecossistemas vivos e saudáveis. E por vezes são de facto os países que em certos aspectos revelam mais essa capacidade (os países nórdicos por exemplo) os que possuem, simultaneamente, melhores resultados em termos de índices de desenvolvimento humano, entre outros indicadores sócio-económicos.

A água é essencial à vida. Mas tornamos o Leça num esgoto e a água chega-nos agora de longe. Para além disso, tem que ser impregnada de toda uma série de substâncias químicas, lixívias nomeadamente, para lhe podermos chamar algo como potável.

A terra e o alimento que ela produz é essencial para algo tão básico como nos alimentarmos. Mas as hortas e terras agrícolas outrora férteis e abundantes deram lugar à insana miragem da especulação imobiliária desenfreada. E assim ganhou Matosinhos e Leça em cimento e altura aquilo que perdeu, e tanto, de ligação com a própria terra.

Teria que ter sido assim? Não podia ter sido de outra forma? Não podemos negar a nossa história mas muito menos a responsabilidade que temos em cada momento histórico das acções e decisões que tomamos enquanto sociedade e projecto de civilização. Seja movidos pela consciência, pela necessidade ou simplesmente pelo sacro-santo lucro, a verdade é que há sempre algo que de uma forma ou outra nos move, as circunstâncias não são um mero reflexo de condicionantes históricas transcendentes.

Não sei se algum dia o meu Pai voltará a ver o Leça “a respirar”. Não sei sequer se o meu filho terá algum dia esse privilégio agora quase utópico. Mas acredito convictamente que temos que reencontrar as nossas raízes, que voltar à terra, se queremos que a espécie humana e muitas outras espécies animais e vegetais - que estamos de forma selvagem a destruir - continuem a poder viver neste planeta.

Acredito convictamente que a qualidade de vida se define pela forma como somos capazes de nos integrar nos ecossistemas ecológicos naturais de forma harmoniosa, humilde e mantendo vivos os seus elementos e dinâmicas naturais. Creio que se define ainda pela forma como somos capazes de construir sociedades norteadas pela busca de um bem-estar comum, pela construção de relações sociais providas de sentido e profundidade, e pela existência de uma forte espírito cooperativo de fraternidade e acção solidária.

Creio que o caminho, ou os caminhos, que temos vindo a seguir nesta era industrial não poderiam ser, de forma clara e predominante, mais na direcção oposta.

Só tendo noção desse facto enquanto sociedade, só quando despertarmos do transe consumista, materialista e egoísta em que estamos mergulhados, é que poderemos partir noutras direcções e caminhos, tentando encontrar e reencontrar novos sentidos para a nossa vida social e individual.

Caminhos esses que terão de ser encontrados não nas fórmulas tecnocráticas esgotadas e repetidas até à exaustão (sua e do planeta) mas na capacidade de ousarmos sonhar e semear uma mundo novo, em muitos aspectos mais parecido com aquilo que ele era antes de nos termos deixado industrializar de forma tão exacerbada. Temos imenso a aprender com aquilo que éramos, com aquilo que nos tornamos mas, e ainda mais, com toda a criatividade naquilo que podemos ser enquanto projecto pós-industrial (porquê pós-industrial? Porque não acredito minimamente na viabilidade prática e filosófica de manutenção deste sistema por inerência “insustentável”). Temos imenso a aprender se formos criativos e ousarmos sonhar voltar a tomar banho no Rio Leça. Quando isso acontecer viveremos num habitat capaz de nos proporcionar toda uma qualidade de vida não aferível por qualquer indicador macro-económico mas sobretudo pelos risos dos nossos filhos brincando e chapinhando na água.

Não me parece que o iminente colapso do sistema capitalista industrial (nomeadamente pelo cada vez mais dispendioso acesso àquela que é a sua matéria prima mais fulcral: o petróleo) nos deixe grande margem para fazermos outra coisa que não essa: repensarmos numa nova sociedade pós-carbono e pós-industrial. E há já muitos indivíduos e comunidades criativas e alternativas pelo mundo fora que estão já a fazer dessa reflexão a sua prática e estilo de vida. [3]

Não será que o próprio Leça merece também que façamos esse esforço por ele (e, por inerência, por nós próprios)?


Artigo publicado inicialmente para Barómetro Social:

O princípio do fim da era pós-industrial (I)

http://barometro.com.pt/archives/354

O princípio do fim da era pós-industrial (II)

http://barometro.com.pt/archives/358


[1] Scheurmann, Erich. (2003). “O Papalagui”, Lisboa, Edições Antígona

[2] Beaven, Colin. (Outubro de 2009, 1ªEd.). “Impacto Zero – As aventuras de um cidadão comum que tenta salvar o Planeta”, Carnaxide, Editora Objectiva

[3] Dawson, Jonathan. (Junho de 2010). “Ecoaldeias – Novas Fronteiras para a Sustentabilidade, Águas Santas, Edições Sempre em Pé


Tuesday, July 12, 2011

O3Cs - Oficina de Consumo Crítico e Consciente, sábado, 16 de Julho

O3Cs - Oficina de Consumo Crítico e Consciente, sábado, 16 de Julho, 10h00

inscrições e todas as informações: no cartaz

Wednesday, July 06, 2011

Oficina da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia

Oficina da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia

Feira Alternativa do Porto
Domingo, 10 de Julho, 11h00, no Espaço "Conversas na Relva"

Aparece e traz um/uma amig@ também!


Tuesday, June 28, 2011

WORKSHOP de ESCRITA CRIATIVA + “CULTURAL JAMMING” criativamente agitando consciências


““Somos o que fazemos para mudar o que somos”

nas ruas do Porto


Diariamente somos bombardeados com milhares de mensagens de vária ordem, mas sobretudo publicitárias. Todo o nosso espaço público, geográfico e cultural foi invadido por mensagens e símbolos de marcas omnipresentes que se imiscuíram de tar forma no nosso dia-a-dia que já mal conseguimos imaginar a vida sem elas.

Despidas de verdadeira essência ou sentido somos impelidos para comportamentos que mais não fazem que reforçar a nossa subserviência ao sistema mercantilista global e, sobretudo, incentivar-nos a esse ritual tantas vezes tão vazio como mecânico de consumir.

Os próprios meios de comunicação social, regra geral, mais não fazem do que produzir e reproduzir a “era do vazio” e as banalidades e futilidades da moda da agenda neoliberal.

Por outro lado o “cinzentismo” monolítico do “sistema” tomou conta das mais variadas dimensões do nosso quotidiano.

Espartilhado em fatos e gravatas de convenção o indivíduo, por vezes fechado no espaço amorfo de um escritório horas e horas a fio, mais não faz do que sócio-vegetar por aqui e por acolá preenchendo o vazio com algum dos muitos nadas que vão sendo, aqui e ali, oferecidos ou vendidos a preço de conveniência ou estatuto particular.

Chegados a este ponto de “lugar nenhum” coloca-se a questão?

Ainda existe espaço na nossa sociedade para o pensamento livre, irreverente e verdadeiramente transformador? Ainda existe espaço para a criatividade e liberdade de expressão não conformista ou conformada? Ainda existe espaço para que o ser possa ser e se expressar com toda a sua originalidade?


Na oficina de Escrita Criativa e Cultural Jamming vamos buscar, mas, sobretudo, criar caminhos alternativos de acção e transformação social começando, desde logo, nessa componente tão preponderante do todo social que é o indivíduo. Sobretudo do indivíduo empenhado numa mudança livre e criativa de um panorama social estagnado e cinzento.

Vamos praticar e testar diferentes técnicas de escrita criativa, abordar conceitos de intervenção cultural, nomeadamente em contexto urbano, e sobretudo vamos criar e recriar-nos a nós próprios também.


1ª parte

WORKSHOP de

ESCRITA CRIATIVA

ou de como usar a “língua” disfarçada de caneta – como quem diz - para dizer o que às vezes nem convém


6 de Julho, 4ªfeira, 18h30 - 20h30

local: BOMBARDA 566

Contribuição: 12,00 fmi´s


Materiais:

Caderno e ou folhas de rascunho, folhetos do Lidl, multas de trânsito

Caneta, lapis, pena, lata de spray, picareta

Data Limite de Inscrição:

4 de Julho, 2ªfeira,


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2ª parte

WORKSHOP de

CULTURAL JAMMING

ou de como usar a rua para algo mais do que nada


14 de Julho, 5ªfeira, 18h30 - 20h30

local: BOMBARDA 566

Contribuição: 12,00 fmi´s


Materiais:

Revistas, jornais, catálogos de moda, revista da La Redoute

Cola e tesoura, x-acto,

Data Limite de Inscrição:

12 de Julho, 3ªfeira,



WORKSHOP de

ESCRITA CRIATIVA

+

WORKSHOP de

CULTURAL JAMMING

Promoção especial leve 2 pague 1: 20 fmi´s


ORGANIZAÇÃO

TERRA na BOCA e projecto EduCACES

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prolongamento e possível desempate por grandes penalidades

WORKSHOP de

A VIDA (JÁ PARA NÃO DIZER a RUA) É TUA – ENTÃO USA-A


data e hora por definir (ou indefinir)

local: QUERIAS SABER NÃO Era?

Contribuição: A BOLSA OU a VIDA

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Facilitador (como quem diz): Pedro Jorge Pereira

Foi um dos fundadores do núcleo do Porto do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental, entre outras experiências de activismo e voluntariado noutras associações, sobretudo de cariz ambiental, com particular destaque também para a Associação Cultural Casa da Horta.
Editou e publicou através do Programa Capital Futuro do Programa Juventude, o livro “Be the change you want to see”, com um forte carácter pedagógico, destinado à educação ambiental e sensibilização para a importância da cidadania activa e eco-consciente na sociedade actual.

Dinamiza ainda, entre outros projectos e actividades, oficinas ligadas aos temas eco-sociologia, ambiente, ética e escreve artigos de reflexão/pensamento para diversas publicações digitais e em formato papel.

É licenciado em publicidade, com particular prelidecção pela área de escrita criativa e redacção publicitária. Isto se não contarmos com um pequeno compromisso pessoal de levar à completa aniquilição toda e qualquer actividade publicitária com fins estupidificantes.


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Mais informações e inscrições:


Pedro Jorge Pereira – PROJECTO EDUCACES

ecotopia2012@gmail.com

93 4476236

http://thechange2004.blogspot.com/


modo de inscrição:


Através de transferência do montante de metade do valor para o nib:

0035 0091 0000 7119 9001 3 (Caixa Geral Dep.) (*)

com o envio do respectivo comprovativo, e indicação de qual ou quais as actividades em que se inscreve, para:

ecotopia2012@gmail.com


(*) no caso de não realização do curso todos os valores de “sinalização” serão integralmente devolvidos, sendo para esse efeito útil a indicação do nib remetente


Por um novo paradigma mental, ético e civilizacional










Uma reflexão inspirada, inspiradora e, sem qualquer dúvida, fundamental para todos aqueles/aquelas que buscam um mundo verdadeiramente melhor …


Por um novo paradigma mental, ético e civilizacional

Vivemos hoje uma profunda crise do paradigma antropocêntrico que dominou a humanidade europeia-ocidental e se mundializou: nele o homem vê-se como centro e dono do mundo, reduzindo a natureza e os seres vivos a objectos desprovidos de valor intrínseco, como meros meios destinados a servir os fins e interesses humanos [1]. Se o surgimento da ciência e da tecnologia moderna obedeceu, sobretudo após as duas Revoluções Industriais, à crença no progresso geral da humanidade mediante o domínio da natureza e a exploração ilimitada dos seus recursos, incluindo os seres vivos, vive-se hoje a frustração dessa expectativa de um Paraíso terreno científico-tecnológico e económico: o sonho comum aos projectos liberais e socialistas converteu-se no pesadelo da persistente guerra, fome e pobreza, da crise económico-financeira, da destruição da biodiversidade, do sofrimento humano e animal e da iminência de colapso ecológico. Muitos relatórios científicos mostram o tremendo impacte que o actual modelo de crescimento económico tem sobre a biosfera planetária, acelerando a sexta extinção em massa do Holoceno, com uma redução drástica da biodiversidade, sobretudo nos últimos 50 anos, a um ritmo que pode chegar a 140 000 espécies de plantas e animais por ano, devido a causas humanas: destruição de florestas e outros habitats, caça e pesca, introdução de espécies não-nativas, poluição e mudanças de clima [2].

Manifestação particularmente violenta do antropocentrismo tem sido o especismo, preconceito pelo qual o homem discrimina os membros de outras espécies animais por serem diferentes e vulneráveis, mediante um critério baseado no tipo de inteligência que possuem que ignora a sua comum capacidade de sentirem dor e prazer físicos e psicológicos (a senciência, ou seja, a sensibilidade e o sentimento conscientes de si, distinto da sensitividade das plantas) ou o serem sujeitos-de-uma-vida, consoante as perspectivas de Peter Singer e Tom Regan [3]. A exploração ilimitada de recursos naturais finitos e dos animais não-humanos para fins alimentares, (pseudo-)científicos, de trabalho, vestuário e divertimento, tem causado um grande desequilíbrio ecológico e um enorme sofrimento. O especismo é afim a todas as formas de discriminação e opressão do homem pelo homem, como o sexismo, o racismo e o esclavagismo, embora sem o reconhecimento e combate de que estas têm sido alvo.

A desconsideração ética do mundo natural e da vida animal não só obsta à evolução moral da humanidade como também a lesa, lesando o planeta, como é particularmente evidente nos efeitos do consumo de carne industrial. Além do sofrimento dos animais, criados artificialmente em autênticos campos de concentração [4], além da nocividade da sua carne, saturada de antibióticos e hormonas de crescimento [5], a pecuária intensiva é um mau negócio com um tremendo impacte ecológico: a produção de 1 kg de carne de vaca liberta mais gases com efeito de estufa do que conduzir um carro e deixar todas as luzes de casa ligadas durante 3 dias, consome 13-15 kg de cereais/leguminosas e 15 000 litros de água potável, cuja escassez já causa 1.6 milhões de mortes por ano e novos ciclos bélicos (http://www.ambienteonline.pt/noticias/detalhes.php?id=7788); a pecuária intensiva é responsável por 18% da emissão de gases com efeito de estufa a nível mundial, como o metano, emitido pelo gado bovino, que contribui para o aquecimento global 23 vezes mais do que o dióxido de carbono; 70% do solo agrícola mundial destina-se a alimentar gado e 70% da desflorestação da selva amazónica deve-se à criação de pastagens e cultivo de soja para o alimentar; entre outros índices, destaque-se que toda a proteína vegetal hoje produzida no mundo para alimentar animais para consumo humano poderia nutrir directamente 2 000 milhões de pessoas, um terço da população mundial, enquanto 1 000 milhões padecem fome [6]. Isto leva a ONU a considerar urgente uma dieta sem carne nem lacticínios para alimentar de forma sustentável uma população que deve atingir os 9.1 biliões em 2050 [7].

Compreende-se assim a urgência de um novo paradigma mental, ético e civilizacional que veja que as agressões aos animais e à natureza são agressões da humanidade a si mesma, que não separe as causas humanitária, animal e ecológica e que reconheça um valor intrínseco e não apenas instrumental aos seres sencientes e ao mundo natural, consagrando juridicamente o direito dos primeiros à vida e ao bem-estar e o do segundo à preservação e integridade (no que respeita aos animais, Portugal possui um dos Códigos Civis mais atrasados, considerando-os meras coisas, o que urge alterar) [8]. Sem este novo paradigma, de uma nova humanidade, não antropocêntrica, em que o homem seja responsável pelo bem de tudo e de todos [9], não parece viável haver futuro.

[1] Kant considera o homem o “senhor da natureza”, que tem nele o seu “fim último” –Critique de la faculté de juger, 83, Paris, Vrin, 1982. O mesmo autor considera que os animais “não têm consciência de si mesmos e não são, por conseguinte, senão meios em vista de um fim. Esse fim é o homem”, que não tem “nenhum dever imediato para com eles” – Leçons d’éthique, Paris, LGF, 1997, p.391.

[2] Peter Raven escreve no Atlas of Population and Environment: "Impulsionamos a taxa de extinção biológica, a perda permanente de espécies, até centenas de vezes acima dos níveis históricos, e há a ameaça da perda da maioria de todas as espécies no fim do século XXI”. A equipa internacional liderada pelo biólogo Miguel Araújo, da Universidade de Évora, publicou recentemente um importante artigo na revista Nature sobre as consequências na “árvore da vida” das mutações climáticas antropogénicas:http://www.nature.com/nature/journal/v470/n7335/full/nature09705.html

[3] Cf. Peter Singer, Libertação Animal [1975], Porto, Via Óptima, 2008; Tom Regan, The Case for Animal Rights [1983], Berkeley, University of California Press, 2004, 3ª edição. Peter Singer segue a perspectiva utilitarista herdada de Jeremy Bentham e baseia-se na igualdade de interesses dos animais humanos e não-humanos em experimentarem o prazer e evitarem a dor, enquanto Tom Regan estende a muitos dos animais não-humanos a perspectiva deontológica de Kant, considerando-os indivíduos com identidade, iniciativas e objectivos e assim com direitos intrínsecos à vida, à liberdade e integridade. Cf. Os animais têm direitos? Perspectivas e argumentos, introd., org. e trad. de Pedro Galvão, Lisboa, Dinalivro, 2011.

[4] Cf. Peter Singer, Libertação Animal; Jonathan S. Foer, Comer Animais [2009], Lisboa, Bertrand, 2010.

[5] Segundo a Organização Mundial de Saúde, mais de 75% das doenças mais mortais nos países industrializados advêm do consumo de carne.

[6] Cf. um relatório de 2006 da FAO, Food and Agriculture Organization, da ONU, Livestock’s Long Shadow: environmental issues and options:http://www.fao.org/docrep/010/a0701e/a0701e00.HTM

[7] http://www.guardian.co.uk/environment/2010/jun/02/un-report-meat-free-diet

[8] Para uma introdução às diferentes perspectivas e questões éticas e jurídicas relacionadas com a natureza e os animais, cf. Fernando Araújo, A Hora dos Direitos dos Animais, Coimbra, Almedina, 2003; Maria José Varandas, Ambiente. Uma Questão de Ética,Lisboa, Esfera do Caos, 2009; Stéphane Ferret, Deepwater Horizon. Éthique de la Nature et Philosophie de la Crise Écologique, Paris, Seuil, 2011.

[9] Cf. Hans Jonas, Das Prinzip Verantwortung, Frankfurt am Mein, Insel Verlag, 1979.



Paulo Borges



Discussão: http://permaculturaportugal.ning.com/profiles/blogs/por-um-novo-paradigma-mental