Thursday, June 12, 2008

os custos do automóvel


Querid@s Amig@s e Companheir@s,

Desta vez a partilha que faço é relativa a um cálculo muito interessante e que dá mesmo que pensar: os custos de manutenção de um automóvel. Se aliarmos a estes dados interessantes o constante aumento do preço da gasolina ... então esta reflexão relativa à forma como nos deslocamos e como usamos (e tantas vezes abusamos) do automóvel é mesmo essencial ...

depois, claro, há outros custos, se calhar até bem mais elevados, não mencionados aqui. Custos ambientais dos automóveis (emissões de gases, destruição de habitates naturais para construção de estradas e auto-estradas), sociais (perda de espaço público, individualização do transporte), de saúde pública (poluição e doenças respiratórias) e esse tremendo custo que é o da sinistralidade. Acredito que, felizmente, se aproxima cada vez mais rapidamente o tempo em que teremos de nos deslocar sem utilizar o automóvel. Porque não começar hoje e agora?

Abraços e Beijinhos ecocêntricos,

Deste animal humano: Pedro Jorge

Segue o artigo:



Quanto lhe custa TER e USAR o seu automóvel ?

http://100diasdebicicletaemlisboaapoio.blogspot.com/2008/02/quanto-custa-ter-e-usar-o-meu-automvel.html

Despesas de Propriedade, Utilização e Manutenção


Ser proprietário de um veículo automóvel não é propriamente barato. Mesmo um carro pequeno aumenta substancialmente as suas despesas mensais.



Por um lado, terá que considerar o preço que paga pela compra do carro e, por outro, as várias despesas que irá suportar a partir desse momento. Faça bem as contas às despesas:

Desvalorização/Depreciação do veículo

Combustível, portagens e despesas de manutenção

Pneus, revisões mais profundas, bateria, etc.

Seguro e Imposto municipal sobre veículos

Inspecções Periódicas Obrigatórias


Exemplo:


Imagine que comprou um carro por 15.000€. Imaginando que o vai manter por 10 anos, significa que este lhe custou 1500€ por ano. Ao fim de 10 anos, este veículo terá um valor residual inferior a 20%, pelo que se o vender recupera, na melhor das hipóteses, 3000€, ficando-lhe a máquina em 12 000€, ou seja, 1200€/ano.



Terá um seguro anual que, no mínimo, lhe custará cerca de 250€.



As revisões, em oficinas da marca poderão custar 300 a 400€ a cada 20.000 km.



A cada 60.000km o seu carro deverá precisar de pneus novos, o que lhe poderá custar cerca de 300€.



O imposto de circulação custará cerca de 40€ anuais.



Se percorrer cerca de 20 000km por ano, significa que em custos fixos anuais, o seu carro lhe custa 1200+400+300/3+40. No total, 1740€ por ano, mesmo que esteja parado na garagem. Ou se preferir, 1740€ por cada 20 000km, ou seja, cerca de 9€ por cada 100 km que percorre.


Se o seu carro consumir em média 6 litros de gasolina a cada 100km, por ano, você gasta cerca de 1700€ em combustível (20000km/100 x 6litros x 1.40€).



Feitas as contas:


1ª Contando com o custo do automóvel, você gasta cerca de 290€/mês


(1700€/12meses + 1740€/12meses).



2º Não contando com o custo do automóvel, você gasta cerca de 190€ por mês com o seu veículo (1700€/12meses + (1740€-1200€)/12meses).



Multiplique por 12 meses, e veja que gasta anualmente, incluindo o custo de aquisição, 3440€ para ter e usar o seu próprio carro.



Só por curiosidade, se o seu ordenado for de 1000€/mês liquidos (o equivalente a cerca de 1400 brutos), você trabalha 3 meses e meio do ano para sustentar o automóvel. 25% do dinheiro que ganha anualmente é gasto com o automóvel, incluindo os subsídios de férias e de natal (14 ordenados).



E não entrei com custos de portagens, de autoestradas e pontes, nem com a inspecção. Se quiser, pode acrescentar uns bons 200€ por ano para este tipo de despesas.



E não se esqueça da probabilidade de ter um acidente de automóvel em que é o culpado. A totalidade dos custos de reparação do seu veículo são por sua conta, se tiver um seguro apenas contra terceiros.



Já alguma vez tinha feito estas contas?



Imagine que abandona a utilização do seu automóvel para se deslocar todos os dias para o trabalho. Poderá poupar mais de 1000€ por ano, reduzindo os gastos com combustível e desgaste do veículo (revisões, pneus, portagens, etc). Com esse dinheiro pode, por exemplo, viajar para qualquer canto da Europa.


Desta forma, utilizaria o carro apenas para lazer, aos fins-de-semana, noites, feriados ou férias.


Só por curiosidade, imaginando que paga mensalmente 500€ de prestação do seu crédito à habitação, se não tivesse carro, poderia pagar mais 290€ (quase 800€) pelo mesmo crédito, mantendo as mesmas despesas mensais. Ou seja, poderia ter uma casa, ou maior, ou mais bem localizada. Por exemplo, mais próxima de seu local de trabalho. Com uma vantagem: um dia que venda essa casa, recuperará o dinheiro gasto nas prestações. O dinheiro que "queima" em combutível, esse, nunca mais vê.


Sunday, June 08, 2008

porto - parque oriental


Porto


Não há muito que se possa dizer para descrever a forma como a minha cidade, o Porto, tem sido (pseudo) administrado. É interessante (mas doloroso e desastroso) verificar os supostos reponsáveis políticos empenhados num frenético processo de desresponsabilização, acossados por uma febre privatizante sem precedentes. Equipamentos e património municipal a serem alvo de processos de privatização e entrega do património público e municipal a entidades que não visam mais do que o seu próprio lucro. Esta febre não conhece qualquer género de limites. É um Porto à moda de “Rio” cujo o único programa político parecem ser corridas de carrinhos e aviões. Não gosto de me meter em política, sobretudo a partidária, mas, acima de tudo, não posso permanecer indeferente à forma como a minha cidade tem sido (pessimamente) tratada. Ao mesmo tempo, vejo a política de Ambiente desenvolvida como pouco mais do que virtual ... Tal como a nível da cultura municipal o que se passa a nível ambiental é pouco mais do que ... nada. Não se passa nada no Porto, parece que só há lugar para passar aviõezinhos, carrinhos de corrida, espectáculos musicais pimbalheiros ... e é isto. Zonas verdes? Ambiente? Mobilidade sustentável? Que é isso? Parque Oriental? Isso então, que é isso?

E partilho esta mais que valiosa reflexão sobre o Parque Oriental pelo sempre atento e interventivo Bernardino Guimarães:



O Parque Oriental



Figurando em praticamente todos os programas eleitorais autárquicos

desde há muito, o Parque Oriental aparece e desaparece da agenda

política municipal ao sabor de conveniências e impulsos. Para o

Porto, este espaço verde significa a última oportunidade de um

acrescento significativo e estratégico ao seu parco acervo de zonas

de lazer e de fruição da Natureza, claramente insuficiente hoje em

dia.



Situado na freguesia de Campanhã, entre os rios Tinto e Torto,

encravado num tecido urbano deprimido e esquecido, subsiste ainda aí,

e resiste, um conjunto de grande importância ecológica, feito de

corredores arbóreos ao longo do curso dos rios, zonas que foram de

produção agrícola e vestígios de quintas. Exposto à degradação, os

rios contaminados e quase transformados em esgotos a céu aberto, nem

por isso ficou irremediavelmente comprometida a possibilidade de

recuperação e de resgate da beleza e da biodiversidade. Se o

esquecimento daquela zona da cidade foi factor de empobrecimento e de

abandono, a verdade é que permitiu, contra o que acabou sendo regra

em todo o concelho portuense, a permanência de pequenos bosques e de

margens ribeirinhas onde a Natureza ainda tem lugar.



Recuperar e restaurar esse património, fazer da criação de um grande

espaço verde uma alavanca para a melhoria da qualidade de vida das

populações, integrar esse esforço num gesto mais abrangente que ligue

ao vizinho concelho de Gondomar, alargando se possível o espaço e o

alcance útil da iniciativa - eis o que é necessário e urgente.



Mas, o que vemos? Há quatro ou cinco anos, a teimosia inexplicável da

Câmara, imposição de tecnocratas sem bom senso, conduziu à construção

da chamada "Alameda de Azevedo", uma ferida que ficou, mutilando o

território sem vantagens aparentes para a mobilidade da freguesia e

cortando em dois o que deveria ser futuro Parque Oriental.



Apesar da polémica suscitada, nada deteve os mentores do

atravessamento, para o qual havia alternativas e que não veio, de

resto, resolver os problemas reais daqueles confins de Campanhã.

Feito isto, e após algumas tentativas de reanimar a ideia do Parque

Oriental, da responsabilidade do então vereador do Ambiente, o

silêncio voltou a cair sobre a promessa sempre adiada. Os últimos

orçamentos municipais já nem se lhe referem. O Gabinete para o Parque

Oriental foi extinto. Não se conhece, do actual vereador do Ambiente,

ideia alguma sobre o assunto.



Única novidade como resposta às acusações de esquecimento do que

seria a segunda maior zona verde da cidade, o edil encarregue do

Ambiente terá alegado, em sua defesa, que o projecto está parado à

espera de uma decisão sobre o local de entrada do TGV na Invicta!



É caso para dizer só faltava mesmo mais esta? sem que a novidade nos

convença. Nada pode justificar que se deixe cair a ideia do Parque

Oriental. É certo que os portuenses conhecem mal aquele sítio e o seu

potencial. Para muitos, está a falar-se já de algo de "exterior" à

cidade. Mas não é assim. Além do mais, precisa-se de uma abordagem

metropolitana quanto a corredores ecológicos, áreas verdes, rios e

ordenamento do território. Continuamos com uma carência estrutural de

espaços verdes públicos, a anos/luz da percentagem por habitante que

é comum nas cidades europeias. É muito importante que se demonstre,

na prática, que a salvaguarda do que resta de natural, pode ser, e é,

um instrumento de humanização da cidade, tanto mais necessário quanto

são carenciadas e pobres as áreas em questão. Convém que se diga à

cidade, com franqueza, se esta é, afinal, uma promessa para ficar na

gaveta!



Bernardino Guimarães

http://jn.sapo.pt/2008/01/29/porto/o_parque_oriental.html



Deixo ainda uma passagem do livro “Be the Change” muito a propósito:



Por todos estes aspectos, pode-se facilmente afirmar que os modelos de urbanização que têm vindo a ser seguidos, sobretudo se pensarmos numa densa aglomeração de construções e indivíduos, são um dos aspectos mais nevrálgicos na elevada insustentabilidade que tem vindo a caracterizar a nossa sociedade e consequentemente vindo a gerar a generalidade dos problemas sociais e ecológicos (pessoalmente creio que ambos os conceitos acabam por ser um só e o mesmo) que têm vindo a caracterizar a nossa realidade. Obviamente que o que está em causa não é termos de voltar a viver todos em aldeias ou de forma totalmente igual à dos nossos avós (muitas vezes é esse tipo de manipulação que os defensores do sistema, e dos modelos de exploração que lhe estão implícitos, tentam afirmar, tentam de forma manipuladora afirmar que uma qualquer crítica ao sistema industrial e ideológico instituído é um retorno ao passado) mas creio que é importante reflectirmos sobre as diversas transformações ocorridas no nosso estilo de vida sobretudo num contexto pós industrial. Reflectir também sobre em que medida registamos progressos, ou, se pelo contrário, regredirmos e gerámos problemas e modelos de vida extremamente nefastos para o ambiente, para vida, para nós próprios. Em suma: estilos de vida que são o oposto da sustentabilidade ecológica, social e individual essenciais ao nosso verdadeiro progresso colectivo e individual.”

in Pereira, Pedro Jorge; “Be the Change you Want to See - uma outra perspectiva do mundo através do voluntariado”, (Porto, Planeta Terra: GAIA, 2006) p.61

Thursday, May 22, 2008


A Verdade no Tibete por detrás das mentiras do Governo Chinês

esta foto elucida muito bem sobre os supostos tumultos, supostamente lançados pela população Tibetana no Tibete. Não é de hoje que determinados governos, nomeadamente ditaduras, se socorrem da manobras como esta para conseguir voltar a opinião pública contra determinada causa, nomeadamente independentista.

Mas sem mais comentários (uma imagem vale mais que mil palavras): São bem explícitas as vestes de monge debaixo dos braços do militares chineses ...

Thursday, April 24, 2008

“Conversas da Terra”, no agrupamento de escuteiros de Grijó


13 de Abril de 2008 – no contexto da realização de prova para obtenção de Insígnia foi endereçado um convite ao GAIA para que pudesse enviar algum activista para abordar e falar um pouco sobre “as questões ambientais”. Tive o privilégio de ser o membro que foi, então, em representação do GAIA participar e dinamizar essa sessão.

Primeiro procedeu-se a uma breve apresentação do “facilitador” e dos participantes. Depois dos temas a abordar.

A primeira parte da sessão propriamente dita consistiu na apresentação e breve discussão de alguns conceitos chave para a compreensão mais geral do tema, assim como contextualização do mesmo.

Na segundo parte decorreu um debate sobre as questões apresentadas. Devido ao excesso de tempo que decorreu a primeira parte não foi possível desenvolver uma actividade prática que havia sido planeada, passando-se directamente da parte de formação sobre conceitos chave para o debate. O que de resto seria também algo previsível face às inerentes contingências temporais para a própria sessão.

No agradável espaço do auditório, em Grijó, encontravam-se cerca de 15-20 participantes de diversos segmentos etários.

Pedro Jorge Pereira


Friday, April 11, 2008

Tell leaders to support Tibet! [en]


Sem me alongar muito, em causa está a situação da opressão sobre o povo
Tibetano por parte do Governo Chinês, uma situação que recentemente
saltou para os olhos do mundo e em relação à qual, mais do que nunca,
podemos dar o nosso contributo, por muito pequeno que possa parecer.
Sendo assim, peço-vos pois que leiam o texto abaixo (creio que o Inglês
será de relativamente fácil compreensão para vocês, e não tinha
disponibilidade para o traduzir para português) e que "percam" alguns
breves minutos para assinar a petição.
Muito obrigad@ pela vossa atenção
Abraços e Beijinhos grandes,
Pedro Jorge ;O)

_ _ _

Hey there,

I've just sent a message to my head of state about the crisis in Tibet.
You can do the same at this link:

http://www.avaaz.org/en/tibet_report_back/97.php/?cl_tf_sign=1

...below is the full message about this effort from Avaaz.org.

Thanks!

-------------------

Dear friends,

On Monday, thousands of people in 84 cities worldwide marched for
justice for Tibet--and delivered the 1.5 million-signature Avaaz
petition to Chinese embassies and consulates around the globe. (Click
below for photos.) Avaaz staff have engaged with Chinese diplomats in
New York and London, delivering the petition and urging action. And a
growing chorus of world leaders is joining the call.

China is on the fence--indicating an openness to talks with the Dalai
Lama, while at the same time pressuring other governments to support its
continuing crackdown. Each day, more leaders declare their stance. It's
time to redouble our efforts--click below to send a personal message to
your head of state, urging support for dialogue with the Dalai Lama--and
check out the photo gallery from Monday's day of action!

http://www.avaaz.org/en/tibet_report_back/97.php/?cl_tf_sign=1

Together, we've built an unprecedented wave of global pressure. The
Avaaz petition is one of the biggest and fastest-growing global online
petitions on any topic in history; since it launched on March 18, it has
been signed by 100,000 people per day--an average of more than 4,000 per
hour, day and night.

Politicians understand that there is power in numbers. We need to show
them that they have more to gain by listening to their own people--and
heeding the cry for help from Tibet--than by giving China a pass in the
lead-up to the Olympic Games.

We're privileged to be alive at a time when people anywhere can reach
out and support people everywhere--instantly. If we have the power to
make things better, we have a responsibility to act. Thanks for what
you've done so far, for the people of Tibet and for a more humane world
for all.

With hope,

Ben, Ricken, Graziela, Galit, Paul, Iain, Pascal, and the Avaaz team

PS--Here are some links with more information on the Tibetan protests
and the Chinese response:

"China softens Dalai Lama stand" -- Wen Jiabao calling for dialogue
http://www.telegraphindia.com/1080401/jsp/foreign/story_9081121.jsp

Dalai Lama expresses appreciation for world reaction, appeals for
continued support; also sends appeal to the Chinese people:
http://dalailama.com/news.221.htm
http://dalailama.com/news.220.htm

China announcing support from governments around the world:
http://news.xinhuanet.com/english/2008-03/20/content_7829212.htm

Leaders across Europe and Asia starting to back dialogue as the way forward:
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/asia-pacific/7300157.stm

Chinese Prime Minister attacks "Dalai clique", leaves door open for talks:
http://news.xinhuanet.com/english/2008-03/18/content_7813194.htm

Other Chinese signals:
http://timesofindia.indiatimes.com/China_looks_at_India_to_talk_to_Dalai_Lama/articleshow/2875142.cms

You are receiving this email because someone sent it to you via the
"tell-a-friend" tool at Avaaz.org. Avaaz retains no information about
individuals contacted through this tool. Avaaz will not send you further
messages without your consent--although your friends could, of course,
send you another message.

Friday, April 04, 2008

Petição pela Linha do Tua


Está disponível em http://www.petitiononline.com/tuaviva/petition.html uma Petição pela preservação e desenvolvimento da Linha e do Vale do Tua, patrimónios únicos de Portugal, nos níveis arquitectónico, paisagístico e natural. Este património está em risco de desaparecer para sempre, afogado nas águas de uma barragem que o Governo pretende impor aos trasmontanos, delapidando ainda mais essa região, e não trazendo benefício algum nem aos locais, nem ao próprio país.

Gostaria de contar com o vosso apoio contra este gravíssimo atentado às liberdades e direitos dos cidadãos nacionais, cuja opinião não foi tida em conta, ao deixarem neste documento a vossa assinatura.


Friday, March 21, 2008

Movimento Cívico pela Linha do Tua , 15 de Março de 2008


A autêntica campanha de sabotagem governamental ao transporte ferroviário, por sinal o mais ecológico, mais socialmente justo, e por exemplo com indíces de sinistralidade mais baixos prossegue ... A Linha do Tua, uma das mais belas e especiais da Europa continua sobre ameaça devido a uma barragem de interesse (para o desenvolvimento da região e do país) mais que duvidoso e questionável. Quero levar o meu filho a andar de comboio no Tua, e quero que os outros meninos da idade dele tenham também essa oportunidade. Será que ela irá ser destruída em nome de um progresso de fantochada e de fachada? Espero que não, sobretudo se todos estivermos do lado de Movimentos como o Pela Linha do Tua!

Viva o Tua e viva o comboio!



Comunicado do Movimento pela Linha do Tua de 15 de Março de 2008

O Movimento Cívico pela Linha do Tua recebeu com grande preocupação e apreensão a notícia de uma nova ameaça de encerramento da Linha do Tua. Um mês depois da sua reabertura, condicionada pelo regime de "marcha à vista" entre a Estação do Tua e o apeadeiro da Brunheda, situação desde logo deficitária e altamente questionável, sempre acreditámos que esta realidade apenas poderia evoluir no sentido da normalização da via, da melhoria do serviço e da segurança. No entanto, a 14 de Março de 2008, o Instituto de Mobilidade e Transportes Terrestres (IMTT) ordena que seja suspensa a circulação ferroviária entre Brunheda e Foz-Tua, baseando-se em estudos inconclusivos e inacabados, que são da responsabilidade do LNEC e da REFER. É incompreensível e inaceitável o facto de estas duas entidades não terem garantido, executado e terminado dentro do prazo todas as intervenções necessárias para garantir o normal funcionamento da Linha do Tua, facto esse que merece total repúdio e condenação. Certo é que após a reabertura da linha, os trabalhos de reforço da segurança estão por terminar e este aspecto representa bem o desleixe e desinteresse por parte dos responsáveis pela gestão e manutenção da Linha do Tua.



Ao Movimento Cívico pela Linha do Tua, causa grande estranheza, desconfiança e suspeição que um ano não seja suficiente para estudar os perigos e efectuar os trabalhos necessários numa linha que demorou apenas dois anos a construir, há 120 atrás… Curioso é também verificar que o IMTT dá a ordem de encerramento durante a tarde do dia 14 de Março, mas apenas três horas depois essa mesma ordem é revogada pelo próprio IMTT, dando mais uma semana ao LNEC e à REFER para que durante este período de tempo sejam efectuados os trabalhos que supostamente não se conseguiram fazer durante um ano. Estranhamente ou não, também se pode verificar que este infeliz e inoportuno episódio coincide com as vésperas do concurso para a construção da barragem.



Apesar dos investimentos realizados na Linha do Tua, a REFER e o LNEC não cumpriram com a sua responsabilidade, o que desde logo demonstra total falta de sensibilidade e respeito para com todos os utilizadores da linha, comprometendo seriamente o seu futuro.



O Movimento Cívico pela Linha do Tua condena o genocídio ferroviário que tem vindo a ser praticado na Linha do Tua e manifesta-se contra novo encerramento da linha, exigindo que seja normalizada a circulação ferroviária entre Brunheda e o Tua o mais breve possível.



Movimento Cívico pela Linha do Tua , 15 de Março de 2008



www.linhadotua.net


Wednesday, March 05, 2008

Comunicado do Movimento pela Linha do Tua de 12 de Fevereiro de 2008



Comunicado do Movimento pela Linha do Tua de 12 de Fevereiro de 2008



Completa-se hoje um ano sobre uma das mais negras horas da Linha do Tua: a 12 de Fevereiro de 2007, uma fatalidade fez com que a automotora Bruxelas fosse arrastada para as águas do Tua, levando a vida a três pessoas e ferindo outras duas. Foi o segundo acidente mortal em 120 anos de História da Linha do Tua.



Um ano depois a contestação contra a construção de uma barragem na Foz do Tua nunca foi tão grande, nem a incoerência dos intervenientes com poder governativo tão gritante face ao crescente número de entidades que sublinham o seu NÃO a tão grave atentado.



Se por um lado a REFER tem vindo a investir, e prevê ainda mais investimento para o reforço da segurança e condições de exploração da Linha do Tua, a CP vem agora finalmente abrir a Linha do Tua a uma mais ampla exploração turística.



O ICN – Instituto de Conservação da Natureza refere explicitamente que não se deve construir barragens na foz de um rio, a CCDR – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional tece críticas a este plano nacional de barragens, o IGESPAR – Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico refere que o levantamento do Património foi feito apenas no papel, a APPI – Associação Portuguesa do Património Industrial, representante em Portugal do organismo internacional consultor da UNESCO, aponta a destruição da Linha do Tua por uma possível barragem como um dos mais graves atentados ao património português.



A situação actual do Vale e da Linha do Tua é insustentável. De uma forma pouco clara, ilegal, e com uma celeridade nunca antes vista em processos deste tipo em nenhum outro país da União Europeia, aprova-se uma barragem sem referir os seus efeitos nefastos, e atribui-se um direito de preferência de construção à EDP. Defendem do Governo que é em prol das energias renováveis e limpas: todo o pacote de 10 novas barragens contribuirá para nada menos que 1% de redução de emissão de gases de efeito de estufa, e sendo que a retenção de grandes massas de água só vem contribuir para o seu aumento. E isto num país como Portugal, abençoado com vento e sol durante todo o ano; nem os parques eólicos nem os de painéis solares fotovoltaicos acarretam consigo os efeitos negativos das grandes barragens. Refira-se ainda a rápida e dramática erosão da nossa costa, que será agravada com a retenção de inertes a montante nos rios, presos pelas barragens.



Por seu lado, o Ministério do Ambiente gere as suas competências através da lógica do menos mal: Nunes Correia vem a público referir que uma barragem no Tua "não terá um impacto muito expressivo" já que "não estão em causa povoações com centenas de habitantes". Já Ana Paula Vitorino, Secretária de Estado dos Transportes, refere que "os benefícios sociais da construção de uma barragem serão superiores", inaugurando em 150 anos de História dos Caminhos-de-Ferro Portugueses a justificação da destruição de uma via-férrea como de "interesse público".



Perguntamos a estes governantes, pelo singular conteúdo das suas afirmações trazidas a público, se realmente conhecem algum aspecto sobre o que estão a falar, e que deveriam conhecer a fundo.



Ajudamos ainda a senhora Secretária de Estado Ana Paula Vitorino a enumerar os benefícios sociais que certamente queria referir:





· Destruição do último caminho-de-ferro do distrito de Bragança, o pior de todos em níveis de transportes públicos e mobilidade dos seus habitantes. Por conseguinte, acaba com o transporte de milhares de passageiros por ano, repartido pelas crianças em idade escolar e idosos que do comboio dependem para as suas deslocações, e de turistas que todos os anos vêm conhecer o Vale do Tua, vindos do Douro – com a reabertura da Linha do Douro à Espanha, o número de turistas irá aumentar de forma imprecedível, sendo um autêntico motor do turismo e comércio de cidades como Mirandela;



· Destruição de vinha de produção de Vinho do Douro directamente por submersão, e indirectamente por uma área mais vasta com o aumento dos níveis de humidade, calor e gases com efeito de estufa;



· Destruição das Caldas de Carlão e de São Lourenço;



· Criação nula de postos de trabalho. Enquanto durar a construção da barragem, esta será maioritariamente suportada por mão-de-obra que não é local, finda a qual desaparecerão da zona. A conservação e gestão da barragem é feita por uma equipa de técnicos que não são da zona, e em número reduzido, e controlada a partir da Barragem de Bagaúste;



· Serão construídas mais linhas de alta tensão, com todos os problemas de saúde a si associadas;



· Uma vez que as empresas que vão usufruir da construção e exploração da barragem não são sedeadas em nenhum dos concelhos atravessados pelo Tua, os impostos não ficarão na região, sendo que as margens que permanecem para as autarquias não revelam o verdadeiro lucro que se tira das barragens, que não será o da produção de energia, mas o da "venda" da água.





As grandes barragens em Portugal têm dois exemplos claros em situações antagónicas dos grandes "benefícios sociais" que acarretam: em Castelo de Bode as populações foram obrigadas a partir para Lisboa em busca de melhores condições de vida, depois de a barragem lhes ter tirado todo o sustento e qualidade de vida; em Foz Côa elevou-se um património à categoria de Património da Humanidade, e o PIB do concelho foi o único da sua zona a crescer.



O MCLT, no dobrar de um ano sobre uma tragédia, vem por este meio fazer-se ouvir para que se evite uma tragédia ainda maior. Nunca a curiosidade e vontade em se viajar e conhecer a Linha do Tua e o Vale do Tua foram tão grandes, e tanto REFER como CP estão a desenvolver esforços no sentido de capitalizar os seus investimentos neste conjunto singular entre a bravura da Natureza e a dos Homens. Urge desenvolver-se o Nordeste Trasmontano, e sem vias que suportem esse desenvolvimento está-se a condenar uma região já de si explorada à total desertificação. Para esse desenvolvimento se conta com um dos principais negócios do país, o Turismo, para além do qual o tráfego regional de pessoas e bens nunca poderá ser esquecido.



Defendemos o melhoramento das condições de operacionalidade da Linha do Tua, e a sua reabertura a Bragança e conclusão definitiva do seu traçado até à Puebla de Sanábria, onde a Alta Velocidade espanhola vai ter uma estação, no que deverá ser a implementação de uma lógica de rede de transportes integrada e sustentável.



Defendemos também o assumir de uma coragem política em se discutir todo este processo conduzido em bastidores CONTRA o povo e a favor de interesses por demais claros.



A Barragem do Tua NÃO faz falta aos trasmontanos, nem faz falta a Portugal; porque se insiste, e quem insiste na sua construção?





Movimento Cívico pela Linha do Tua, 12 de Fevereiro de 2008

www.linhadotua.net