Thursday, October 11, 2007

Sociedade do Automóvel


Um inspirador filme documental chegado do Brasil. Uma análise extremamente interessante e incisiva sobre os paradigmas desse aspecto tão crucial na organização e funcionamento das sociedades que é a deslocação e transporte, sendo que o despotismo automobilizado continua a ser um fenómeno tão entranhado e quase intrínseco naquilo que define a nossa sociedade, que nos parece tão abstracto e utópico conseguirmos imaginar, criar e viver cidades livres dessa opressão. Opressão atmosférica, de circulação, ambiental e, talvez antes de tudo o mais, cultural ... é talvez esse um dos aspectos mais interessantes exemplarmente dissertados no filme ...



http://paginas.terra.com.br/arte/sociedadedoautomovel/down.html




e mais um extracto do “Be the Change” que, na minha opinião, dificilmente poderia estar mais a propósito

Cresci e (em parte) vivi no Porto, que infelizmente é uma excelente cidade para poder verificar as proporções que o fenómeno da ideologia automóvel adquire. Mesmo ao nível da forma como as principais questões ecológicas vão sendo abordadas, creio que nunca houve uma verdadeira discussão sobre a essência deste fenómeno que, para além de todos os aspectos mais práticos e imediatos, se situa ao próprio nível cultural, ou seja, naquilo que se prende com as próprias mentalidades. Parece algo banal andar de automóvel, praticamente perdemos a capacidade de tentar imaginar como poderia ser a nossa vida quotidiana se não tivéssemos automóveis, e essa á talvez uma das mais perniciosas dependências na qual todo o nosso estilo de vida se continua a basear. Se calhar não nos apercebemos da violência que representa ter os automóveis a circular pelo meio de nós porque já nos habituámos, mas, se parássemos por breves instantes que fossem para reflectir, se calhar ficaríamos algo surpreendidos … a forma como os automóveis interferem, e prejudicam, a nossa vida quotidiana é inestimável. Sobretudo por causa deles, as cidades são como autênticas selvas urbanas (na acepção mais negativa que a expressão pode adquirir). Desde logo todo o aspecto psicológico da questão. Os automóveis são máquinas agressivas, que nos amedrontam e remetem para espaços laterais, quando as cidades deveriam ser sobretudo espaços de socialização e interacção interpessoal. Com os carros temos de nos remeter para as bermas, temos de nos remeter ao silêncio ou procurar sítios mais recatados se queremos conversar, tal é o ruído produzido pelos automóveis. Não menos importante (bem pelo contrário) é o aspecto da segurança. Sobretudo por causa dos automóveis, os nosso gestos mais singelos e simples mobilidade, tornam-se num permanente risco à nossa própria integridade física e muitas vezes à nossa própria vida. Uma simples desatenção ou menor pequeno incidente, com tais infernais máquinas a circular, pode-se tornar numa enorme tragédia. É uma prepotência enorme sobre as pessoas, é um factor crucial de deterioração das condições de bem estar humano e sociabilidade. Por vezes paro por breves instantes a contemplar algumas fotografias antigas, de épocas bem anteriores à da “automobilização” da sociedade, e observo como me parecem quase idílicas. As cidades limpas, com as ruas inundadas de pessoas, tranquilamente parando para conversar. Crianças e animais correndo livremente, canteiros e jardins onde agora existe somente asfalto e umas máquinas de lata a passar a velocidades alucinadas. Enfim, vejo aquilo que uma cidade deveria verdadeiramente ser: pessoas, contacto, encontro, espaço livre, espaço humano, espaço para a Natureza despontar aqui e além. Já não nos conseguimos aperceber da dimensão das alterações profundas que a vulgarização do transporte automóvel introduziu nas nossas vidas. Supostamente trouxe progresso, redução das distâncias geográficas, mas a questão que se coloca é: e se não tivéssemos mergulhado numa época do petróleo? Não será que se teria investido em soluções bem mais ecológicas e desprovidas de tão nefastos impactos? Basta pensar no comboio por exemplo … E, por outro lado, esse eventual progresso … será que os supostos benefícios que lhe estão associados justificam todos os problemas e impactos que lhe são implícitos? Essas problemas constituem uma lista quase interminável e vão desde o desenvolvimento de um estilo de vida sedentário - com todas as suas consequências em termos de saúde - ao excesso de poluição e ampliação exponencial da incidência de doenças do foro respiratório, passando pelos já referidos aspectos da sinistralidade, dependência energética face a um recurso não renovável e extremamente poluente como é o petróleo, não esquecendo o stress, que é talvez um dos factores mais relevantes em termos de deterioração das condições de vida nos espaços urbanos.

Pessoalmente acredito que eventualmente deslocarmos-nos mais rápido não compensa o facto de termos mais asma, bronquite e outras doenças pulmonares. Não compensa o biocídio de animais selvagens entre outros impactos ecológicos brutais que a construção de estradas implica. Não compensa todas as guerras e políticas militarista fratricidas que são despoletadas pela posse do petróleo … não compensa os terríveis desastres ecológicos causados por petroleiros a habitats ecológicos tão sensíveis como os marinhos (e é brutal a forma como nos esquecemos tão facilmente deles ou de forma tão vertiginosa deixam de estar na “ordem do dia” mediática). Não compensa o aquecimento global e a forma como está a destruir por completo toda a dinâmica natural e frágil equilíbrio ecológico do nosso planeta. Não compensa … sobretudo porque a dependência do petróleo, particularmente o interesse que existe por parte de determinados grupos financeiros em nos manter dependentes do petróleo (é daí que advêm os seus lucros milionários, da mesma forma que há poderosos grupos financeiros a lucrar com as nossas doenças) continua a estar associada a um estilo de vida e a determinados hábitos que nos parecem sempre inalteráveis e insusceptíveis de mudança. Pois bem, a mudança é, na verdade, uma das características mais primordiais de tudo aquilo que nos define como seres vivos, e não mudarmos, estagnarmos, é justamente um dos maiores prejuízos que podemos causar a nós próprios. A estagnação é contra a ordem natural da vida e do ser humano. Nesta caso em particular adquire contornos de particular gravidade pois não mudarmos o nosso estilo de vida, não modificarmos os próprios paradigmas culturais associados à frenética utilização e dependência em relação aos transportes poluentes, significa, de uma forma cada vez mais irreversível, o colapso ambiental, humano e económico da nossa própria sociedade. Parecem somente palavras, mas o que está em causa é a nossa própria sobrevivência … se calhar só iremos adquirir consciência da gravidade da situação quando ela nos afectar de forma extrema, quando o próprio estilo de vida que a ela conduziu sofrerá acentuadas modificações (ou seja, se não mudarmos “a bem” vamos necessariamente ter que mudar “a mal”).”

in Pereira, Pedro Jorge; “Be the Change you Want to See - uma outra perspectiva do mundo através do voluntariado”, (Porto, Planeta Terra: GAIA, 2006) p.33

Monday, September 10, 2007

Sobre os OGMs ou nem por isso


Sobre os OGMs ou nem por isso

por Pedro Jorge Pereira, ecologista social

correcção ortográfica Cristina Gomes


Para dizer ou escrever seja o que for sobre Transgénicos sinto que “devo” quase obrigatoriamente começar por referir a minha considerável ausência de conhecimentos técnicos ou científicos sobre a questão ou sobre os diversos aspectos a ela inerentes.

A “questão” dos transgénicos é uma questão que para além de todas as nuances ao nível da reflexão ética, nomeadamente sobre os paradigmas de relacionamento ser humano-Natureza, é indubitavelmente uma questão que facilmente se reveste de aspectos específicos cuja discussão se centra, de facto, essencialmente no âmbito restrito da abordagem científica. No entanto, e para ser sincero, não creio que seja necessário ser cientista ou técnico especializado para reflectir ou até para ter uma opinião bem fundamentada sobre ser favorável ou não à utilização de organismos geneticamente modificados. Na verdade, a ausência de conhecimentos técnicos aprofundados é um dos principais pretextos utilizados pelo poder político e pelo poder de uma grande parte das poderosas companhias multinacionais para conseguir afastar o cidadão comum das discussões sobre as grandes questões da nossa actualidade e, mais importante ainda, dos processos de tomada de decisão que se efectuam, numa escala cada vez mais preocupante, a um nível muito afastado dos próprios processos de decisão democráticos.

Então o que dizer sobre os transgénicos do ponto de vista não técnico?

Um dos argumentos normalmente utilizados pelos lobbies pró transgénicos é o de que, na realidade, os transgénicos nem representam nada de propriamente radicalmente diferente, dado que já há muitos anos, séculos até, o Homem procede a cruzamentos genéticos entre espécies, nomeadamente alguns dos alimentos que actualmente são parte integrante da nossa dieta correspondem a espécies que advêm do cruzamento de outras espécies. Ora, na verdade, esse cruzamento não se processa ao nível do “núcleo” das células desses alimentos, mas é um cruzamento onde o dito nível de manipulação não atinge sequer uma escala laboratorial. Por isso é um cruzamento que, diria, se aproxima de um nível algo “natural”. São “apuramentos” efectuados, essencialmente, pelos próprios agricultores através de processos algo simples e não em laboratórios incentivados, acima de tudo, pela aparente vantagem comercial dos OGMs.

A introdução dos organismos geneticamente modificados na nossa alimentação e Natureza possui o potencial de originar modificações possivelmente sem precedentes na própria história da humanidade.

O funcionamento normal dos ecossistemas implica um mais ou menos complexo conjunto de elos e relações cuja compreensão é, por definição, algo limitada. Qualquer alteração nos frágeis elos que compõem a cadeia de todo o ecossistema pode dar origem a inúmeros impactos com um grau de previsibilidade muito limitado em todos os outros elementos dessa mesma cadeia.

Ora os OGMs, pela escala sem precedentes de manipulação dos próprios genes dos alimentos, têm a susceptibilidade de originar impactos de enorme dimensão, sem que se saiba exactamente que tipo impactos, em toda a cadeia natural e ecossistemas. Ainda para mais, quando é cada vez mais evidente que não passa de um mito a possibilidade de delimitar em termos práticos a zona de abrangência de um campo OGMs à própria área desse terreno e pouco mais que áreas adjacentes. Na realidade, existem já demasiados registos de casos de contaminação cruzada a distâncias preocupantes, nomeadamente de alguns kms.

Na verdade, creio que mais do que qualquer discussão técnica, o que está em causa são os próprios princípios inerentes à produção de transgénicos, nomeadamente essa fatal e desastrosa “mania” do bicho Homem de manipular a Natureza à medida dos “supostos” interesses ou, diria antes, caprichos, mais do que existir qualquer esforço por parte do Homem de se adaptar à própria Natureza que, de forma tão incansável, o alimenta, nutre, aquece e inspira.

Neste caso, essa manipulação poderá (e infelizmente tudo indica que sim) causar impactos que se irão voltar de forma imprevisível e altamente perigosa contra a própria espécie humana. Afinal de contas, ao consumirmos produtos transgénicos, estamos a ser cobaias de uma experiência que, na prática, ninguém sabe muito bem que efeitos poderá produzir. E essa é um dos aspectos essenciais inerentes a toda a questão: o princípio da precaução, que ,de forma tão deficiente, tem sido defendido pelos poderes políticos face às mais que legítimas preocupações dos consumidores.

Pessoalmente não tenho muito a reflectir sobre a questão dos transgénicos ... parece-me que é “apenas” mais dos mesmos mecanismos de proliferação do poder económico das multinacionais sobre o respeito pela Natureza e pelo desenvolvimento sustentável da Humanidade, e mais dos mesmos mecanismos de dominação da lógica de mercado sobre qualquer lógica de bem estar social igualitário e sobre os legítimos mecanismos de expressão democrática, especialmente considerando que os dados são inequívocos: a grande maioria da população, nomeadamente a Europeia, é contra a utilização e consumo de OGMs.

A forma como os OGMs têm vindo a ser introduzidos nos nossos alimentos e mercados (sendo particularmente obsceno no caso Europeu dado que essa introdução tem vindo a ser concretizada ao arrepio e contra a clara vontade da esmagadora maioria dos consumidores Europeus) não deixa grande margem para dúvidas (se as houvesse) de quem quer mandar (e o tem vindo a fazer com largo sucesso) nas decisões que são tomadas relativamente à sociedade de todos nós: o poder das grandes companhias multinacionais está longe de ser percepcionado pela maior parte da população e, na grande maioria, estamos longe de compreender o perigo que essa espécie de neo-fascismo de mercado representa para todos nós.

Os interesses económicos (leia-se lucro) de um conjunto restrito de corporações, neste caso do importante sector agro-industrial, valem mais para os ditos decisores do que a protecção e precaução na defesa do meio ambiente, do que a própria saúde dos consumidores. Sim, porque se é óbvio que somos de facto aquilo que comemos, a realidade é que não temos a mínima ideia do que nos podemos estar a tornar se ingerimos alimentos relativamente aos quais poucas ou nenhumas seguranças existem. Bem pelo contrário.

Vem toda esta dissertação a propósito de quê?

No passado dia 17 de Agosto, um grupo de activistas do designado Movimento “Verde Eufémia” encetou uma acção de contornos poucos ou nada comuns em Portugal, desencadeando uma histérica onda de indignação e condenação por parte do poder político, dos media, e do imenso coro de vozes provenientes dos pensadores do “status quo” da nossa sacra ordem social, que, curiosamente, até esse acontecimento pouco ou nada haviam feito, dito ou sequer pensado sobre a questão dos OGMs.

A acção consistiu na destruição de parte da uma plantação de milho transgénico. A imagem que passou foi a de um “pobre” agricultor subitamente arruínado face à “fúria” de um bando de extremistas fanáticos e violentos. Pessoalmente tenho algumas dúvidas sobre a natureza de uma tal acção, nomeadamente relativamente à sua eficácia, num contexto em que o centro dos debates das grandes questões da nossa actualidade é, senão mesmo completamente estéril, pelo menos superficial. Nessa medida creio que as imagens captadas acabaram um pouco por provir a essa infeliz fatalidade da nossa actualidade: a sociedade mediática do espectáculo e do boçal entretenimento.

Subitamente a destruição de um parcela de um campo de milho transgénico era mais grave e condenável do que, desde logo, a plantação de milho transgénico independentemente das graves ameaças que esse pudesse ou não constituir às plantações não transgénicas situadas nas imediações. Do que a deficiente protecção dos direitos dos consumidores considerando a não apropriada catologação e discriminação nas embalagens dos produtos contendo OGMs.

Obviamente que a “violência” (mesmo considerando todas a subjectividade de aplicar ou não tal termo em função de variados contextos) é sempre algo condenável ... mas é condenável o escravo que queima a roça do “senhor de engenho” que o escraviza? É condenável a violência da mulher que se volta contra o marido agressor?

Foi uma acção legal? Sem dúvida que na óptica da “Lei” não foi, mas uma das principais bases da “lei” é a moral ... e infelizmente não faltam casos de leis imorais. Ou que pelo menos revelam um acentuado desfasamento temporal face à evolução das mentalidades. A abolição no tempo em que vigorou era legal, ao invés de qualquer acção de libertação de escravos, tida como ilegal, violenta, e lesiva da ordem e moral então vigente. A mudança social, nomeadamene a mudança que visa leis injustas e imorais, implica necessariamente, em muitos casos, a desobediência civil motivada pela não compactuação com leis injustas e lesivas do bem estar social e ambiental das sociedades. Pessoalmente, acredito piamente que qualquer lei que permita a introdução de OGMs na nossa alimentação, nos nossos campos agrícolas, na nossa Natureza e nos nossos mercados, ainda para mais com a agravante de haver uma gritante ausência da informação relativa a esse facto, é, para mim, altamente imoral. Será que isso dá qualquer legitimidade a um grupo de cidadãos para actuar contra essas leis imorais, nomeadamente através da destruição de propriedade privada? Não sei, pessoalmente creio que é muito relativo e pode, e deve, ser discutível. Pessoalmente creio que o valor patrimonial de um bem que é de todos nós, a nossa Natureza, é claramente mais elevada do que o valor de uma propriedade privada e, particularmente, do que o lucro de quem quer lucrar à custa da proliferação de OGMs.

A imagem do “pobre agricultor” arruínado foi, na minha opinião, uma tremenda falácia. A imagem que passou foi a de um pobre agricultor vs bando de extremistas eco-fundamentalistas quando, essencialmente, a batalha dos OGMs se trava entre um restrito grupo de consumidores, ecologistas e agricultores tradicionais contra uma complexa cadeia de jogos e interesses de poderosos grupos agro-industriais e lacaios a quem o seu poder de uma forma ou de outra provém, situem-se esses importantes aliados no poder político ou na poderosa indústria dos media corporativos.

Pessoalmente a mais considerável crítica que teço ao Movimento Verde Eufémia, talvez por ser um movimento, ao que sei, bastante recente, é a de talvez devido à ausência de alguma ponderação estratégica, ter contribuído um pouco para o aproveitamento e insidiosa vitimização que foi retirada da situação. As imagens aparentemente violentas serviram na perfeição para alimentar uma indústria e sociedade algo sedenta de espectáculo. Por outro lado a luta anti-transgénicos, só para citar o exemplo mais directamente relacionado, decorre há diversos anos pelas mais variadas e totalmente não-violentas formas sem que, até ao momento, pouca ou nenhuma atenção e consideração relevante houvesse merecido por parte da generalidade dos “media institucionalizados”, não obstante o tão cruciais e relevantes que são as questões que o debate sobre os OGMs possa suscitar.

Foi a forma correcta de agir e actuar? Não sei, sei, infelizmente, que todas as outras formas foram usadas e tentadas pela maioria do movimento de oposição à proliferação OGMs, sem que tivessem tido, até ao momento, considerável impacto ou conseguido vitórias consideráveis para além de terem contribuído positivamente para haver uma maior consciencialização sobre o assunto.

No essencial, contudo, creio que o que mais incomodou ao próprio poder político, foi uma característica peculiar desta acção e que confronta esse mesmo poder com algo em relação ao qual este tem vindo a manifestar uma enorme ausência: acção. É extraordinária a forma como paulatinamente, não obstante tão significativa rejeição da sociedade face a estes, os OGMs têm vindo a ser produzidos e gradualmente comercializados em Portugal e um pouco por toda a Europa. Num contexto de inércia, conivência e até apoio do poder político aos intentos das indústrias agro-alimentares parece-me lógico que, esgotados e esvaziados por esse mesmo poder de validade as diversas iniciativas e campanhas não-violentas encetadas pelos defensores de uma cultura e alimentação natural e não OGMs, as formas de acção mais directas, à imagem de resto do que já é comum em países onde a consciência e discussão da questão OGMs se encontra num nível bem mais avançado, passem a constituir uma forma de acção mais comum.

Existe um enorme grau de subjectividade inerente à discussão da legitimidade desse género de acções, havendo em cada acção em particular um conjunto de condicionantes e particularidades que lhe podem conferir, ou não, maior ou menor legitimidade. Subjectividade que, de resto, em nada se coaduna com a forma superficial e leviana de encarar uma acção que não pode de forma alguma ser desenquadrada de um contexto demasiado relevante para permitir a sua discussão de forma apropriada.

O próprio Estado tem vindo a destruir, e a permitir a destruição, legal de preciosos habitats naturais no nosso país, sem que, numa grande parte dos casos, se assista a qualquer esforço de impedimento ou punição face a tais crimes que persistem sendo cometidos. Os Planos Directores Municipais, entre outros planos de ordenamento territorial, são constantemente cortados e retalhados em função dos interesses especulativos imobiliários. As poucas áreas protegidas que subsistem continuam a sofrer com a construção de empreendimentos megalómanos financiados e apadrinhados por diversos ministérios. O Ministério da Agricultura permite e incentiva que OGMs sejam plantados e libertados nos Habitats Naturais. Tudo isto legalmente ... será que o valor de uma grande parte das leis vigentes é superior ao valor de realmente podermos lutar e exigir um Mundo melhor?

Quem são os vândalos, os jovens de Silves ou as buldozers e catterpillers dos grandes empreendedores imobiliários e bancos que os financiam?

Quem são os vândalos, os jovens de Silves ou as empresas químicas que continuam e libertar nos nossos habitats perigosos produtos químicos?

Quem são os vândalos, os jovens de Silves ou as empresas de celulose que continuam a protagonizar a infestação das nossas florestas com eucaliptos?

Onde reside a inconsciência? Do lado dos que protagonizam a destruição de campos OGMs ou do lado de ministérios que permitem a sua plantação sem qualquer garantia de segurança relativamente à salvaguarda de situações de contaminação (praticamente inevitável)?

Onde reside o vandalismo, na destruição do campo OGMs de Silves ou na destruição que está prestes a acontecer do último rio selvagem português, o Sabor, por intermédio da estatal EDP e outras mega instituições do betão e dos milhões com o alto patrocínio, apoio e incentivo do antigo Ministro do Ambiente, José Socrates?

O que têm conseguido os movimentos ambientalistas com acções legais e politicamente correctas para fazer face às ferozes e violentas investidas do betão e da ganância corportativa? Que protestos se têm revelado capazes de impedir seja o que for para evitar aquilo que tem vindo a suceder de forma cada vez mais impiedosa: a destruição, exploração e desprezo pelo Património Natural do nossos país? Quem são os extremistas? Os destruidores? Os imbecis?

Ficam as interrogações.

Fica ainda uma nota de reflexão relativamente à perseguição absurda que tem sido alvo uma das mais corajosas ONGAs portuguesas: o Grupo de Acção e Intervenção Ambiental (GAIA).

O GAIA preconiza, em certas situações, o recurso à acção directa não-violenta como forma de protecção da Natureza e forma de intervenção e protesto político. É um movimento inspirado na linha de actuação de Mahatma Gandhi e outros pacifistas comtemporâneos.

O GAIA é um colectivo não hierárquico e onde a opinião de todos os membros é válida e útil. Nessa medida a acção de Silves, ainda que possa ter contado com a participação de alguns elementos do GAIA, decorreu sem o conhecimento sequer de uma parte significativa dos activisas do GAIA. Decorreu numa órbitra completamente externa às decisões colectivas do grupo ou no quadro das suas acções e campanhas. Nessa medida, creio que são ridículas as responsabilidades que têm sido imputadas ao GAIA quando é claro que a acção foi planeada, executada e assumida pelo Movimento Verde Eufémia.

Moralmente o GAIA apoia determinados tipos de acções directas, como já referi, mas não existe ainda sequer nenhum consenso no seio da própria organização sobre o apoio claro e inequívoco à acção de Silves.

Dessa forma é absurda as atitudes de perseguição e condenação que o GAIA tem sofrido por uma acção que efectivamente não apoiou, na qual não tomou parte, e da qual pouco ou nada uma grande parte dos activistas sabia.

Mas é assim, a praça pública exige os seus bodes espiatórios e a sede de justiça popular (populista) remonta já aos tempos que os pelourinhos constituiam um dos principais motivos de entretenimento do povinho das aldeolas. Talvez não se tenha evoluido assim tanto desde esses tempos que para muitos são tempos ainda saudosos.

E sobre transgénicos, e outras divações, por agora tenho dito.

Não obstante a minha capacidade algo limitada de me alongar mais profundamente sobre o cerne propriamente dito das questões relativas aos OGMs existe alguma informação que, na minha opinião, é extremamente elucidativa e didáctica e que permite reflectir de forma mais fundamentada sobre a questão.


Nessa medida, creio que de leitura obrigatória é o livro da Professora Margarida Silva, uma das maiores especialistas nacionais e mesmo internacionais sobre o tema dos OGMs e biologia molecular creio, cujos dados indicativos, infelizmente, não disponho neste preciso momento.


Documentos particularmente didácticos, sobretudo para quem, como eu, pouco compreende as nuances técnicas da questão OGMs são:



FUTURE OF FOOD:

http://video.google.com/videoplay?docid=5888040483237356977


GMOs PANACEA OR POISON: http://video.google.com/videoplay?docid=5207412505897358694


Life running out of control:

http://video.google.com/videoplay?docid=1876901729566469042


Para mais informações sobre os transgénicos, visite ainda os seguintes links:


desde logo o site oficial da Plataforma Transgénicos Fora do Prato

http://www.stopogm.net/


http://www.esquerda.net/mp3/entrevista_trans.mp3

(entrevista a Gualter Baptista, um dos mais activos activistas portugueses anti-OGm e que elucida de forma muito bem estruturada muitas das questões mais cruciais sobre os OGM)



http://pimentanegra.blogspot.com/2007/09/propsito-da-no-violncia-e-das-lutas.html


(que permite reflectir de forma mais “aprofundada” sobre os contornos da acção de Silves)



http://groups.yahoo.com/group/InfoNature-Portugues/message/815

http://groups.yahoo.com/group/InfoNature-Portugues/message/808

http://groups.yahoo.com/group/InfoNature-Portugues/message/806

(dos recursos web do excelente projecto InfoNature)



http://eufemia.ecobytes.net/

(blog do Movimento ainda não formal Verde Eufémia)



e ainda o site:

http://ingenea.pegada.net


fica ainda um artigo notável escrito por um dos mais eminentes e “lúcidos” intelectuais portugueses, Boaventura de Sousa Santos, sobre o tema.


O Descodificador

Publicado na Visão em 30 de Agosto de 2007

Fonte: http://www.ces.uc.pt/opiniao/bss/190pt.php


Frequentemente, um pequeno acontecimento revela aspectos da vida colectiva que, apesar de importantes, permanecem submersos na consciência dos cidadãos e na opinião pública. A destruição de um campo de milho transgénico no Algarve é um desses acontecimentos. Através dele revelaram-se entre outras, as questões da legitimidade das lutas sociais, da propriedade privada, da influência dos interesses económicos nas legislações nacionais, do papel do Estado nos conflitos sociais, da construção social da perigosidade de certos grupos sociais e da possível nocividade dos organismos geneticamente modificados (OGMs) para a saúde pública.

As lutas sociais são frequentemente compostas de acções legais e ilegais. Os actos fundacionais das democracias modernas foram, quase sem excepção, ilegais: greves e manifestações proibidas, lutas clandestinas, insurreições militares (como o 25 de Abril), actos que hoje consideramos terroristas (como os do "terrorista" Nelson Mandela). Em certos contextos, os activistas podem escolher entre meios legais e ilegais (como no caso vertente), noutros, não têm outra opção que não a da ilegalidade.

A propriedade privada é um alvo difícil porque as concepções sociais a seu respeito são muito contraditórias e evoluem historicamente. Os primeiros impostos sobre o capital industrial não foram considerados pelos empresários como uma violação do direito de propriedade? Há violações da propriedade privada que não causam qualquer comoção social apesar de serem graves, por exemplo, os salários em atraso. No caso dos transgénicos, o tratamento do direito de propriedade apresenta contradições flagrantes. Enquanto, por um lado, a polinização cruzada faz com que culturas convencionais venham a ser contaminadas pelos OGMs, o que, sendo uma violação do direito de propriedade, não levanta nenhum clamor. Por outro lado, um agricultor canadiano, vítima de polinização cruzada, foi obrigado a pagar uma indemnização à Monsanto, empresa de sementes, por ter violado o direito de propriedade desta (a patente) ao usar sementes que tinham sido contaminadas contra a sua vontade.

Estas contradições decorrem do fortíssimo lobby das grandes empresas de sementes, cinco ou seis a nível mundial, na legislação e nas políticas nacionais. Só essa pressão explica: que Portugal - durante um tempo visto como refúgio da agricultura biológica e orgânica da Europa – seja hoje um dos seis países a aceitar os transgénicos; que a legislação portuguesa seja tão enviesada a favor dos OGMs que quase parece ter sido redigida pelos advogados das empresas; que o ministro da triste figura faça, de um campo de milho, um campo de batalha a exigir imediata ajuda humanitária; que os técnicos do Estado apaguem, como ciência, as press releases da Monsanto e escamoteiem a questão principal: se os OGMs fazem mal às borboletas e outros animais inferiores porque não accionar o princípio da precaução?

Este lobby encontra no caldo de cultura conservador da opinião pública o contexto ideal para estigmatizar a oposição aos seus interesses. E assim os activistas são transformados em "ecofascistas" ou "terroristas light".

PS: dedico esta coluna ao Eduardo Prado Coelho


Monday, August 20, 2007

Da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia


Da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia


No dia 18 de Agosto decorreu no Parque da Cidade, no Porto, o inédito encontro “Harmonia em Movimento”. Nele tive a oportunidade de juntamente com o Pedro do projecto Raízes, apresentar uma muito informal “sessão de discussão” que sugeri chamar “Da Ecologia do Ser ao Ser da Ecologia”. Decorreu num ambiente extremamente agradável e fluído. Nela foram abordadas muitos dos principais temas do projecto “Be the Change”. Uma experiência, sem dúvida, a repetir. Tal como o “Harmonia em Movimento”. A repetir!!! certamente nunca será repetitivo, mas sempre melhor e mais melhor! O que não é um desafio nada modesto dada a qualidade deste primeiro evento ;O)


http://harmonia-em-movimento.blogspot.com/

http://www.raizes.org/


Friday, July 13, 2007

Ecotopia 2007 [en e pt]


[en e pt]

Estás convidado para o Ecotopia 2007

You are invited to Ecotopia 2007 – Migrations


http://www.ecotopiagathering.org/


PT


O Ecotopia é um acampamento anual de activistas de toda a Europa e um encontro aberto a todas as pessoas interessadas em questões ambientais e de justiça social. O Ecotopia acontece todos os anos desde 1989, sempre num país diferente. É organizado pela EYFA (Juventude Europeia pela Acção) e por uma ou várias associações ambientais do país, que funcionam como organização que acolhe o evento. Neste ano, a 19ª edição irá decorrer em Portugal, promovida pelo GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental).

O Ecotopia é um local de aprendizagem, partilha de experiências e difusão de informação sobre questões ambientais, sociais e políticas, entre outras. Entre 200 e 600 pessoas participam em cada edição do Ecotopia, para partilharem conhecimentos e discutirem sobre um amplo leque de assuntos, tais como: alterações climáticas, transportes e mobilidade, transgénicos, agricultura biológica, construção ecológica e infraestruturas sustentáveis, política e sistema económico global, estratégias para acções, experiências de campanhas, medias alternativos, migrações, racismo e xenofobia, questões culturais, influências sobre e das pessoas...

Todos os anos o Ecotopia tem um tema diferente, que se tenta que tanto esteja relacionado com o local, como que vá de encontro às emergências globais. Sendo assim, o tema escolhido este ano são as migrações, que terão especial relevância nos dias 10, 11 e 12 de Agosto.

O Ecotopia é igualmente um modelo funcional de comunidade auto-sustentável que coloca em prática os princípios de um estilo de vida alternativo e mais amigo do ambiente: tomadas de decisão por consenso, reciclagem de lixo, refeições vegetarianas, uso de energias alternativas... Sempre que possível, @s ecotopian@s participam em acções de voluntariado na zona, tentam envolver as pessoas locais nas questões do ambiente, assim como capacitam organizações locais.

O Ecotopia tem uma estrutura horizontal (não-hierárquica) e auto-organizada; a tod@s é pedido que tomem parte no funcionamento do campo, resolvendo problemas e tomando decisões. E tod@s são responsáveis pelo programa!

O Ecotopia funciona no sistema de ecotaxas - um sistema económico alternativo baseado no padrão de vida e rendimento médio de cada país, em vez de baseado nos mercados financeiros, o que significa que cada um no Ecotopia paga pela comida o mesmo que pagaria no próprio país.

Uma das melhores formas de chegar ao Ecotopia foi sempre a BikeTour.

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EN


This year Ecotopia will take place between 4 - 19 August in Aljezur in the south of Portugal.


What is Ecotopia?
Ecotopia is a two-week activist camp and an open event for everyone interested in environmental and social justice issues. Ecotopia takes place every summer since 1989 in a different country. It is organized by EYFA (European Youth For Action) and hosted by local grassroots environmental organizations. This year, the 19th Ecotopia will be hosted by
GAIA (Grupo de Acção e Intervenção Ambiental).
Ecotopia is a place for networking, learning, exchanging experiences and spreading information about environmental, social and political issues and campaigns. Several hundred people attend Ecotopia each year to share skills, to discuss alternatives and to address a wide range of themes and issues like strategies for actions and campaigns, racism, xenophobia, homo- and queerphobia, creative dissent, alternative media, social centers, sustainable building and infrastructure, organic/fair trade food and farming, climate change, biological diversity, GMOs, etc.


This years' theme 'Migration'
Ecotopia covers a wide range of issues but has each year a particular topic that stands out. This year we look particularly at the theme Migration. There will be a 3 days Migration Focus on the venue from 10th to 12th of August.
Throughout these 3 days there is space to discuss the reality of a 'Fortress Europe', of detention camps and different kinds of repression on 'illegal' people, and to share experiences in the struggle for equal rights and global freedom of movement for all. In the setting of Ecotopia we will also look into the reasons and effects of urban-rural/rural-urban migrations and address the global increase of environmental refugees.


Community
Ecotopia is horizontally and self-organized. It brings an alternative and environmentally-friendly way of living and organizing into practice: DIY (do-it-yourself), consensus decision-making, waste recycling, a vegetarian/vegan organic kitchen and the usage of alternative energies as much as possible. It is strictly forbidden to use non-ecological stuff (soap,shampoo etc) in the camp. Everyone is asked to involve themselves in decision-making processes, the daily creation of the program and the running of the camp. During the 2 weeks, participants can use Ecotopia as a platform to spread information in the area and to organize local actions or cleanups.


Location
Aljezur is a small town in the south of Portugal situated in the Southwest Alentejo and Vicentine Coast Natural Park in the Algarve region. The landscape is dominated by cliffs, clear sand and dunes. It is known for its archaeological and historical richness. Once founded by Arabs in the 10th century, the Aljezur of today has a mixed population of 2700 inhabitants. Most Aljezurians make their living from traditional agriculture with sweet potato and peanut being typical products for this region.


Alternative Economics
Ecotopia's economics are based on the Ecorates system - an alternative economic system developed by EYFA, which is based on living standards and income of people rather than financial markets. Ecorates currency is used in Ecotopia and in many other meetings and magazine subscriptions with the aim to create fair prices to balance the economical differences between countries. Please help us update the Ecorates by filling in the Ecorates
questionnaire Thank you! For more information on ecorates see www.eyfa.org/ecorates


Take part
We would like to invite everyone interested to come and want to contribute to the program by giving workshops, presentations, discussions and screenings on the theme of migrations and any other interesting topic or environmental issue. Groups and individuals are welcome to present their work, and also to network and plan meetings within Ecotopia.
If you plan to attend Ecotopia please
register online and if you also plan to give a workshop please fill in the workshop form
If you need a visa to come to Ecotopia, please contact Salome (
salomeribeiro@gaia.org.pt) till 30st of June 2007 the latest, better NOW!
If you want to apply for travel reimbursement, please fill in the registration form before 2nd of July 2007.


Prepcamp (23rd of June - 4th of August 2007 )
Every year, before Ecotopia starts, there is a
Preparation Camp of 1-2 weeks in the venue for setting up the infrastructure of the camp. This year Ecotopia Prep-Camp will start 23rd of June 2007. If you want to participate the PrepCamp, please mention this while filling in the online registration forms.

One of the best ways to come to Ecotopia has always been the Ecotopia Biketour.

Bring your projects, ideas, creativity and your tent to Ecotopia!!


EYFA & GAIA
ecotopia@eyfa.org

www.ecotopiagathering.org/

www.gaia.org.pt

www.eyfa.org


Thursday, June 28, 2007

florestas

As florestas, habitats sagrados e ancestrais continuam, por todo o mundo sem excepção, vulneráveis face às investidas da ganância humana.

Interrogo-me se aqueles que procuram avidamente cortar as florestas de forma tão massiva, ou sobretudo os que mandam cortar, se detiveram por breves minutos que fosse “sentindo” a essência de uma floresta. Não é algo propriamente dizível ... descritível ... mas posso sem qualquer sombra de dúvida afirmar que é mesmo algo de único, transcendente talvez ... creio que depois de tal experiência é praticamente impossível olhar para um floresta como um mero aglomrado de madeira pronta a cortar ... infelizmente continuam a ser mais os que olham para o verde das notas de euro e dólar do que para o verde primordial da Natureza ... e somos nós que escolhemos em larga medida o que queremos ver ...

um apelo vindo da Finlândia ...


The destruction of Saami forests in Finnish Lapland started again


The long lasting forestry conflict in Finnish Lappland is again in a very

urgent state. The Finnish state owned company, Metsähallitus,

has started large scale logging operations in the home area of

indigenous

Saami people on the 14th of May, 2007.


These logging have been critisized for the following reasons:


-there is no solution yet for the land ownership conflict between

indigenous Saami

people and the Finnish state.

-the Finnish state has not proven to be the actual owner of the forests

that it is logging right now.

-the clear-cutting style of logging ancient forests in the extreme north

of Europe cannot be accepted from an ecological and micro-climatical

point

of view.

-the loggings destroy the very basis of the culturally important Saami

free grazing reindeer herding tradition

-the loggings waste the ancient forests and its wood and leave less

possibilities for future truly sustainable continuous cover forestry

without destructive clear cutting.



Among others Union of Ecoforestry urged Finnish

parliament to stop the logging immediately and distributed for

parliament groups the documentary movie Last yoik in Saami forests

(http://elonmerkki.net). Until now there has not been any public

reaction

by the Finnish government. The silence in Finnish media also

continues.


The director of the movie, Hannu Hyvönen, expressed his feelings

about the

on-going loggings recently: "It is quite easy for us to update this sad

turn-up in the documentary movie, but we cannot update these forests

which

are now again cutted down."


The documentary movie can also be loaded here:

http://video.elonmerkki.net/last_yoik.mp4


More info and links:

http://elonmerkki.net



The short history of this conflict with video clips from the movie

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1. Centre of Saamiland


In northern Lapland, over one thousand kilometres north of Finland’s

capital, Helsinki, lies the largest remaining wilderness in Western

Europe. These fells and forests are the homeland of Northern Europe’s

only

indigenous people, the Saami. The land rights issue in the Saami

homeland

is unsolved.


Look the introduction of the scenerys videoclip

http://video.elonmerkki.net/videoreportage/alkumaisema.mp4



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LAST YOIK IN SAAMI FORESTS - A DOCUMENTARY FOR UN


The above clips are part of the documentary movie

Last yoik in Saami forests , 54 min


You can look the version updated April 2007 on the address:

http://video.elonmerkki.net/last_yoik.mp4

The documentary movie is also available on DVD.


For commercial presentations, library use and for tv broadcastings,

please

contact the director Hannu Hyvönen directly at hannu@elonmerkki.net


Contacts:


http://elonmerkki.net


info@elonmerkki.net

tel +358 40 831 7733