
Wednesday, November 08, 2006
Monday, November 06, 2006
“Transe”

Já há bastante tempo que um filme não me tocava de forma tão “visceral” e me infundia emoções tão profundas e, de certa forma, perturbadoras. Transe, sem ser propriamente um filme documental (mesmo expondo de forma tão inexorável o drama do tráfico de “carne humana”), é um perturbante (é o mínimo que se pode dizer) testemunho de uma “tragédia” quotidiana que é a exploração da miséria de milhares, milhões até, de raparigas e mulheres neste nosso planeta... milhões de rapariguinhas (algumas delas ainda mal “despedidas” de uma fugidia infância) que, face à miséria de suas vidas, poucas mais perspectivas lhes restam do que agarrarem-se à ténue esperança de um emprego num qualquer país “rico”. E face à miséria também económica dos seus países de origem, até um país pobre, como por exemplo Portugal, consegue passar por país rico... Como nos oferece paradoxos tão interessantes a ordem neoliberal em que habitamos ...
Transe é um verdadeiro soco no estômago. Um soco no estômago que em larga medida é importante levarmos, sobretudo no sentido de despertar para um drama que tem a exacta escala de cada um dos seres humanos, sobretudo mulheres, de que os seus contornos se revestem ...
E creio que é essa sobretudo a dimensão mais essencial em “Transe”: a escala individual e pessoal dessa mesma tragédia e calamidade neo-esclavagista que uma sociedade essencialmente chauvinista e patriarcal persiste em reproduzir, alimentar, ignorar ... e dela todos nós somos cúmplices com o nosso silêncio, com a nossa indiferença, com a nossa insensibilidade para o drama que se desenrola mesmo ao nosso lado, numa das boates da nossa cidade nocturna, na rua, seja onda for... porquê?
No livro acabei por abordar a questão de uma forma algo lacónica talvez pela dimensão da questão em causa, mas acima de tudo pareceu-me relevante deixar essa reflexão ... “aquela” mulher que vemos nas ruas, nas boates, na berma da estrada, é um ser humano ... um ser humano, apesar de tudo, com a sua personalidade, identidade e sonhos, que numa grande parte dos casos será bem diferente do pesadelo da prostituição ... e uma “puta” não é somente uma “puta”, uma “puta” é uma rapariguinha, uma mulher, um ser humano ...
um parágrafo mais “dedicado” à reflexão sobre o conceito de “turismo de massas”, mas de qualquer das formas, creio que a exploração de milhares de raparigas, a prostituição, não deixa de ser uma das vertentes mais relevantes do “fenómeno” do turismo de masas ...
“Estive a falar com a Joana, uma das responsáveis da agência nacional checa do programa juventude, sobre o país e particularmente Praga. Com a vulgarização dos voos “low-cost”, Praga começou a ser invadida de multidões ainda maiores de turistas, alguns dos quais somente para o fim-de-semana. A indústria do turismo de massas e outras que lhe estão inerentes: alcool, prostituição e drogas sofreu um “boom” de tal forma significativo que ocorreu uma enorme descaracterização na própria estrutura histórico-cultural da cidade, proliferando os bordeis, casas de sexo várias, lojas de bebidas alcoólicas e outras lembranças próprias de turismo de massas. O turismo, de uma oportunidade de promover a interculturalidade e aprendizagem a este nível, torna-se em algo que essencialmente torna cidades inteiras em parques de diversões para multidões de turistas. Quando era mais novo, fui várias vezes com os meus pais para o sul de Espanha e lá o turismo era bastante assim ... com um monte de “benidorms” espalhadas ao longo de toda a costa, com uma total descaracterização aos mais diversos níveis: ambiental, cultural, etnográfica. Infelizmente Portugal também não é muito diferente, basta observar no que o Algarve se tornou.
Praga é uma cidade particularmente bela, e não é propriamente agradável vê-la infestada desses turistas à procura de diversão barata, regada por litros de bebidas alcoólicas e muito sexo ... sendo as mulheres tratadas como um autêntico pedaço de carne que se paga para usar e abusar.”
in Pereira, Pedro Jorge; “Be the Change you Want to See - uma outra perspectiva do mundo através do voluntariado”, (Porto, Planeta Terra: GAIA, 2006) p.156
“Transe” - (FRA/ITA/POR/RUS) 2006 126 min – Teresa Villaverde . Ana Moreira, Viktor Rakov, Robinson Stévenin
http://www.clapfilmes.pt/transe/
A história de Sónia, uma mulher de 20 e poucos anos que abandona o namorado e a família, em São Petersburgo, na Rússia, e decide partir sem olhar para trás para tentar encontrar uma vida melhor noutro país. Sónia vai conhecer a ilusão de uma vida nova e o inferno daqueles a quem a vida parece nada ter para dar. Fazendo a sua "via sacra" Europa fora, atravessando todo o continente, primeiro pela Alemanha, depois Itália, para acabar no extremo oposto, em Portugal, ela vai conhecer toda a miséria e degradação que o tráfico e a exploração dos mais fracos provoca. Um filme sobre a exploração e o tráfico de mulheres que a realizadora Teresa Villaverde ("Os Mutantes") explica a partir das palavras de Santa Teresa de Ávila: "O inferno é um cão a ladrar lá fora". "Estamos no início do século XXI e o cão ladra em toda a parte. Não nos livrámos da tortura, da escravatura, do genocídio. A personagem central deste filme vê esse inferno de frente e de muito perto. Penso que não chega a entrar, porque é preciso fazer parte do inferno para estar lá dentro. Ela não faz parte, mas não há saída. Jorge Semprún escreveu a propósito da sua experiência num campo nazi que um dos motores da sobrevivência é a curiosidade. Se não quisermos olhar, as chamas agigantam-se."
Saturday, November 04, 2006
GAIA lança A HERANÇA : Dia 4 e 10 de Novembro. O tempo de mudança é AGORA!

http://www.gaia.org.pt/
4 de Novembro
Dia Mundial contra as Alterações Climáticas
Relembramos neste dia Mundial contra as Alterações Climáticas a necessidade de preservar a herança de vida, que é este nosso planeta azul.
10 de Novembro
Dia Mundial contra a Shell
Ken Saro-Wiwa foi um escritor, poeta e produtor de televisão na Nigéria.
Quando assumiu funções de presidente do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni (MOSOP), uma das etnias que vivem no delta no rio Níger, Wiwa lutou pela defesa dos direitos dos 550 mil habitantes da região.
A HERANÇA - “O Mundo dos nossos Filhos”

A HERANÇA -
“O Mundo dos nossos Filhos”
por Pedro Fontoura
http://www.gaia.org.pt/?q=node/697
A Terra é uma excepção.
Em todo o sistema solar ela é, até onde sabemos, o único planeta habitado.
Nós, humanos, somos uma entre milhões de espécies separadas que povoam um mundo que transborda de vida.
No entanto, a maior parte das espécies que existiram já não existem.
Depois de terem proliferado durante 180 milhões de anos os dinossauros foram extintos até ao último. Não ficou nenhum para contar a sua história.
Existem hoje algumas teorias, relativamente ao seu desaparecimento, que apontam como causa da sua extinção o facto destes espécimes, com um forte potencial evolutivo e uma adaptação fantástica ao seu ambiente, terem esgotado os recursos do mundo que os viu nascer... e mais tarde padecer e perecer.
Talvez o acidente crítico na história dos répteis ancestrais não tenha sido o choque de um corpo celeste com este planeta azul – o nosso templo vivo – mas sim o embater de uma espécie desmesuradamente “faminta” que não teve a “inteligência” de gerir um mundo pré-histórico que se tornou insustentável.
Os anos passaram. Já não são os dinossauros que habitam este planeta.
Existe uma nova espécie com uma fome igualmente desmesurada.
Temos em acréscimo algo a que chamamos inteligência.
Contudo, em vez de a usar-mos para sustentar as nossas necessidades de sobreviver e partilhar o conhecimento que ela nos proporciona, alimentamo-nos do sangue negro do corpo do nosso planeta que padece: o petróleo.
Movemo-nos como detentores de um reino de que não somos senhores mas apenas convidados, apresentando-nos como uma ameaça para todas as espécies existentes, e em última estância para nós próprios.
Olhando do espaço, conseguimos distinguir na Terra miríades de pontos luminosos na superfície. Uns são facilmente preceptiveis como sendo cidades. Porém, uma parte substancial são impressões digitais de crimes. Não são mais do que queimadas realizadas nas zonas florestais do planeta.
Cada ponto luminoso, das centenas que podem ser avistados diariamente, corresponde à pira funerária de milhares de árvores, em queimadas megalómanas, patrocinadas por empresas petrolíferas como a Shell.
A destruição das florestas naturais e a libertação de grandes quantidades de dióxido de carbono pelos automóveis e máquinas afins que utilizamos, têm vindo a intensificar a concentração deste gás na atmosfera.
Como consequência, temos vindo a assistir por todo o planeta ao chamado aquecimento global: um aumento da temperatura média superficial global que se têm registado nos últimos 150 anos.
Especialistas alertam num relatório encomendado pelo governo britânico (publicado na edição de 31 de Outubro de 2006 do Jornal de Notícias), que mesmo que a poluição acabasse agora, os gases com efeito de estufa continuariam a aquecer o clima durante mais de 30 anos e o nível dos mares subiria durante mais um século:
“(…) O Mediterrâneo vai assistir a um aumento do stress hídrico, ondas de calor e fogos florestais. Portugal, Espanha e Itália serão os países mais afectados. O derretimento das neves alpinas e precipitações extremas podem aumentar a frequências das cheias nas principais bacias hidrográficas como as do Danúbio, Reno e Ródano. Muitos países costeiros em toda a Europa serão vulneráveis à subida do nível do mar (…)”.
Neste mesmo artigo, um especialista da cidade do Porto em alterações climáticas alerta:
“(…) Estamos a mudar a composição da atmosfera, ao emitir mais gases com efeitos de estufa, especialmente dióxido de carbono. Se esta tendência continuar, e tudo indica que sim, vão ser cada vez mais prováveis ondas de calor, com valores de temperatura acima do usual. São estas alterações que explicam fenómenos de chuva como os que se passaram há dias no país (…)”.
A natureza sempre encontrou soluções para resolver estas encruzilhadas... a bem ou a mal!
A questão que se coloca é que a resolução que este problema apresenta pode resultar ou na nossa evolução enquanto seres humanos, para uma espécie cada vez mais consciente do seu potencial, não usando a inteligência como uma arma nas mãos de uma criança; ou os nossos monumentos ao consumismo e à arrogância da nossa cobiça, construídos sobre os cadáveres de outras espécies do planeta, acabarão por desabar sobre nós...
O momento é crítico, o tempo é escasso... O planeta que tudo nos deu, tudo nos pode retirar.
Nós pertencemos à Terra, e a Terra não pertence a nós.
E transcrevendo as palavras de Carl Sagan no seu livro “Biliões e Biliões”, sobre esta Terra em que vivemos:
“(…) As nossas vidas futuras dependem daquilo que lhe damos, e como a trata-mos.Nós que só cá estamos há cerca de um milhão de anos fomos a primeira espécie a descobrir formas de se auto destruir.Somos raros e preciosos por estarmos vivos, por pensarmos tão bem como pensamos. Temos o privilégio de influenciarmos e talvez controlarmos o nosso futuro.É nossa obrigação lutarmos pela vida na Terra – não apenas por nós, mas também por todos aqueles, humanos e outros, que vieram antes de nós e para os quais estamos em dívida e por todos aqueles, se tivermos juízo, que virão depois. Não há causa mais urgente, nem dedicação mais adequada, do que a protecção do futuro da nossa espécie. Quase todos os nossos problemas são causados por seres humanos e podem ser resolvidos por seres humanos (…)”.
Nenhuma convenção social, nenhum sistema político, nenhuma multinacional vai impor as opções que fazemos na nossa vida.
Levanta-te cedo.
Dá uma corrida.
Toma um banho no mar.
Dá um salto ao jardim.
Passeia com as crianças.
Usa o transporte público.
Usa a bicicleta.
Não colabores com a poluição da tua cidade.
Não colabores com os atentados ambientais causados pelas petrolíferas.
Sente-te vivo.
Sente-te saudável.
Não precisas do ginásio.
Descobre o mundo maravilhoso que se esconde na tua cidade: as pessoas; a cultura; a natureza.
Se o homem anda atrás do paradigma do paraíso perdido é altura de o encontrar em si mesmo em consonância com a natureza.
Olhemos à nossa volta e veremos quanto temos perdido por não termos aberto o coração e a mente ao mundo maravilhoso que nos rodeia.
Monday, October 30, 2006
Memórias de um rio vivo ...

Memórias de um rio vivo ...
Li um artigo sobre o rio Mondego. Esse mesmo rio que utilizei como exemplo para uma reflexão sobre os rios e os planos hidrológicos humanos que os têm vindo gradualmente a transformar em canais amorfos e sem vida, sem fulgor e poesia ... sem vida e esplendôr ... o rio Mondego, o maior nascido em Portugal, é um rio triste, muito triste ...
“Perto do centro, onde saio todos dias do autocarro 16, verificámos os horários dos autocarros, que são escrupulosamente cumpridos, e constatámos que teríamos de esperar cerca de 16m pelo autocarro, pelo que decidimos ir a pé. Seguimos pelo percurso que começa a ser para mim rapidamente familiar e conhecido. Ao chegamos perto de casa, a Radka, um nome mais ou menos comum na R.Checa, falou-nos de um amigo que habita nuns “panelakis” na área. Contou-lhe que onde agora se estende uma longa avenida asfaltada antes corriam livres e sinuosas as águas do Morava. Agora o Morava assemelha-se em larga medida a um canal agrilhotinado por diques, um canal uniforme sem vigor e espontaneidade. As margens que havia visto antes são morros de terra erguidos pelo Homem. Esses diques fazem parte de uma espécie de sistema de controlo e manipulação de caudais. Suponho que seria necessário indagar pelo Morava na sua essência para se poder estimar de forma mais exacta o verdadeiro impacto de tal intervenção. Mas parece-me triste o Morava, castrado e ferido no seu orgulho. De resto não muito diferente do mesmo processo pelo qual passou o Mondego, e um plano hidrológico que quase lhe roubou toda a essência e vida. Aqui como lá, mais do que uma ideologia de comité central ou de mercado, o que é mais importante é a forma como os Homens olham para a Natureza. Não como um pássaro que deve voar livremente e preencher o nosso céu de poesia e liberdade, com o qual se aprende a conviver e respeitar, mas como um animal selvagem que se deve açaimar e domesticar como num luminoso mas triste espectáculo de circo qualquer.
in Pereira, Pedro Jorge; “Be the Change you Want to See - uma outra perspectiva do mundo através do voluntariado”, (Porto, Planeta Terra: GAIA, 2006) p. 70
Mondego entra na lista das 200 "zonas mortas"
Fertilizantes e pesticidas tiram a respiração às águas dos rios
http://jn.sapo.pt/2006/10/22/sociedade_e_vida/mondego_entra_lista_200_zonas_mortas.html
Eduarda Ferreira
Orio Mondego está incluído numa lista de zonas aquáticas em que falta o oxigénio e, por isso, são consideradas "zonas mortas", pelo menos durante parte significativa do ano. De 149 sítios com esta classificação em 2004, a lista organizada pelo Programa de Acção Global para a Protecção do Ambiente Marinho de Fontes Localizadas em Terra integra agora cerca de 200.
O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP) actualiza de dois em dois anos o relatório de uma sua iniciativa que faz o diagnóstico dos meios aquáticos costeiros e marinhos. Na reunião desta última semana, em Pequim, saíu o consenso sobre a actualização dos sítios doentes, cuja lista definitiva só será divulgada em 2007. De qualquer modo, o rio Mondego foi já citado como um dos casos incluídos no último relatório.
Um pouco por todo o mundo estão identificados recursos hídricos que passaram a "zonas mortas". A asfixia dessas águas deve-se a lixo, a descargas de estações de tratamento, à construção de barragens, ao turismo, à indústria e transportes. A agricultura é fonte importante de poluição localizada em terra. Ao enviar para os rios fertilizantes (nomeadamente o nitrogénio e o fósforo) determina a eutrofização das águas, que se caracteriza pelo desenvolvimento descontrolado de algas consumidoras do oxigénio. Tal impede, por exemplo, que espécies piscícolas subsistam nesse meio. Os pontos negros deste mapa das Nações Unidas incluem desde zonas das Caraíbas a fiordes da Noruega, Mar Negro, Austrália, China e Japão. O Mediterrâneo é dos que concentram mais manchas de poluição. Por exemplo, a Leste do Algarve, são visíveis efeitos da actividade turística e da produção agrícola intensiva na Andaluzia, Espanha. Cerca de 80% da poluição do mar e estuários têm origem em terra.
Friday, October 27, 2006
shell demonstra hipocrisia no prémio "vida selvagem"

Um dos temas referidos no livro “Be the Change ... “ sobretudo quando abordada a questão da globalização, prende-se com as proporções que o crescente “poder” das companhias multinacionais tem vindo a adquirir na “nova ordem neoliberal” ... dotadas de uma poderosa máquina de propaganda, de hábitos consumistas e “inconscientes” generalizados à quase totalidade da população mundial (exceptuando os que deles são excluídos não tanto por opção mas por impossibilidade prática, e não são poucos), e no âmbito de uma “globalização” que mais não é que do que o seu jogo de monópolio jogado à escala global e à escala da vida de todos nós ... uma silenciosa e subtil “revolução” mercantilista tem vindo a reconfigurar toda a escala de valores da nossa sociedade. Por detrás desse aparente manto de “normalidade” e placidez, escondem-se complexos e obscuros jogos de interesse ... capazes de prejudicar, até mesmo destruir, a vida de milhões, biliões, de seres em todo o planeta ... habitats inteiros até ...
No mundo neoliberal existe uma ordem primordial antes de todas as outras: O LUCRO. E tudo o mais nada mais são do que meros “acessórios” circunstânciais que adquirem até o carácter de estimulante desafio para os especuladores bolsistas e malta da política amigalhaça ... e o que mais não faltam são “amigos”, amigos do dinheiro ...
Friends of the Earth International
SHELL DEMONSTRA HIPOCRISIA NO PRÉMIO "VIDA SELVAGEM"
Londres, Reino Unido, 18 de Outubro de 2006
As comunidades que vivem junto à gigante petrolífera Shell vão esta semana expor a hipocrisia da empresa ao patrocinar o prémio da competição Fotógrafo do Ano da Vida Selvagem – anunciado quarta-feira, dia 18 de Outubro (1).
A Shell é a nova patrocinadora do prestigiado prémio, que é organizado conjuntamente pelo Museu de História Natural e pela BBC Wildlife Magazine, e contribuiu com cerca de € 1,117,000 (2).
Mas os vizinhos da Shell designam a gigante petrolífera de “destruidora da vida selvagem” e afirmam que está a tentar esconder os estragos que faz na vida selvagem e no ambiente por detrás do prestigiado prémio (3).
Estão a reclamar para que o Museu de História Natural termine a relação com a Shell, que acreditam danificar a reputação e credibilidade do museu. O museu participa na competição apesar de ter um relatório ético sobre a Shell que identifica problemas na companhia.
Paul De Clerck, da Campanha de Empresas da Friends of the Earth, afirma: “O patrocínio da Shell ao prémio de Fotógrafo do Ano da Vida Selvagem desvaloriza completamente o seu valor. A Shell está a causar danos massivos à vida selvagem e ao ambiente, e nenhuma quantia de patrocínios em prémios verdes irá mudar isso.”
Hannah Griffiths, também da Campanha de Empresas da Friends of the Earth, acrescentou: “O Museu de História Natural não devia aceitar patrocínios duma companhia tão destrutiva”.
Os visitantes, que falaram em eventos públicos em Londres, Birmingham e Manchester, e que visitaram os Parlamentos (5), estão no Reino Unido para chamar a atenção para o impacto real da Shell sobre a vida selvagem, o ambiente e os povos de todo o mundo.
Um dos oradores é Terry Clancy, da campanha Shell para o Mar do Condado Mayo, na Irlanda, onde a Shell planeia construir um pipeline off-shore e terminais de gás. O desenvolvimento ameaça o habitat único proporcionado pela Baía de Broadhaven – uma reserva natural internacional importante – e destruirá turfas e pastos costeiros (6).
Os oradores sublinham também os impactos negativos na vida selvagem da ilha russa de Sakhalin, onde a nova plataforma e pipeline da Shell ameaçam a sobrevivência da já gravemente ameaçada Baleia Cinzenta do Pacífico Oeste.
A Friends of the Earth viu também detalhes dum relatório que afirma que a Shell destruiu várias centenas de abetos de Sakhalin, ou abetos de Glehn – incluidos na lista de espécies ameaçadas da IUCN. Parte de uma área protegida de um quilómetro de comprimento foi arrasada pela Shell para dar lugar ao pipeline (7).
A Friends of the Earth, que está a servir de anfitriã desta acção, lançou uma galeria de imagens que mostram os estragos causados pela Shell (8).
http://www.foe.co.uk/campaigns/corporates/news/shell_wildlife_gallery.html e http://www.shelloiledwildlife.org.uk
PARA MAIS INFORMAÇÕES CONTACTE:
Friends os the Earth International Corporates Campaigner Paul De Clerck.
Tel: +32-2-542 61 07 (número belga)
Friends of the Earth's Corporates Campaigner Hannah Griffiths.
Tel: +44-7855 841994
Friends of the Earth Press Office em Londres. Tel: +44-20-7566 1649
(1) Ver www.nhm.ac.uk/visit-us/whats-on/temporary-exhibitions/wpy/exhib-index.html
(2) A shell contribui com £750,000 em dois anos, conforme o acordo assinado com o Museu de História Natural.
(3) Um relatório sobre os impactos da Shell na vida selvagem está disponível na página da Friends of the Earth www.foe.co.uk/resource/briefings/shell_wildlife_destroyer.pdf
(4) Uma cópia da revisão ética está disponível aos Friends of the Earth
(5) Os vizinhos da Shell falaram em Londres a 16 de Outubro às 19.00 no London Action Resource Centre, 62 Fieldgate Street, London E1 1ES; terça-feira 17 de Outubro às 18.30 no Imperial College, Lecture Theatre 208, Skempton Building, Imperial College Road, London SW7; em Birmingham na quinta-feira 19 de Outubro às 19.30 no Warehouse Café, Birmingham Friends of the Earth, 54-57 Allison Street, Digbeth, Birmingham, B5 5TH; e em Manchester na sexta-feira 20 de Outubro às 19.00 no Friends Meeting House.
(6) Ver http://www.corribsos.com/
(7) Uma cópia traduzida está disponível na Friends of the Earth
(8) Ver http://www.foe.co.uk/campaigns/corporates/news/shell_wildlife_gallery.html e http://www.shelloiledwildlife.org.uk
Tradução: David Maia
Thursday, October 19, 2006
Uma verdade inconveniente ...

Uma verdade inconveniente ...
Uma verdade inconveniente tem, sem dúvida, uma elevada componente pedadógica e, na verdade, funciona como um mais que pertinente grito de alerta para a caixa de pandora que a nossa sociedade tem vindo a abrir com o nosso estilo de vida consumista e insustentável, sendo que neste filme é abordado de forma particularmente interessante o fenómeno do Aquecimento Global e as suas repercussões no nosso planeta e em toda a forma como se estruturam as sociedades humanas.
Al Gore tem inequivocamente uma capacidade de comunicação extremamente bem desenvolvida e demonstra, a certos níveis, uma sensibilidade algo inesperada se considerarmos que estamos a referir-nos a um potencial ex presidente dos Estados Unidos da América. É quase inevitável perguntarmo-nos como foi possível George Bush ter derrotado Al Gore, que grau de insanidade mental, ou dúbios esquemas eleitorais, foram utilizados de forma a ter sido propiciado tamanho trágico episódio. De qualquer das formas, gosto de acreditar que essas são questões algo laterais no contexto da película, cujo mérito se situa muito mais ao nível de ser um imprescindível documento de denúncia que nos revela uma terrível realidade, “estranhamente” ausente da “agenda política” e dos debates da nossa sociedade. Ausente também dos boletins informativos, com a excepção feita às catástrofes climáticas que se, por um lado, “oferecem” cada vez mais imagens espectaculares às audiências famintas de imagens “sensacionais”, por outro lado, são cada vez mais comuns e até banais face à forma brutal como o “Homem” parece ter já danificado o equilíbrio ecológico do Planeta Terra. Creio que é essa uma das principais virtudes do filme: proporcionar-nos uma real dimensão dos fenómenos que estão a ser desencadeados assim como a amplitude dos seus impactos. E creio que poucos de nós tínhamos (temos) noção da gravidade da situação e do que está para suceder em breve no nosso planeta, do que já está a suceder no nosso planeta, com tudo o que isso vai significar ...
Existe uma ignorância quase generalizada em relação a um fenómeno que está, de forma cada vez mais inequívoca, a reconfigurar todos os padrões biológicos desse habitat global que é o nosso planeta, com todas as suas dramáticas consequências ...
“Uma Verdade Inconveniente” é talvez um contributo muito importante e susceptível de ajudar a reverter um pouco esse estado generalizado de inconsciência e talvez um bom incentivo para que nós, comuns cidadãos, possamos adoptar práticas e estilos de vida que não contribuam, à sua escala, para o agravamento de fenómenos como o aquecimento global ... já para não mencionar tudo o que podemos fazer como cidadãos activos e com todo o direito moral de exigir viver num Planeta Terra livre de poluição e estupidez humana. Por estupidez entenda-se, sobretudo, essa obstinação de muitos seres humanos em (ab)usar (d)os recursos do planeta, e causar impactos ambientais nos ecossistemas, ao ponto de causar nestes uma situação de quase total destruição inviabilizando a própria vida.
Um filme a ver e aconselhar. Muito importante.
(revisão ortográfica: Cristina Gomes)
Uma Verdade Inconveniente
Título original: An Inconvenient Truth
De: Davis Guggenheim
Género: Doc
EUA, 2006, Cores, 100 min.
argumento
Documentário que tem como figura condutora Al Gore, o antigo Vice-presidente dos Estados Unidos, que depois da sua derrota nas eleições de 2000 voltou à sua cruzada de ajudar o planeta. Segundo alguns cientistas, teremos apenas dez anos para evitar uma grande catástrofe que pode destruir o nosso planeta gerando condições meteorológicas agressivas, inundações, epidemias e ondas de calor que ultrapassam tudo o que conhecemos. O documentário segue a luta de Al Gore para travar o aquecimento global e a sua tentativa de impor o problema, não como uma questão política, mas sim um desafio global para a Humanidade.
The truth is coming soon to a theater near you: Al Gore’s New Global Warming Movie “An Inconvenient Truth” [en]
Al Gore’s critically-acclaimed new film “An Inconvenient Truth” offers the best opportunity we’ve ever had to capture the immediate attention of all Americans and move this country forward quickly to stop global warming. While the problem is urgent, the solutions are clear, and with American ingenuity and leadership, we can avert disaster and restore the world’s confidence in our values. Let’s work together to make this movie a success, and turn the audience interest into action.
One easy way to get involved as virtual marchers is to buy a ticket and bring a friend to see this movie. Then help spread the word. The more people go see this movie on opening weekend, the more theaters will pick it up. Bring the power of the Virtual March to movie theaters across the country.
Friday, July 07, 2006
Post

Post
“Escrevo estas linhas cerca de um ano depois de ter estado na República Checa. Será possível acreditar que tudo foi real? Que aquelas imagens de pessoas, casas, Natureza, paisagens existiram mesmo? Se agora, aqui, nesta mesma precisão existencial elas parecem não existir para além desse tão ténue universo que é o de minhas próprias percepções ... “
Thursday, July 06, 2006
um blog para a mudança
Um blog de mudança
Neste blog irão ser publicados alguns excertos originais do livro “Be the Change you Want to see” sendo esporadicamente acompanhados de imagens relativas às circunstâncias ou temáticas abordadas. Um dos principais propósitos do blog é ser uma ferramenta interactiva que permita a publicação de comentários por parte de todos aqueles que demonstrem alguma vontade no sentido de exprimir a sua opinião ou, de alguma forma, dar o seu contributo. É também um instrumento de divulgação de eventos, iniciativas ou notícias que se possam relacionar com o desenvolvimento do projecto e dos seus propósitos essenciais.
